O Red Bull Salzburg parecia pronto a cumprir seu grande objetivo nesta temporada. Depois de uma participação excelente na última Liga Europa, alcançando as semifinais e caindo de maneira discutível para o Olympique de Marseille, os Touros Vermelhos pareciam precisar de bem menos para conquistar a classificação inédita à fase de grupos da Liga dos Campeões. Os austríacos tentam alcançar o feito desde a década passada, mas os fracassos são recorrentes. E depois de dez eliminações nas preliminares da Champions, quando tinha a vaga nas mãos, o clube sofreu uma de suas maiores decepções nesta quarta-feira. Após abrir dois gols de vantagem diante de sua torcida, cedeu o empate por 2 a 2 ao Estrela Vermelha. Como o placar havia permanecido zerado em Belgrado, foram os sérvios que comemoram algo que nunca antes haviam experimentado: pela primeira vez, vão à etapa principal do torneio continental.

A lista de frustrações do Red Bull Salzburg na Champions é extensa. O primeiro deles aconteceu em 2006/07, quando a equipe sucumbiu ao Valencia. No ano seguinte, o Shakhtar Donetsk seria o algoz. Até aí tudo bem, duas equipes renomadas. Todavia, os austríacos passaram a se complicar também contra adversários de menor investimento. Maccabi Haifa e Hapoel Tel-Aviv derrubaram os Touros Vermelhos na última fase preliminar em 2010 e 2011, até o fundo do poço contra o Dudelange em 2013. Já nas últimas cinco temporadas, os multicampeões não resistiram a Malmö (duas vezes), Fenerbahçe, Dinamo Zagreb e Rijeka. Então, a chance se colocou de novo diante da equipe.

O Red Bull Salzburg eliminou o Shkendija na etapa anterior, antes de se cruzar com o Estrela Vermelha na última fase qualificatória. O empate sem gols em Belgrado até parecia um bom resultado, considerando que uma vitória simples bastaria na Áustria. E os anfitriões não demoraram a construir o placar. Munas Dabour marcou o primeiro ao final do primeiro tempo e ampliou em uma cobrança de pênalti, no início do segundo. Porém, entre os 20 e os 21 do segundo tempo, duas faltas levantadas em direção à área se tornaram fatais. Em ambas, o comorense El Fardou Ben Nabouhane apareceu na área para emendar às redes, dando o empate aos sérvios. Mesmo com quase meia hora de jogo pela frente, o Salzburg não foi capaz de reagir.

Treinado por Marco Rose, o Red Bull Salzburg continua com boa parte da base que fez sucesso na temporada passada. Alguns jogadores de destaque saíram, como o zagueiro Duje Caleta-Car e o meio-campista Valon Berisha, mas outros protagonistas do sucesso na Liga Europa estavam em campo – apesar dos problemas de lesão e da ausência de Hee-chan Hwang, defendendo a seleção da Coreia do Sul. De qualquer maneira, não é isso que diminui a derrocada dos Touros Vermelhos, diante das ótimas condições. Terão que se contentar outra vez com a Liga Europa.

Já o feito do Estrela Vermelha é histórico. Embora tenha vencido a Champions em 1991, o clube nunca disputou a fase de grupos do torneio depois da reformulação. Eram seis quedas nas preliminares, além de três aparições na fase de grupos da Liga Europa. Desta vez, os alvirrubros tiveram que passar por quatro etapas prévias, viajando a Letônia, Lituânia e Eslováquia, até o triunfo em Salzburgo. E houve uma grande festa sérvia. Além dos ultras que pegaram a estrada (após o primeiro duelo ter sido realizado com portões fechados, como punição a caso de racismo), há muitos imigrantes que moram na Áustria, em decorrência do fluxo que ocorreu durante os anos da Guerra da Iugoslávia. Ao apito final, uma multidão invadiu o campo para celebrar. Mesmo a quem chegou ao topo da Europa, a mera classificação já representa demais.

Na Grécia, o Benfica também conquistou um resultado imenso para assegurar seu lugar na fase de grupos. O empate por 1 a 1 no Estádio da Luz parecia favorecer o PAOK e a torcida grega acreditou nas chances, fazendo uma festa imensa no Estádio Toumba nesta quarta. A situação ficou ainda mais favorável aos alvinegros quando Aleksandar Prijovic abriu o placar. Contudo, uma série de erros permitiu a virada do Benfica, que goleou por 4 a 1. Aos 20 minutos, Jardel marcou de cabeça. Logo depois, o goleiro Alexandros Paschalakis cometeu uma besteira imensa ao se esforçar para evitar um escanteio. Não apenas deu a bola de graça para os adversários, como ainda cometeu um pênalti, que Eduardo Salvio converteu. Antes do intervalo, ainda daria tempo para Pizzi deixar o seu, chutando no cantinho. E na etapa complementar, outra penalidade boba permitiu que Salvio encerrasse a contagem.

Já na Holanda, o PSV não tomou conhecimento do Bate Borisov. Após a apertada vitória em Belarus por 3 a 2, os Boeren tiveram facilidade para bater os visitantes por 3 a 0 no Estádio Philips. O primeiro gol saiu aos 14 minutos, a partir de um lateral que Steve Bergwijn completou dentro da área. Depois, seria a vez do artilheiro Luuk de Jong acertar uma bonita cabeçada para ampliar. E o melhor da partida ficou para o segundo tempo, com Hirving Lozano deixando o seu. O mexicano fez grande jogada individual e bateu bonito para tirar do alcance do goleiro. O PSV acumula 16 participações na fase de grupos da Liga dos Campeões, a última delas em 2016/17. Já o Benfica soma 15 aparições, sempre presente desde 2010/11.

Abaixo, a comemoração do Estrela Vermelha; o gol decisivo dos sérvios; a pintura de Lozano; e a besteira que permitiu a virada do Benfica: