Dizer que o sinal está amarelo em Dortmund após os últimos resultados dos comandados de Jürgen Klopp é, por motivos óbvios estampados na camisa do clube, correr o risco de cair numa piada infame, assim como dizer que a coisa está preta. Falar que o alerta vermelho foi ligado também é complicado, porque vermelho é a cor do Bayern Munique. Mais fácil, então, é dizer que o time é uma porcaria, mas isso, além de não ser verdadeiro, não soa politicamente correto aos ouvidos mais puritanos. Sobram, portanto, poucas opções para explicar de maneira civilizada e convincente esse início tenebroso de Bundesliga dos pretos-amarelos.

A explicação mais prudente e mais simples é a de que todo o time passa por um mau momento. Os jogadores, unidos entre si, estão mais ou menos no mesmo nível, no mesmo ritmo ruim, uma espécie de “draga coletiva”. Todos sincronizados nos pequenos erros, criando diversas oportunidades durante as partidas e desperdiçando todas elas. De uma maneira mais vulgar, porém, é possível dizer que a carruagem virou abóbora, e que o encanto, ao menos momentaneamente, acabou.

Tudo bem que, nas duas últimas partidas da Bundesliga, o time jogou desfalcado. Mario Götze, suspenso por dois jogos, fez uma falta danada. Lucas Barrios, lesionado já há algum tempo, é uma ausência sentida, pois seu substituto, Robert Lewandowski tem se destacado na arte de perder gols das mais variadas formas. É bem verdade que às vezes compensa com belas jogadas, mas, não vale o custo e a agonia que faz o torcedor passar, como no jogo contra o Arsenal pela Liga dos Campeões, em que perdeu um gol feito no início e depois murchou junto com toda a equipe, sem conseguir proteger a bola no campo de ataque.

Apesar de perder diversas oportunidades de gol nas partidas, o principal problema dos pretos-amarelos é, no momento, o meio-campo. A saída de Nuri Sahin deixou uma lacuna que não conseguiu até agora ser preenchida por Ilkay Gündogan, ou Sebastian Kehl, este último com características muito mais defensivas. Kevin Grosskreutz, que começou o campeonato arrebentando, tem tido atuações nulas nos últimos jogos e Shinji Kagawa, apesar do gol contra o Hannover 96, está a pelo menos umas 50 mil léguas do jogador que encantou toda a Alemanha no primeiro turno da Bundesliga passada. A contusão não existe mais, mas o bom futebol não foi reencontrado.

Todos esses problemas, obviamente, respingam nos bons zagueiros Mats Hummels e Neven Subotic, que têm tido mais trabalho e menos proteção em 2011/12, mas cumprem até aqui um bom papel, assim como o lateral direito Lukasz Piszczek. Marcel Schmelzer, porém, caiu vertiginosamente de produção, já sofreu sua segunda lesão na temporada e provavelmente não participará do jogo contra o Olympique de Marseille pela Liga dos Campeões, na próxima quarta-feira.

Nada disso, e nenhuma outra análise que tenha a busca de um raciocínio lógico como parâmetro, explicará a derrota para o Hannover 96 por 2 a 1 neste domingo. O time vinha jogando razoavelmente bem, vencendo a partida, perdeu algumas oportunidades no primeiro tempo, fez o gol com Kagawa, e apagou nos últimos dois minutos. Inaceitável para alguém que afirma querer lutar pelo título alemão, e mais inaceitável ainda se considerarmos que a distância para o líder Bayern Munique já é de oito pontos (15 contra 7).

Resta a Jürgen Klopp, que não economizou palavrões após a partida na entrevista e disse que se sentia como uma “m…”, buscar a reorganização da equipe. Fazer alguma mágica que ajude a bola a entrar com mais facilidade para que o time volte a vencer após quatro partidas é uma boa possibilidade. A volta dos principais jogadores do time poderá ajudar nisso, mas o meio-campo precisa se livrar da orfandade de Sahin e ser urgentemente ajeitado. É possível fazer isso com o próprio Gündogan, que ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo esquema e à nova função. O que talvez não seja mais possível, no entanto, é pensar no título, que, com a boa campanha do Bayern Munique, já pode ter ido para o beleléu.

Rangnick fora do Schalke 04

O técnico Ralf Rangnick pediu demissão do comando do Schalke 04 nesta quinta-feira, alegando problemas de saúde. Em nota emitida à imprensa alemã, o técnico afirma que sofre de “síndrome de fadiga” e que em seu nível de energia atual, não reúne condições de levar os azuis reais à conquista dos objetivos propostos na temporada. A demissão foi pedida em carta ao conselho do clube, e aceita imediatamente.

O gerente executivo da equipe, Horst Held, elogiou a decisão. “A atitude aumenta minha consideração por Ralf. Assim como ele, acreditamos que a saúde também deva ser prioridade sobre qualquer objetivo profissional ou desafio”, diz. No jogo contra o Freiburg, no próximo sábado, o Schalke será comandado interinamente por Seppo Eichkom, experiente auxiliar-técnico do clube. A definição de um substituto deverá acontecer na próxima semana.

Hamburg na beira do caos

Seis jogos e apenas um ponto. É esse o saldo da ridícula campanha do Hamburg até aqui na Bundesliga, que resultou na demissão do técnico da equipe Michael Oenning, nesta semana. Demissão mais do que justa, diga-se. Se o técnico vence apenas um de seus 14 jogos (contando os oito da temporada passada), a campanha é obviamente ruim e não há como mantê-lo no cargo. Rodolfo Cardoso, ex meio-campista argentino, assume interinamente o comando técnico da equipe.

A culpa, vale ressaltar, não é apenas de Oenning. É de uma diretoria que confundiu os verbos “renovar” e “estragar”, da pior maneira possível: estragou a equipe achando que estava renovando com “ótimos nomes” vindo do Chelsea. Saíram vários jogadores experientes que, como se sabia, não levariam o time a lugar algum, mas também não desceriam para lugar algum. E chegaram jovens de qualidade duvidosa que fazem o que estão fazendo. A expectativa é que, com a troca de comando, ao menos a primeira vitória apareça e o time consiga lutar de maneira digna contra o rebaixamento.

Gladbach em ótima fase

Além do Bayern Munique, que vive ótimo momento na liderança do campeonato com 15 pontos e apenas um gol sofrido, quem também atravessa boa fase é o Borussia Mönchengladbach, que já soma 13 pontinhos e ocupa a terceira posição, junto com o Werder Bremen. A pontuação conseguida nas seis primeiras partidas é a mesma que a equipe obteve durante o primeiro turno inteiro da Bundesliga em 2010/11. Como consequência, lutou arduamente contra o rebaixamento e só não caiu porque venceu o Bochum nos play-offs.

Em 2011/12, porém, tudo parece diferente. Marco Reus, craque do time, faz um início de campeonato de encher os olhos, e Jürgen Klopp deve estar se remoendo num quarto escuro, arrependido porque não o contratou. Quem também está arrebentando é o goleiro Marc-André ter Stegen, que tomou apenas três gols nessas seis partidas e já se consolida, junto com Manuel Neuer, como o melhor da posição na temporada.