O Flamengo não se cansa de impressionar e, com muita autoridade, sufocou o Barcelona

Foi-se o tempo em que a fase de grupos da Libertadores representava um grande temor ao Flamengo. Os rubro-negros transformaram definitivamente sua história de traumas na competição continental e jogam com uma autoridade poucas vezes vista na América do Sul durante os últimos anos. Nesta quarta-feira, dentro do Maracanã lotado, o Fla realizou uma de suas melhores atuações sob as ordens de Jorge Jesus. O placar de 3 a 0 sobre o Barcelona de Guayaquil nem impressiona tanto assim. Mais marcante foi o futebol exibido pelo Flamengo, com uma intensidade sufocante, que mal permitiu aos adversários atravessarem o meio-campo. Com imponência, o time encheu os olhos e reafirmou seu momento espetacular.

Sem se intimidar com o ambiente no Maracanã, o Barcelona até chegou a incomodar durante os primeiros dez minutos de partida. O Flamengo tinha a posse, mas os Toreros buscavam as bolas mais longas e deram alguns sustos. Filipe Luís parou um ataque com falta aos seis, antes que Diego Alves espalmasse a cobrança de Fidel Martínez. Ainda assim, os equatorianos não mostravam tantos recursos além da velocidade. E, quando encaixou seu jogo, o time de Jorge Jesus sufocou os visitantes.

A primeira chance clara de gol do Flamengo veio aos oito, em contragolpe impressionante após a cobrança de escanteio do outro lado, no qual cinco jogadores partiram em velocidade. Bruno Henrique concluiu mascado para fora. Recuado, o Barcelona tinha enormes dificuldades para sair dos arredores de sua área. O Fla sitiava o campo de ataque e abafava os oponentes, com várias roubadas de bola. Como se não bastasse, os rubro-negros aceleravam bastante a cada recuperação para buscar os espaços. A movimentação do time era excelente, com aproximações constantes para garantir as tabelas. A defesa adversária se segurava como podia, mas logo cederia à pressão.

Aos 27 minutos, o goleiro Victor Mendoza faria grande defesa para evitar o gol de Everton Ribeiro. O capitão aparecia bastante e se tornava a principal fonte de inspiração do Flamengo, pronto a desequilibrar. O primeiro gol nasceria de seus pés. Aos 37, Gustavo Henrique se aventurou na área e, a partir de um cruzamento perfeito de Everton Ribeiro, cabeceou firme às redes. E, diante de uma vantagem merecida, o segundo gol tornaria o placar mais condizente. Mendoza fez outra ótima defesa em chute de longe de Gabigol. Na cobrança de escanteio posterior, Jonathan Alvez desviou a bola com a mão e o árbitro anotou o pênalti. Gabigol se encarregou de ampliar.

O Flamengo implacável do primeiro tempo deu as caras também no início do segundo. O time mantinha o ritmo altíssimo, marcando forte e acelerando suas transições. Assim, o terceiro gol veio ainda aos sete. Bruno Henrique havia virado o pé pouco antes, mas seguiu em campo e tratou de deixar sua marca. Após cobrança de escanteio de Arrascaeta, o atacante subiu na área para desviar de cabeça. Era uma noite completa no Maracanã.

Com a vantagem estabelecida, o Flamengo não precisou permanecer tão em cima do Barcelona. Mesmo assim, jogava o fino e mandava em campo. Gerson, em especial, era outro que sobrava no meio. Com muita autoridade, dava fluidez e ajudava a colocar os equatorianos na roda, ao lado de Thiago Maia. Por mais que o Barcelona tentasse uma resposta, não conseguia jogar. Os rubro-negros aliavam segurança e intensidade, numa noite que guardava o melhor dos atuais campeões continentais.

Com o passar dos minutos, o Flamengo tinha suas principais oportunidades em bolas alçadas na área. Gustavo Henrique tentou mais duas vezes, além de ter atrapalhado um chute de Bruno Henrique. O Barcelona até reapareceu no ataque aos 32, mas Diego Alves realizou outra intervenção vital diante de Jean Montaño. Em resposta, Jorge Jesus deixou o Fla ainda mais ofensivo, com a entrada de Diego no lugar de Thiago Maia. A melhor chance viria com Michael, outro substituto, que parou no goleiro Mendoza. O placar, de qualquer forma, já era suficiente à satisfação do Maraca.

É até difícil dizer quem jogou melhor no Flamengo. Gustavo Henrique atuou com muita desenvoltura, Thiago Maia já começa a colocar em xeque a titularidade de William Arão, Gerson tomou conta da faixa central, Everton Ribeiro tem sido ainda mais exuberante, Gabigol deixou sua marca mais uma vez. A equipe parece seguir em evolução, com mais alternativas em seu jogo. E a situação no Grupo A se encaminha. O Fla soma seis pontos, igualado ao Independiente del Valle, que bateu o Junior de Barranquilla por 3 a 0 no Equador. De qualquer maneira, pelo que se viu dos rubro-negros, já dá para pensar mais à frente na competição.

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