O futebol perdeu Muamba, mas o jornalismo ganhou um coração forte

Muamba já se acostumou com a vida longe do futebol e agora estuda para aprender a cobrir o esporte que quase o matou

Naturalmente, Fabrice Muamba não sente falta do futebol. Em março do ano passado, afinal, esse jogo o matou por 78 minutos e encerrou sua carreira com apenas 23 anos. Foi difícil no começo, ele admite, mas já aceitou que nunca mais vai chutar uma bola profissionalmente e seguiu em frente. Agora, estuda para se tornar jornalista esportivo e torce como qualquer outro morador de Londres.

Muamba sofreu um ataque cardíaco durante um jogo entre Tottenham e Bolton, seu ex-clube, pela Copa da Inglaterra e a recuperação pela qual passou, rápida e sem sequelas, foi algo próximo de um milagre.  Se o problema o fez abrir mão de sonhos, como jogar uma Copa do Mundo pela Inglaterra, permitiu também que ele passasse mais tempo com a mulher e os dois filhos.

“Eu estou feliz. Feliz por ainda estar aqui para passar tempo com a minha família. Futebol é apenas um emprego e tenho certeza que vou conseguir outro em breve”, disse em entrevista à BBC. Ele prometeu que não vai roubar o lugar do repórter que o entrevistou, mas está estudando jornalismo esportivo. Todos os aspectos dele. “Jornalistas precisam de todo o pacote hoje em dia. Saber escrever, fazer televisão, blog, tudo”, opinou. E também precisa saber criticar. “Eu gostaria de ver mais ex-jogadores fazerem jornalismo para conhecerem o outro lado”.

Muamba está acostumado a estudar. Em Kinshasa, na República Democrática do Congo, onde nasceu, só podia jogar futebol depois de terminar a lição de casa. “Era mais importante que futebol”, explicou. “Eu não era fascinado por futebol. Só gostava de jogar”.

Quando a guerra civil começou, a família dele viajou para a Inglaterra. O sonho de defendê-la em uma Copa do Mundo não se concretizou. Muamba sequer atuou pelo time principal, apenas pelas categorias de base. Ele é evidência, porém, de que os sonhos são adaptáveis. Talvez o ex-jogador que esteve morto até os 33 minutos do segundo tempo um dia cubra o bicampeonato mundial do país que aprendeu a amar.

Veja quando Muamba voltou ao White Hart Lane pela primeira vez desde o ataque cardíaco: