França e Espanha disputaram nesta terça, no Stade de France, um dos principais amistosos da Data Fifa. Jogo bastante movimentado, com chances para os dois lados e boas defesas dos goleiros. No entanto, o elemento mais decisivo da noite em Saint-Denis não esteve em campo. Testado na partida, o árbitro assistente de vídeo fez a diferença. Se a tecnologia não tinha deixado uma boa impressão no Mundial de Clubes, desta vez funcionou muito bem. O árbitro principal, o alemão Felix Zwayer, precisou de poucos segundos para sanar as suas dúvidas. E três lances capitais do embate acabaram influenciados pelo replay: os Bleus tiveram um tento corretamente anulado após a consulta, enquanto ela também auxiliou nos dois gols da Fúria. No final, o placar de 2 a 0 decretou, com justiça, a vitória dos espanhóis.

Antes do jogo, uma bela homenagem oferecida pelos franceses. Em sua primeira partida em casa desde o falecimento de Raymond Kopa, os compatriotas homenagearam o craque, falecido no início de março, aos 85 anos. Houve até mesmo um mosaico em um dos setores do Stade de France, com as cores da bandeira e o nome do atacante. Além disso, os jogadores respeitaram um minuto de silêncio.

Quando a bola rolou, a tecnologia não precisou ser utilizada durante o primeiro tempo. Tanto a França quanto a Espanha tentavam acelerar o jogo. Os Bleus começaram melhores e tiveram duas boas oportunidades nos primeiros 10 minutos. Titular pela primeira vez na seleção principal, Kylian Mbappé incomodava e parou em grande defesa de David de Gea. Pouco depois, coube a Gerard Piqué afastar em cima da linha a cabeçada perigosa de Laurent Koscielny. Do outro lado, a Fúria respondeu principalmente com Andrés Iniesta. Duas das melhores chances vieram com o camisa 6. Já aos 42, De Gea precisou salvar outra vez, em cruzamento fechado de Gameiro. Prevaleceu o placar zerado na saída para o intervalo.

Na volta para a etapa complementar, o árbitro de vídeo se destacou. Logo aos três minutos, a França abriu o placar. Christophe Jallet cruzou, Layvin Kurzawa ajeitou de cabeça e Antoine Griezmann arrematou. No primeiro momento, o árbitro validou o tento. Entretanto, consultou o auxiliar posicionado fora do campo e, após a revisão do lance, voltou atrás corretamente, informado por meio de um ponto eletrônico. Kurzawa estava impedido no momento da assistência, assim como Griezmann na conclusão.

Após um festival de substituições, outra vez a interferência externa ajudou, aos 22. Gerard Deulofeu foi derrubado na área por Koscielny. Pênalti, que o árbitro só autorizou após a confirmação do replay – o que, todavia, nem todos nas arquibancadas concordaram, diante da valorização de Deulofeu. David Silva converteu a cobrança. Já aos 31, mais uma tabelinha entre Deulofeu e o vídeo. A Espanha armou excelente contra-ataque, a partir de um giro de Sergio Busquets, trocando passes em velocidade. Jordi Alba cruzou e Deulofeu escorou. O assistente assinalou impedimento. Contudo, após a revisão, constatou-se que o atacante estava na mesma linha de Samuel Umtiti. Segundos de espera valiosíssimos.

Ainda há muito a se discutir e a se acertar na utilização do vídeo auxiliar. Nesta terça, ele só poderia ser acionado em quatro condições: para confirmar um gol, para analisar a marcação de um pênalti, para rever uma expulsão e para alterar um cartão porventura exibido erroneamente. Não serviria, por exemplo, a um pênalti não visto pela arbitragem (como aconteceu em Kashima Antlers x Atlético Nacional) ou a um lance de impedimento que deixasse o time em boas condições, mas fosse interrompido antes da conclusão – embora, neste caso, muito provavelmente o árbitro tivesse a orientação para deixar a jogada correr. Nos sentidos em que foi aplicado, ao menos, funcionou perfeitamente.

O teste se encerrou muito bem, sobretudo após as desconfianças levantadas nos últimos meses. Com as intervenções, não foi somente a Espanha que venceu, mas o futebol, de maneira geral. É preciso entender que o árbitro auxiliar de vídeo não vai sanar todas as dúvidas e ser aplicável a todos os lances. Ainda assim, tem condições de aperfeiçoar bastante as decisões, como ficou claro no Stade de France.