Duas semanas para se concentrar em um jogo, estudar o adversário, recuperar as energias. O Sem as finais do estadual, o Corinthians teve tempo de sobra para se preparar ao primeiro jogo contra o Guaraní, pelas oitavas de final da Libertadores. Mas o descanso resultou em relaxamento, diante de um rival que se sugeria mais fácil do que realmente foi. Em estado letárgico, os alvinegros fizeram uma partida muito abaixo de seu potencial no Estádio Defensores del Chaco. Perderam de 2 a 0 e precisarão recuperar depressa o bom futebol do início da fase de grupos. Não é impossível, mas os corintianos vão ter que suar bastante para reverter um placar delicado.

Os problemas do Corinthians ficaram evidentes desde o primeiro minuto, repetindo um pouco o filme do que aconteceu contra o Danubio, no Uruguai – quando pelo menos acordaram a tempo de vencer. Os alvinegros não mostravam a mesma compactação, com os jogadores distantes para as trocas de passe. Ficava difícil de criar chances mais contundentes. Parecia faltar vontade. Além disso, o Guaraní tinha espaços de sobra na intermediária. Não que ameaçasse tanto, mas podia arriscar chutes de longe e cruzamentos. O suficiente para os corintianos entrarem em alerta? Nem um pouco.

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Federico Santander era quem mais representava perigo aos visitantes. O centroavante do Guaraní se colocava como principal alvo das jogadas ofensivas, ainda que os companheiros não ajudassem tanto. Mas em um primeiro tempo morno, de poucas chances reais, Gil praticamente fez um gol aos 41 minutos. Luciano falhou na marcação e Benítez aproveitou uma brecha enorme pelo lado esquerdo, também dada por Fábio Santos. Teve tempo de entrar na área e tirar do alcance de Cássio. Mas o zagueiro, que lhe deu condições no início do lance, estava em cima da linha para salvar.

Nem o enorme apuro ou a conversa no intervalo serviram para despertar o Corinthians. O que permitiu o Guaraní partir para cima no início da etapa complementar. Cássio salvou logo no primeiro minuto, enquanto Santander perdeu uma chance com o gol aberto logo na sequência. Porém, a infelicidade dos paraguaios nos arremates se transformou em sorte aos 14. Santander cobrou falta sem tanta força e a defesa deveria ser fácil para Cássio. Deveria. O goleiro não segurou a bola e, mesmo tentando tirar em cima da linha, não evitou o frangaço.

Depois do gol, enfim, o Corinthians acordou. Passou a colocar a bola no chão e pressionar no ataque. Guerrero e Luciano, até então apagados, começaram a se combinar mais na grande área. Somente então o gol alvinegro parecia possível. A melhor oportunidade veio dos pés de Fábio Santos, em um chute cruzado que parou na trave e ninguém aproveitou o rebote. Os alvinegros exploravam principalmente os lados do campo, em bolas que cruzavam a área sem destinatário. Até que o golpe fatal veio em um contra-ataque perfeito.

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Um cruzamento de Malcom que o goleiro Aguilar agarrou deu início à subida rápida do Guaraní. Santander fez um excelente lançamento para Contrera, que ganhou de Felipe na velocidade. Mesmo com pouco ângulo, o meio-campista finalizou com maestria, com a parte externa do pé, para concluir o lindo gol. Restava ao Corinthians tentar reduzir o prejuízo. Mas, com pouco mais de dez minutos restantes, o tempo era curto. Sobra uma semana para se recuperar do baque e se preparar a uma verdadeira decisão em Itaquera.

A especulada opção do Corinthians em escolher adversário, pelo menos neste primeiro momento, saiu pela culatra. O Guaraní não iniciou bem a Libertadores, goleado pelo Racing na segunda rodada, mas se recuperou muito bem, evoluindo nas últimas exibições e demonstrando excelente encaixe – batendo os próprios argentinos em Assunção, no reencontro. Os 4 a 1 do time de Diego Milito em Avellaneda podem até ser motivação para os alvinegros, pensando na virada necessária. Só que a situação é mais delicada. Os paraguaios, que já demonstraram boa capacidade defensiva, deverão se fechar em São Paulo. E tentar descolar algum outro contra-ataque perfeito, como o desta quarta.

O excesso de confiança, sobretudo, pesou contra o Corinthians. Ao achar que teria um adversário fácil, na falha de Cássio em um chute sem tantas pretensões, pensando que o empate aconteceria na base da pressão. Se entrasse em campo já com a vontade que demonstrou depois do primeiro gol, talvez os alvinegros não voltassem para casa com um resultado tão ruim. Mas agora é tarde para pensar no “e se”. Há mais um jogo para fazer acontecer, ou dar adeus à Libertadores.