Joaquín sabe o significado da camisa verdiblanca como poucos. O garoto formado no Betis despontou em um dos momentos mais abastados do clube e logo se tornou protagonista, a ponto de integrar a seleção espanhola. Rodou por diferentes equipes a partir de 2006 e, nove anos depois, retornou ao velho lar. Veio para desfrutar o final de sua carreira com as cores que tanto amou, mas não apenas como um figurante. O ponta se torna um símbolo da feliz jornada que os beticos atravessam desde a temporada passada. E sua aura entre os torcedores aumenta a cada clássico. Se já tinha sido importante nos históricos 5 a 3 da última Liga, mesmo sem marcar, desta vez o jogador de 37 anos teve um dérbi para chamar de seu. Diante da massa verdiblanca, saiu do banco de reservas e garantiu a vitória por 1 a 0 sobre o Sevilla, a primeira de seu time neste Campeonato Espanhol. Mais importante, encerrou um incômodo jejum de sua equipe no Benito Villamarín: já haviam se passado 12 anos desde o triunfo anterior em casa sobre os rojiblancos – curiosamente, com quatro vitórias fora no período.

Havia um clima especial nas arquibancadas, como se este fosse o dia para o fim do tabu. E o próprio Joaquín tratou de elevar o ânimo de seus companheiros, com uma incendiada preleção nos vestiários, transmitindo energia antes da entrada em campo. Quando a bola rolou, o Betis demonstrava mais ímpeto, embora a sua defesa deixasse espaços para os rivais ameaçarem algumas vezes. De qualquer forma, o grito de gol dos anfitriões só foi interrompido porque o árbitro anulou o gol de Sergio Canales aos 39 minutos, com o auxílio do VAR.

Já na segunda etapa, o caminho começou a se abrir aos beticos. Primeiro, aconteceu a expulsão de Roque Mesa com o segundo amarelo, deixando o Sevilla com um a menos. E quando Joaquín começou a se movimentar no banco de reservas, as arquibancadas no Benito Villamarín vieram abaixo, exaltando o ídolo. Parecia mais um pressentimento. O camisa 17 entrou em campo aos 30 minutos. Aos 35, já corria aos braços da galera por definir a vitória. Cruzamento de Aissa Mandi que o ponta, oportunista, apareceu para concluir de cabeça. Valeu mais um capítulo apaixonado em sua enorme história no clube, voltando a marcar no dérbi depois de 16 anos.

Joaquín sabe que o seu tempo nos gramados é curto. A boa campanha com Quique Setién na temporada passada certamente recobrou um pouco do prazer do veterano e o desafio é maior nesta temporada, com a disputa da Liga Europa. Seu contrato vai até junho de 2020 e acaba sendo difícil imaginar que se renove além disso. Por isso, é tão importante aproveitar os momentos. E ainda melhor se acontecerem justamente no clássico. Um verdiblanco nato não perderá a oportunidade de celebrar contra o rival. O camisa 17 sabe o quanto vale.

A vitória vem em boa hora. O Betis havia decepcionado o Benito Villamarín na estreia, ao sofrer uma dura derrota para o Levante, e só empatou com o Alavés no compromisso seguinte. A vitória serve de ânimo e o coloca no grande pelotão que se forma no início equilibrado do Campeonato Espanhol. Depois de três rodadas, nada menos que 11 times somam quatro pontos. Neste bolo também está o Sevilla, que havia vencido o Rayo Vallecano e empatado com o Villarreal. O dérbi, de qualquer forma, tem um significado a mais.


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