Títulos nas categorias de base não oferecem certezas, mas indícios do que pode estar sendo bem feito e promete ao futuro. Neste sentido, Portugal se sente esperançoso. Neste domingo, a sua seleção sub-19 conquistou o Campeonato Europeu da categoria. Em uma final eletrizante, derrotou a Itália por 4 a 3 na prorrogação e, após já ter garantido a classificação para o Mundial Sub-20 de 2019, também ficou com a taça. É o quarto título do país no torneio continental, o primeiro desde 1999. E que aumenta os holofotes sobre uma geração que, há dois anos, já tinha faturado o Europeu Sub-17, batendo a Espanha na decisão.

Portugal vinha do vice na Euro Sub-19 de 2017, quando perdera a final para a Inglaterra. E a campanha da Seleção das Quinas na atual edição foi segura desde as eliminatórias, com nove pontos conquistados num grupo com Irlanda, Kosovo e Eslováquia. Os desafios na fase final, disputada na Finlândia, seriam maiores. Mas nada que tenha botado em risco a tranquilidade dos lusitanos. Venceram Noruega e a própria Finlândia, perdendo a primeira colocação do grupo em jogo apertado contra a Itália. Os seis pontos, ainda assim, já eram suficientes para a vaga nos mata-matas e para garantir o país no Mundial Sub-20.

Nas semifinais, um baile de Portugal. Golearam a Ucrânia por 5 a 0, em massacre construído logo nos primeiros 30 minutos de jogo. Até que a final, na revanche contra a Itália, guardasse mais emoção. Portugal abriu dois gols de vantagem, graças João Filipe “Jota” e Francisco Trincão – além de certa colaboração do arqueiro adversário. Destaque da seleção italiana, Moise Kean anotou dois tentos em dois minutos e deixou tudo igual no segundo tempo. Já na prorrogação, depois de Jota recolocar os tugas em vantagem e Gianluca Scamaca igualar novamente, Pedro Correia se tornou o herói do título, assegurando a vitória por 4 a 3.

Na seleção portuguesa, dois nomes se colocam à frente do restante. Revelação do Benfica, João Filipe fez uma excelente competição, sobretudo na final. Foram cinco tentos no total, dois na decisão, além de uma das assistências contra os italianos. Rodado nas seleções de base, Jota é parte importante neste sucesso recente, dono de qualidade técnica e visão de jogo. Seu companheiro na linha de frente, Trincão também balançou as redes cinco vezes. Com passagens por diferentes clubes nas categorias de base, atualmente milita no Braga B, como potencial físico para se afirmar em breve. Outros nomes ainda pintam com relevo, como Domingos Quina, Rúben Vinagre e Florentino Luis. Alguns deles, aliás, já atuam fora de Portugal. Quina (West Ham) e Vinagre (Wolverhampton) podem fazer suas aparições na Premier League durante esta temporada.

Dos 20 jogadores que conquistaram o Europeu Sub-19 neste final de semana, 14 estiveram presentes também no título Sub-17 de 2016. No entanto, vale notar como a transição desses atletas ao nível principal ainda está em andamento. Alguns desfalques em relação à taça anterior, inclusive, só não foram à Finlândia pela afirmação de suas carreiras em clubes. É o caso de Diogo Dalot, contratado recentemente pelo Manchester United, ou João Félix, que ganhou liberação para integrar o Benfica durante a pré-temporada. A maior parte dos outros compõe os times B dos clubes portugueses, em processo que ajuda a aumentar a intensidade física nas divisões de acesso, mas ainda não oferece desafios de primeira linha.

Por isso mesmo, ter mais desfalques no Mundial Sub-20 de 2019 pode não ser um mal sinal. De qualquer forma, o torneio é um objetivo e faz os portugueses sonhar alto, por aquilo que representa ao seu passado. Afinal, a primeira mostra concreta do fortalecimento da seleção nos anos 1990 veio através da competição internacional. A Seleção das Quinas conquistou o título em 1989 e 1991, sob as ordens de Carlos Queiroz. Elencos fortíssimos que revelaram jogadores como Paulo Sousa, João Pinto, Fernando Couto, Luis Figo, Rui Costa e ainda outros que renderam bastante no nível principal. É o que se espera ao futuro.

Atualmente, a seleção portuguesa principal possui vários talentos que já participaram da Copa do Mundo e podem se firmar durante os próximos anos, embora fique clara a necessidade de um amadurecimento a muitos deles. De qualquer forma, uma nova fornada de opções é sempre bem-vinda a qualquer time. Há posições um pouco mais carentes, algo natural a um país com população um tanto quanto diminuta. Por isso mesmo, o trabalho contínuo nas equipes de base ajuda a descobrir caminhos. Até pela integração que existe no processo de transição em Portugal, as chances do sucesso no sub-19 ressoar depois são razoáveis.


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