Mais uma para digerir. E a seco

por Raphael Zarko (@raphazarko)

Os deuses do futebol deram uma missão ao Vasco nesse fim de temporada. Vem cá, disseram eles, vocês têm até o dia 11 de dezembro para apresentar um plano de como acabar com o mundo em 10 dias. O dia 21 é o limite, como ficou combinado. Para isso, era preciso organização, agilidade e precisão.

Em São Januário, todos ficaram em polvorosa. Ainda estava na mesa de reuniões da diretoria uma planta da destruição do estádio e o planejamento do ano de 2012. A primeira providência era disparar cartas para todos membros da diretoria vascaína. Houve atraso por diversos motivos: um feriado no meio do caminho, um problema para pagamento de selos e transporte até os correios. Também teve caso de gente que estava fora do país e nem sabia que o clube tinha essa missão tão importante. (Talvez se visse os últimos jogos teria notado que, em campo, a missão era cumprida à risca)

E na semana seguinte, estavam lá todos reunidos. Para facilitar na tarefa, por e-mail (alguns decidiram criar um e-mail para facilitar a comunicação), as áreas tiveram mudanças de nomes. Havia agora o diretor da seca dos mares, dos morros abaixo, do derretimento de gelo, das erupções de vulcão, dos tsunamis e das derrubadas de florestas. Mas foi aí que a diretoria vascaína se deu conta das primeiras falhas. A vice-presidência de fim do mundo estava vaga. Em outra pasta, na vice-presidência de desastres climáticos, também neca. E ninguém respondia ainda pela vice de desastres humanos. As coisas iam se complicando e o prazo apertando.

Alguma coisa precisava ser feita. Então, o presidente falou em governar o desgoverno, em dar jeito no que for impossível de dar certo e avisou que todos fracassos precisavam ser bem executados. Ou então o mundo estaria continuando a existir. E não é aquilo que eles queriam que acontecesse. Mas havia correntes distintas. De um lado, lembravam que se o mundo terminasse dia 21 era tarde demais. Porque o Fluminense seria campeão brasileiro. Queriam forçar a barra para antecipar esta questão. Para outros, terminar com o mundo dia 21 era suficiente, porque ao menos o tricolor continuaria sem título sul-americano, o que agradava uma parte de outro grupo que lamentava, porém, que um término precipitado impedisse nova administração Patrícia Amorim. Era tudo muito complicado nessas reuniões que não davam mais em nada.

E os deuses já não aguentavam mais aquela incompetência e tanta confusão. Lembravam do caso de 2000, quando tudo parecia pronto para o fim, mas que nada. Olha nós ainda aqui, vivinhos da silva. Eles tentaram entrar em contato com a direção técnica e com responsáveis. E ficaram espantados: ninguém havia avisado de que deveriam trabalhar para que as coisas piorassem. Pior: não havia orçamento de inundação, de destruição, nem mesmo um manda-chuva era capaz de organizar uma enchetezinha. E era assim que o Vasco ia acabar com o mundo? Cadê a organização, a agilidade e a precisão?

Ah, mas e o furacão Sandy, viu o que causou lá para os lados dos EUA? Essa era a resposta da diretoria e dos admiradores da diretoria vascaína, querendo dizer que estavam no caminho certo. Mas não convenceu muito. O mundo continua aí, sem ser muito ameaçado. O dia 21, muito provavelmente, será tão somente véspera do dia 22. E mais um fracasso vai estar na conta do Vasco de 2012, que nem com o mundo conseguiu acabar.