Para se fazer uma grande campanha na Copa Libertadores, é necessário saber sofrer. E o Atlético Paranaense tem sido testado jogo após jogo na competição continental. O sofrimento se tornou corriqueiro aos rubro-negros nas últimas semanas. Em compensação, os torcedores veem o time entregando o seu suor, apesar das deficiências. Nesta quarta, o Furacão recompensado enormemente, com uma essencial vitória fora de casa. Na visita ao Nuevo Gasómetro, o time de Paulo Autuori novamente marcou um gol nos primeiros minutos. Mas, desta vez, agarrou os três pontos com toda a sua força, independentemente da pressão do San Lorenzo. Vitória por 1 a 0, para reafirmar as credenciais dos paranaenses na competição continental.

Lucho González tem sido a estrela da sorte do Atlético nesta Libertadores. Quando chegou à Baixada, o meio-campista foi contratado mais por seu histórico do que necessariamente pelo retrospecto recente.  Ninguém questiona seu talento, de grandes serviços prestados ao longo de sua carreira. No entanto, apesar da conquista da taça em 2015, seu retorno ao River Plate foi um tanto quanto apagado. O veterano também não causou impacto imediato no Furacão, contratado durante o último Brasileirão. Até começar a estourar no torneio continental. Foram dois gols nos minutos iniciais contra Deportivo Capiatá e Universidad Católica. Algo que se repetiu nesta quarta, em Buenos Aires. Sidcley cruzou e o camisa 3 completou de cabeça, abrindo o placar.

Recuperando o ritmo após a longa pausa na temporada, o San Lorenzo aos poucos passou a controlar a partida. O time de Diego Aguirre se posicionava no campo de ataque, trabalhando os passes e buscando uma chance pelo alto. No entanto, Paulo André e Thiago Heleno iam muito bem no jogo aéreo, enquanto Weverton realizou boa defesa quando acionado. Do outro lado, o Furacão levava perigo nos contra-ataques. Poderia até mesmo ter ampliado, não fossem os desperdícios. Depois dos 30 minutos, Nikão e Lucho González protagonizaram dois lances claros, só que acabaram errando o alvo.

O Atlético voltou melhor do intervalo. A movimentação dos rubro-negros nos ataques rápidos funcionavam bem e, por duas vezes, Sebastián Torrico teve que garantir o Ciclón. Contudo, diante da necessidade, o San Lorenzo começou a pressionar. Certamente estudou as fragilidades dos adversários nas rodadas anteriores, investindo pelo lado esquerdo e também nos cruzamentos. Mas, se analisaram mesmo os atleticanos, os cuervos sabiam da qualidade de Weverton sob as traves. Neste momento, o camisa 12 se agigantou.

Foram ao menos quatro boas defesas do goleiro na segunda etapa. Aos 24 minutos, ele fez milagre, ao desviar a bola de Ezequiel Cerutti e crescer para cima de Néstor Ortigoza, bloqueando o arremate no mano a mano. E o ídolo rubro-negro ainda contou com um bocado de sorte. Aos 30, o árbitro marcou pênalti para o San Lorenzo, em lance discutível. Ortigoza, exímio cobrador, havia acabado de ser substituído. Nicolás Blandi partiu para a bola e errou por muito, mandando ao lado da trave. Enorme alívio ao Furacão. Os sustos não pararam por aí, com o bombardeio aéreo e outras duas ótimas intervenções de Weverton. Mas, desta vez, o Atlético não entregou os pontos. Poderia até ter fechado a conta nos acréscimos, em jogada que Lucho González isolou. De qualquer forma, já era suficiente.

O Atlético Paranaense segue apresentando problemas pontuais. Todavia, as virtudes prevaleceram, especialmente pela inspiração de Weverton, assim como pela soberania de Thiago Heleno e Paulo André. E o ritmo intenso dos minutos iniciais acabou não sendo descompensado pela queda nos derradeiros. Capacidade de concentração costuma ser algo vital na Libertadores. O que, com sua dose de sofrimento, o Furacão conseguiu manter. Leva para casa três pontos valiosos em um grupo parelho – e fora de casa, importante após o tropeço na Baixada.