Oscar Malbernat para sempre simbolizará a história vitoriosa do Estudiantes. O defensor surgiu na base do clube e tornou-se um dos principais nomes na maior geração dos pincharratas. Cacho era o capitão do time tricampeão da Libertadores em 1968, 1969 e 1970. Ergueu a taça para consagrar uma equipe imponente, reconhecida tanto pelo futebol pragmático quanto pela dureza com a qual encarava os adversários. Malbernat seguiu entre os profissionais por dez anos. Ainda que tenha passado por Boca Juniors e Racing no fim da carreira, sua trajetória permaneceu vinculada ao clube de La Plata. Falecido nesta sexta-feira, aos 75 anos, o eterno capitão contou com uma enorme homenagem do clube.

Após despontar nas categorias de base, Malbernat virou titular sob as ordens de Osvaldo Zubeldía e transformou-se em uma liderança evidente a partir da segunda metade dos anos 1960. Atuava majoritariamente na lateral esquerda, com muita firmeza e poder de marcação, bem como grande entrega tática. Além disso, também contribuía no apoio, com suas projeções em velocidade ao ataque. E, cabe frisar, em tempos nos quais o Estudiantes costumava ser acusado por sua violência, o capitão não era incluído nas reclamações. Impunha-se de outras formas, com lealdade, sem perder o vigor.

A era vitoriosa de Malbernat começou com o título do Metropolitano de 1967, o primeiro da história do clube. Com apenas 23 anos, já usava a braçadeira de capitão. A partir de então, os pincharratas se elevaram como um dos times mais temidos do mundo. Faturaram o tri consecutivo da Libertadores, assim como o emblemático Mundial Interclubes de 1968 – em decisão contra o Manchester United que seria eternizada por suas controvérsias. O defensor teve a duríssima missão de marcar o melhor da Europa, George Best, e o êxito contra o norte-irlandês permitiu que recebesse o troféu mais importante de sua vida.

“Nunca nos demos conta de tudo o que fizemos, porque quem se dá conta disso são as pessoas. Quando morava fora do país, em todos os cantos havia torcedores do Estudiantes. Aí você percebe o que é o clube e o que fizemos naquela época. Eu vou ser agradecido por toda a minha vida, porque tive duas famílias que me educaram. Meu pai e minha mãe me deram valores. O Estudiantes os consolidou”, contava o capitão.

Malbernat jogou no Estudiantes até 1972, somando 292 partidas pelo Campeonato Argentino. Teve passagens rápidas por Boca Juniors e Racing, mas as lesões encurtaram sua carreira e pendurou as chuteiras com apenas 28 anos. Apesar do fim precoce, voltaria ao futebol para trabalhar como treinador, a partir da década de 1980. Cacho treinou diversas equipes ao redor do continente, incluindo os pincharratas. Foram duas passagens pela agremiação, em períodos modestos do clube, a última delas em 2003. Acima disso, permanecia como uma figura reverenciada por tudo aquilo que construiu e representou em La Plata.

A morte de Malbernat, vítima de uma doença intestinal, gerou uma série de homenagens do Estudiantes. “Oscar Miguel Malbernat faleceu nesta sexta e, com ele, se vai uma verdadeira glória de nosso futebol. Cacho nos deixou fisicamente, mas sua sabedoria, seu compromisso e seu amor pelo Estudiantes serão eternos. Até sempre, Grande Capitão”, escreveram os pincharratas. Diversos ex-jogadores do time tricampeão estiveram presentes no funeral, realizado na sede do clube, assim como o presidente Juan Sebastián Verón e o elenco profissional treinado por Gabriel Milito. Além disso, as portas se abriram aos torcedores que quiseram prestar o último tributo.

Já o momento mais emocionante ocorreu durante a retirada do corpo de Malbernat. Enquanto o caixão era carregado pelos antigos companheiros para fora da sede do Estudiantes, eis que a taça do Mundial Interclubes foi erguida ao fundo. Um instante simbólico, àquele que imortalizou o gesto na conquista mais reluzente dos alvirrubros.

* Para conhecer mais sobre a carreira de Oscar Malbernat, vale conferir também o texto de Caio Brandão no Futebol Portenho, sobre os 75 anos do capitão, celebrados em 2019.