Mais ou menos meia hora de sofrimento e uma de soberania. Com essa frase, pode ser resumida a vitória incontestável do Bayern Munique sobre o Manchester City nesta terça-feira na Allianz Arena, com dois gols de Mario Gómez, o troglodita mais eficiente do mundo. Mais do que a vitória, um show no segundo tempo. Mais do que um show, a demonstração da total supremacia de um time que faz um início de temporada brilhante contra outro que promete muito, gasta muito, contrata muito, fala muito (como diria Tite) e decepcionou até aqui na competição europeia. O City, porém, é assunto para a coluna de Inglaterra.

Voltemos, então, ao Bayern. Mais precisamente, Frank Ribéry. O francês foi motivo de piada na pré-temporada quando disse que poderia ser tão bom quanto Lionel Messi em forma, sem sofrer com lesões. Como jamais foi comparado ao argentino e passou as duas últimas temporadas às voltas com diversas contusões – sem contar a besteira de ter sido expulso na semifinal da Liga dos Campeões de 2009/10 e desfalcado o time na decisão, muita gente riu com gosto. O meia-atacante tratou de dar a resposta como se deve: em campo.

Os números impressionam: em sete jogos na Bundesliga, são três gols e cinco assistências. Participou de oito dos 21 gols marcados pela equipe. As estatísticas ainda são tímidas quando notamos que, na temporada passada, o francês executou 17 passes para gol. Mais que os números, Ribéry mostra uma forma exuberante. Marca, ataca, bate escanteio, comanda contragolpes e agora, bem assessorado pelo lateral esquerdo Philipp Lahm, tem um parceiro decente para executar boas tabelas (o Bayern Munique sofreu com laterais esquerdos de qualidade duvidosa nas duas últimas temporadas, quando Louis van Gaal era o técnico).

Ribéry também sofreu com Van Gaal. Desafeto declarado do técnico holandês, só jogava porque de fato é muito bom e resolvia as coisas às vezes. A mudança no comando parece ter despertado nele um sentimento de libertação, que ele está sabendo canalizar a seu próprio favor. O novo comandante dos bávaros, Jupp Heynckes, mais experiente e aberto ao diálogo, parece ter se adaptado ao excelente elenco que tem em mãos, acabando com a sensação de “Robbendependência” que pairava sobre o clube desde que o camisa 10 arrebentou na Liga dos Campeões em 2009/10.

Robben, aliás, foi reserva nesta terça-feira. Volta de lesão, tudo bem, mas já parecem desconfiar no clube de que ele não é necessário assim no time titular. Thomas Müller, que assumiu o lugar dele no lado direito, também está em grande fase, assim como Toni Kroos, que atua como meia central e recuperou o futebol exuberante do tempo em que esteve emprestado ao Bayer Leverkusen – coincidentemente treinado por Heynckes na época -. Entre os volantes Bastian Schweinsteiger se sobressai e faz partidas fantásticas, com Luiz Gustavo e Anatoly Tymoshchuk se revezando na outra posição. O brasileiro, que jogou contra o Manchester City, fez uma belíssima partida e mostrou que as oportunidades que Mano Menezes tem dado a ele são merecidas.

Para completar, a já citada linha de defesa da equipe mostrou mais uma vez que vive grande fase. A prova disso é que Manuel Neuer foi obrigado a fazer apenas uma defesa difícil em toda a partida, e ainda assim com bola parada, em uma cobrança de falta de Yaya Touré. A dupla de zaga, composta por Jerome Boateng e Daniel Van Buyten nesta terça-feira, geralmente conta também com Holger Badstuber, que, surpreendentemente, tem feito grandes partidas na temporada e nem de longe lembra o jogador inseguro dos últimos anos.

Ladeira abaixo

Se no Bayern Munique tudo é tranquilidade, o mesmo não se pode dizer do Borussia Dortmund, que foi à França e não se deu bem: perdeu por 3 a 0 para o Olympique de Marseille e viu o time francês se distanciar na liderança do Grupo F com seis pontos, contra quatro do Arsenal e apenas um dos pretos-amarelos. O alerta está mais do que ligado, e é fundamental que a equipe vença o Olympiacos na próxima rodada para seguir sonhando com a classificação para as oitavas de final do torneio.

O enredo da partida é o mesmo de alguns jogos da Bundesliga: os comandados de Jürgen Klop criam, criam, criam e desperdiçam quase todas as chances de gol que criam. O melhor jogador em campo foi o goleiro Steve Mandanda, do OM, que garantiu o resultado na defesa. No ataque, o time francês construiu o placar apenas nos contragolpes. Um castigo cruel, mas merecido para um time que parece ter desaprendido a definir as partidas que domina e sente a falta do goleador Lucas Barrios. Mario Götze, normalmente decisivo, desperdiçou uma série de oportunidades e Mats Hummels, normalmente seguro, entregou a rapadura no segundo gol dos franceses.

O Bayer Leverkusen, por sua vez, se saiu melhor. Cumpriu sua obrigação ao bater o Genk por 2 a 0, gols marcados por Lars Bender e Michael Ballack, mas não teve muito brilho. Venceu porque tinha que vencer, porque era necessário para não se desgarrar de Valencia e Chelsea, e assumiu a segunda colocação do Grupo E. A tendência é que os jogos contra o time espanhol acabem decidindo a segunda vaga da chave, já que a primeira provavelmente ficará nas mãos dos ingleses.

Bundesliga: Bayern Munique segue tranquilo, mas seguido de perto

No último sábado, o Bayern Munique passou por cima do Bayer Leverkusen. 3 a 0 fora o baile, e a atuação de gala do já citado Frank Ribéry, com duas assistências. Mais do que isso, os bávaros chegam a impressionante 18 pontos em sete partidas, e, depois do começo complicado com derrota para o Borussia Mönchengladbach e vitória com ajuda da arbitragem e no último minuto em cima do Wolfsburg, parecem ter ligado a sexta marcha e disparado na tabela.

O domínio dos comandados de Jupp Heynckes só não é maior porque há, por enquanto, dois grandes perseguidores: o Werder Bremen, que derrotou o Hertha Berlim por 2 a 1 nos acréscimos com dois gols de Claudio Pizarro, o maior artilheiro estrangeiro da história da Bundesliga. Os Verdes, que tinham dois jogadores a mais na partida, tiveram dificuldades para atacar, mas isso pouco importa, pois agora somam 16 pontos, apenas dois a menos que o Bayern.

A soma é a mesma do Gladbach, time mais econômico do campeonato. Com apenas nove gols marcados e três sofridos, o time conquistou quatro de suas cinco vitórias na competição por 1 a 0 (inclusive no já citado jogo contra o Bayern Munique) e conta com a eficiência da defesa comandada pelo brasileiro Dante e pelo goleiraço Marc-André ter Stegen, que tem se mostrado muito segura. A equipe já soma 16 pontos e, ao que tudo indica, brigará na parte de cima da tabela durante toda a Bundesliga.