Quanto vale um empate? Nas regras do futebol, vale um ponto. Mas o valor de conseguir um empate pode ser muito maior do que isso. Em um clássico como Celtic x Rangers, o jogo em si vale mais do que o campeonato. Ainda mais quando há um desequilíbrio técnico gigantesco entre os times. Por isso, o 1 a 1  foi uma conquista que o Rangers comemorou muito, ainda mais saindo aos 42 minutos do segundo tempo.

LEIA TAMBÉM: Como sempre, as torcidas no Derby della Lanterna mostraram que de espetáculo elas entendem

O que se viu no Celtic Park foi o que era esperado: um Rangers muito aguerrido diante de um Celtic melhor tecnicamente e que dominou amplamente a partida. Perdeu chances de gol que poderiam ter dado ao time uma vitória muito mais tranquila. Se nem em um jogo comum a diferença técnica é sempre suficiente para definir o vencedor, que dirá em um clássico. O Rangers acreditou, buscou o empate e ele veio de forma sofrida, no final do jogo.

O empate tem o valor de impedir uma vitória do rival, de sair com um ponto um jogo que o adversário foi melhor e com um bônus certamente delicioso para quem é torcedor do Rangers: quebrar a sequência de vitórias do rival. O time vinha de 22 vitórias consecutivas, contanto todos os campeonatos. A última derrota tinha sido no início de dezembro, para o Manchester City, na Champions League.

O primeiro gol saiu aos 34 minutos do primeiro tempo em uma combinação de falha da defesa do Rangers e um chute muito bem dado por Stuart Armstrong. Ele bateu de pé esquerdo de fora da área e acertou o cantinho para marcar 1 a 0. Diante de um Celtic Park lotado, com um time melhor e já tendo vencido o rival três vezes nesta temporada, o cenário é imensamente favorável aos Bhoys.

A situação dos Rangers na temporada não é das melhores. O técnico Mark Marburton pediu demissão. Graeme Murty, do time sub-20, assumiu como interino. O português Pedro Caixinha foi contratado e anunciado no sábado, mas não dirigiu o time contra o Celtic. Assumirá os trabalhos na segunda-feira, mas acompanhava a sua nova equipe das arquibancadas.

Com muita raça e um time muito bem organizado em campo, o Rangers buscou o empate que só saiu aos 42 minutos do segundo tempo. Após um chute rebatido pelo goleiro, Clint Hill aproveitou para colocar nas redes e deixar os torcedores azuis felizes. O gol que selou o fim da sequência de vitórias do time verde e branco. Mas não sem controvérsia. Aos 44 minutos, o autor do gol, Hill, derrubou Griffiths na área. Para o atacante do Celtic, o banco e a comissão técnica, um pênalti claro. O árbitro não deu. O jogo ficou no 1 a 1.

A discussão do pênalti, que seguiu após a partida com Brendan Rodgers, técnico do Celtic, foi maior do que a atuação ruim do time. O futebol foi feio e os dois times têm mais a lamentar do que a comemorar nesse sentido. Foi um jogo bem longe do que se espera de um grande clássico. A falta de um rival minimamente competitivo tornou o Celtic um time forte apenas no contexto escocês e fraco nos demais. Na Champions, é verdade, deu azar de cair em um grupo com Barcelona e Manchester City. Perdeu a vaga até na Liga Europa para o Borussia Mönchengladbach.

Voltando ao jogo, o Celtic será o campeão escocês e isso nem está em disputa. A questão aqui era mais o Rangers mandar um recado. Até porque o sorteio da Copa da Escócia colocará os rivais frente a frente mais uma vez em 23 de abril. Até lá, o Rangers espera estar melhor preparado pelo novo técnico Pedro Caixinha. Quem sabe na próxima temporada o Rangers seja um time um pouco melhor na competição com o rival. Atualmente, a enorme distância faz com que o empate seja muito comemorado.