Fernando Morientes não possui tantas artilharias no currículo. Sua média de gols está longe de ser impressionante, com 235 tentos em mais de 600 jogos. Não era exatamente um primor na técnica, apesar do faro apuradíssimo dentro da área. E fez o suficiente para marcar o seu nome no futebol espanhol. O atacante era idolatrado no Real Madrid, onde formou uma dupla mortal com Raúl e ajudou na conquista de três títulos da Liga dos Campeões. Além disso, também se tornou praticamente intocável no ataque da velha Fúria entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Uma referência no país que completa 40 anos nesta terça-feira.

Formado pelo Albacete, Morientes estourou mesmo com a camisa do Zaragoza. Foram duas grandes temporadas pelos blanquillos, o que valeu para atrair o interesse do Real Madrid, em renovação.  E o atacante parecia moldado para se complementar com as habilidades de Raúl e Mijatovic na linha de frente merengue. Em seus três primeiros anos com o clube, balançou as redes 43 vezes por La Liga. Além disso, teve participação primordial nas conquistas da Champions de 1998 e 2000. Impacto que o mantinha em evidência na seleção, titular na Copa do Mundo de 1998, de más lembranças para os espanhóis pela eliminação na primeira fase.

Curiosamente, um dos melhores momentos de Morientes no Real Madrid marcou o início de sua despedida. Em 2001/02, foi vice-artilheiro de La Liga, com 18 tentos, e voltou a faturar a Champions. Depois, ainda anotou três gols pela Espanha no Mundial da Coreia e do Japão. O problema é que a política galáctica de Florentino Pérez levou Ronaldo ao Bernabéu. Na primeira temporada, o espanhol até manteve a camisa 9 merengue, com o brasileiro usando a 11. Mas a falta de espaço abriu caminho para a saída em 2003/04.

A carreira de Morientes parecia em declínio no Monaco. O atacante, entretanto, deu a volta por cima. Tornou-se a referência no ataque do time e liderou a campanha rumo à decisão da Champions. Anotou nove gols naquele campeonato, artilheiro isolado, incluindo o que eliminou o próprio Real nas quartas de final – e, na visita ao Bernabéu, saiu de campo aplaudido. Além disso, também desempenhou papel essencial para derrubar o Chelsea de Claudio Ranieri nas semifinais. Mas na final, contra o Porto, mal apareceu na derrota por 3 a 0.

Depois disso, Morientes ganhou uma chance de voltar ao Real Madrid, mas não aproveitou. Teve uma passagem apagada pelo Liverpool, embora compusesse o elenco para colocar a quarta taça da Champions no currículo, em 2005. E ainda desfrutou de relativo sucesso pelo Valencia, onde ficou por três temporadas e conquistou uma Copa do Rei. A aposentadoria veio sem brilho, em 2009/10, pelo Olympique de Marseille. Despediu-se com grandes lembranças e 27 gols pela seleção espanhola, atualmente o quinto maior artilheiro da Fúria.

Abaixo, alguns vídeos para relembrar o talento de Morientes dentro da área: