O Campeonato Colombiano se firmou nesta década como o terceiro mais forte da América do Sul. Não tem o potencial financeiro de Brasil ou Argentina, mas conta com uma liga bem estruturada, jogadores talentosos e vários clubes competitivos. O bom nível da Liga Águila, aliás, permite uma rotatividade grande entre os campeões – não apenas entre os chamados “grandes”, das principais cidades, mas ultimamente também com o fortalecimento de forças secundárias. Algo que se reflete nas competições continentais. Indo além do título do Atlético Nacional na Libertadores de 2016, os colombianos tiveram finalistas em quatro das últimas cinco edições da Copa Sul-Americana, já incluída a atual. Independiente Santa Fe e Junior Barranquilla se encararão pela decisão.

Único colombiano campeão nas três participações anteriores na decisão (muito embora o Atlético Nacional tenha concedido o título à Chapecoense em 2016), o Independiente Santa Fe foi o primeiro a se confirmar nas semifinais desta vez. Os Cardenales não contam com uma equipe tão competitiva quanto àquela que despontou no continente durante o início da última década, mas seguem com um estilo de jogo bem fundamentado. Desta vez, superaram o Deportivo Cali. Depois do empate por 1 a 1 em Bogotá, em que os anfitriões já haviam jogado melhor, conseguiram buscar a vitória fora na última terça. Wilson Morelo e Diego Guastavino anotaram dois gols em 16 minutos, o que abriu o caminho para o triunfo por 2 a 1 sobre os alviverdes.

Já nesta quinta, o Junior de Barranquilla completaria a festa. Os Tiburones abriram boa vantagem no jogo de ida, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, ao derrotarem o Defensa y Justicia por 2 a 0. E no jogo de volta, os colombianos tiveram que sofrer bastante em Avellaneda, diante da pressão dos argentinos. Jogando o fino, de maneira bastante ofensiva, o time de Sebastián Beccacece abriu três gols de vantagem no início do segundo tempo – além de ter um gol discutivelmente anulado no fim da primeira etapa, quando o marcador apontava 2 a 0. O Junior estava mal na defesa e pouco fazia no ataque, mas achou um gol a 20 minutos do fim, em chutaço de Luis Fernando Díaz. No tempo restante, os portenhos martelaram bastante, mas falharam nas finalizações, chegando a carimbar o travessão nos acréscimos. Graças ao tento fora, os alvirrubros avançaram, apesar da derrota por 3 a 1.

O nível de investimento do Junior é inferior ao da temporada passada ou ao do primeiro semestre. Ainda assim, é um time com qualidade, mesmo que a falta de sorte nos chaveamentos determine seus fracassos na Libertadores. A Copa Sul-Americana ressurge mais uma vez como um gordo prêmio de consolação e, depois de já ter dado trabalho ao Flamengo em 2017, testará seu potencial nas semifinais pela segunda vez. Teo Gutiérrez e Sebastián Viera permanecem como referências, enquanto o tarimbado treinador Julio Comesaña está de volta. Do outro lado, sob as ordens do ascendente Guillermo Sanguinetti, o Santa Fe confia nos rodados Robinson Zapata e Wilson Morelo, além de terem garantido o retorno de Luis Manuel Seijas.

Pela capacidade dos times, serão dois jogos interessantíssimos de se assistir. O Independiente Santa Fe está um passo à frente por seus resultados e pela experiência internacional recente, mas nada que descarte o Junior, com jogadores mais renomados e bom potencial ofensivo. Quem passar à final será um adversário duro a Atlético Paranaense ou Fluminense. E mostrará como a Colômbia, se não fez muito na Libertadores deste ano, permanece com uma relevância internacional elevada.