O Bahia x Flamengo do último Brasileirão seria determinante aos rubro-negros. A chacoalhada sofrida na ocasião, afinal, foi um ponto de virada à fase arrasadora do time de Jorge Jesus. Nesta quarta-feira, o reencontro aconteceu em Pituaçu e Domènec Torrent esperará que, em situação diferente, o embate provoque o mesmo efeito na Gávea. O Fla teve sua melhor atuação desde a chegada do treinador, em noite de placar bailarino, mas ótima apresentação ofensiva dos cariocas. Já o Tricolor abusou dos erros, num desastre que resultou na demissão de Roger Machado. O placar de 5 a 3 até atenua a infelicidade dos baianos na ocasião, considerando que a diferença poderia ser mais gritante pela forma como o jogo se desenvolveu.

O Flamengo mudou a escalação praticamente inteira em relação à vitória sobre o Santos, dentro da rotação proposta pelo treinador. Apenas Rodrigo Caio, Thiago Maia e Renê permaneceram no 11 inicial – com o retorno do lateral à esquerda, graças à estreia de Mauricio Isla como titular. E a formação deu muito certo aos rubro-negros, considerando o nível de intensidade que se impôs desde os primeiros minutos em Pituaçu. Foi um Fla com fome de bola – e a pressão adiantada na marcação, como nos melhores momentos de 2019, foi crucial.

Não se exime, porém, as seguidas lambanças do Bahia. E a primeira delas aconteceu logo nos primeiros movimentos, depois que Everton Ribeiro perdeu uma boa chance. Na cobrança de tiro de meta, Lucas Fonseca e o goleiro Anderson dividem a culpa na trapalhada, que permitiu a Pedro marcar o primeiro de carrinho. Atordoados, os tricolores se entregavam aos rubro-negros, que acumulavam chances. Foi assim que nasceu o segundo tento, aos 16, numa troca de passes em que Pedro finalizou no cantinho, acertando as duas traves antes de ver a bola entrar.

O resultado não poderia ser colocado apenas na conta do Bahia, de qualquer forma. O Flamengo tinha uma atuação extremamente agressiva e com boa movimentação. Pedro facilitava o trabalho dos companheiros, enquanto Everton Ribeiro e Arrascaeta se entendiam como nos melhores tempos – sem qualquer margem ao questionamento sobre a presença de ambos ao mesmo tempo em campo. Thiago Maia era outro a aparecer muito bem, novamente, se somando ao ataque. E contra um adversário já fragilizado como o Tricolor, o estrago seria rápido. O Fla jogava fácil. Não foi o gol de Rodriguinho, descontando aos 31 num lindo chute que tocou no travessão, que diminuiu a confiança dos cariocas.

O ápice da noite inspirada do Flamengo veio aos 37 minutos. O terceiro gol do time é uma obra de arte, que serve para indicar o moral recuperado. A troca de passes foi maravilhosa, especialmente pela deixada de Pedro com o calcanhar e pelo lançamento magistral de Everton Ribeiro. Muito participativo na direita, Isla cruzou e Arrascaeta completou de peixinho. Daqueles lances que recobram o melhor futebol dos rubro-negros. E que Élber tenha descontado de novo pouco antes do intervalo, numa bola que o goleiro Gabriel Batista entregou, ainda não era suficiente para acreditar em uma reação concreta dos anfitriões. O volume de jogo e a intensidade do Fla indicavam o que viria no segundo tempo.

Aos dois minutos, o Flamengo já marcaria o quarto. Foi uma jogadaça de Everton Ribeiro, também com a colaboração dos adversários. Deu um chapéu em Zeca, antes de aproveitar a letargia de Anderson para encobri-lo. Senhor gol. E não eram só os dois tricolores que voltaram à segunda etapa dormindo do lado do Bahia. O quinto tento do Fla sairia aos cinco minutos, em nova troca de passes, esta menos plástica, para que Pedro Rocha servisse Arrascaeta. Neste momento, até parecia que uma goleada histórica poderia vir.

O Flamengo seguiu ao segundo tempo com um jogo fluído, mas sem precisar forçar tamanha pressão. O time tirava o pé do acelerador e, depois que Élber assustou de um lado, Nino Paraíba precisaria salvar em cima da linha a tripleta de Pedro do outro. O atacante cavou sobre Anderson e já corria para o abraço, quando o defensor rasgou na pequena área. Depois disso, a partida naturalmente cairia de ritmo, também pelas muitas alterações. E foi só então que o Bahia voltou a descontar, aos 44 minutos. Num cochilo da marcação, Marco Antônio ganhou pelo alto e Daniel soltou o pé, num chute potente rumo ao alto. O Tricolor até pareceu se animar neste momento, mas estava longe do empate.

As críticas ao trabalho de Roger Machado são compreensíveis. Que o Bahia tenha seus recursos, é uma equipe fragilizada e por vezes sem alternativas. Desta vez, ainda mais, deu sopa ao azar. A diretoria preferiu não bancar mais o comandante, mesmo dias após a manifestação pública do presidente. O Flamengo, por sua vez, veio com uma engrenagem azeitada como não havia se visto no clube desde a volta do futebol. O ataque funcionou com e sem a bola, para que alguns dos protagonistas recobrassem seus créditos e outros novatos reivindicassem os elogios. Pela forma como alguns se apresentaram, a impressão é de que merecem mais chances entre os titulares. O resultado deixa o Fla na quinta posição, com 11 pontos. Já o Bahia, sem vencer há quatro rodadas, tem oito pontos e aparece no 12° lugar.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore