O Colo Colo ampliou sua vantagem como maior campeão chileno de toda a história. O Cacique chegou a sua 31ª conquista da liga nacional neste domingo, ao faturar o Torneio Apertura. Entretanto, o feito dos Albos esteve muito distante de terminar em festa. O jogo contra o Santiago Wanderers sequer começou, por conta de uma batalha campal entre os torcedores das duas equipes em Valparaíso. Cenas de violência que tomaram o gramado, apesar da tentativa dos próprios jogadores em conter os invasores. E que estragou boa parte do júbilo entre os colocolinos.

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Para ser campeão, o Colo Colo precisava apenas vencer o Santiago Wanderers. No entanto, antes mesmo do início da partida, os Albos invadiram o campo e passaram a atirar objetos contra a torcida adversária – incluindo ferros, pedaços de pau e sinalizadores. Em resposta, os barras do Santiago Wanderers também responderam ao ataque. A intervenção dos jogadores, tentando acalmar os ânimos, pouco adiantou. A situação só foi contornada quando, finalmente, a polícia conseguiu controlar os invasores, com mais violência. Fora do estádio, as cenas também se repetiram.

Por falta de segurança, o jogo acabou suspenso e deverá ser disputado durante esta semana, com os portões fechados. “Lutamos o semestre inteiro e lamentavelmente não podemos jogar. O grande perdedor é o futebol isso provoca tristeza e fica esse sentimento”, afirmou o técnico José Luis Sierra, do Colo Colo. A proclamação do Cacique como campeão veio a partir da derrota da Universidad Católica para o Audax Italiano, única adversária que ainda era capaz de alcançar os líderes. Em meio ao cenário de caos, os jogadores comemoraram nos vestiários e deram uma volta olímpica improvisada entre os poucos torcedores que restavam no estádio.

As cenas de selvageria representam como a violência das barras bravas não é um problema endêmico – e nem que se limita apenas à América do Sul, diga-se. Enquanto faltar controle, aqueles dispostos a tumultuar conseguirão se impor, independente do local. E, mais perigoso desta vez, colocando a integridade dos próprios jogadores em risco. A discussão sobre o combate à violência nos estádios se estende a diferentes países, e não é algo que concerne apenas ao futebol, mas à própria segurança pública e à educação. Necessita de estudos e medidas bem mais aprofundadas. E nem pode ser tratada como uma mera briga de “torcidas”. Afinal, os envolvidos no episódio deste domingo claramente não estavam interessados em torcer. O esporte perde o seu propósito de celebração e convivência em um cenário como o de Valparaíso.