Quem aguardava que Memphis Depay ou Lionel Messi deslumbrassem no confronto em Lyon, ficou a ver navios. O empate sem gols entre Lyon e Barcelona teve outros protagonistas. E não exatamente nomes surpreendentes, a quem acompanha os jogos de suas equipes. Marc-André ter Stegen e Anthony Lopes são fundamentais à competitividade dos oponentes na Liga dos Campeões. O alemão, há tempos se pleiteando entre os melhores goleiros do mundo, decisivo a títulos recentes dos blaugranas. O português, mesmo que um tanto quanto subestimado, voando baixo e já firme entre os bons valores da posição no futebol europeu. Ao longo da noite no Estádio Groupama, não foram poucas as defesas fundamentais.

Ter Stegen foi o primeiro que apareceu. E fez jus à fama, constantemente segurando a bronca do Barcelona quando o time não está bem. Desde a chegada de Ernesto Valverde, não seria exagero dizer que o goleiro é tão importante aos resultados da equipe quanto Messi. Não são poucos os jogos em que ele nega várias chances claras aos adversários, para que o camisa 10 faça a diferença na frente. Exatamente o que aconteceu em Lyon. Após espalmar o chute de Houssem Aouar, fez milagre contra Martin Terrier, desviando uma bomba rumo ao travessão. Mais um milagre a uma lista enorme.

Desde que surgiu precocemente no Borussia Mönchengladbach, Stegen se mostrava um goleiro fora de série. O início no Barcelona guardou as suas provações, até que ele emendasse uma boa sequência. É o jogador mais confiável do elenco e, sem sombra de dúvidas, um dos cinco melhores goleiros do mundo – pelo menos. O nível dos blaugranas depende diretamente do alemão. Somente depois de suas intervenções é que os catalães passaram a engrenar no Estádio Groupama, jogando a pressão ao outro lado. Seria menos exigido no restante do tempo, com destaque a um cruzamento de Depay que cortou.

Enquanto isso, quem precisava manter a atenção constante era Anthony Lopes. O Barcelona controlava a posse de bola e tentava encontrar as brechas para finalizar, por mais que a defesa do Lyon quase sempre travasse. E quando os companheiros não faziam seu trabalho, lá estava o goleiraço. No primeiro tempo, foram duas defesas, com destaque especial ao momento em que barrou Ousmane Dembélé. Já no segundo tempo, a exigência aumentaria. Fechou o ângulo de Messi, além de barrar os arremates de Philippe Coutinho e Sergio Busquets. Atuação segura e em alto nível, de um goleiro que não precisa ser espalhafatoso para se destacar.

Lopes está em sua sexta temporada como titular do Lyon. Tempo suficiente para ser reconhecido por seu desempenho e colocado como um dos melhores goleiros em atividade na França. Cria da base, também prosperou na seleção portuguesa desde os níveis inferiores. Seu trabalho deixa clara a longa preparação até se forjar como um arqueiro de primeira linha. Entre o bom posicionamento e a impressionante agilidade, é uma referência dos Gones – inclusive nas competições continentais. E o mais interessante é a maneira como costuma crescer em jogos grandes. Pela Ligue 1, por exemplo, teve atuações maiúsculas nos clássicos contra o Saint-Étienne e na vitória sobre o Paris Saint-Germain.

Até pelo estilo de jogo de Barcelona e Lyon, assim como por suas lacunas defensivas, torna-se natural que Ter Stegen e Anthony Lopes sejam bastante exigidos. Se não em grande frequência, ao menos em lances de alto grau de dificuldade. Costumam corresponder. E a nova prova de fogo virá no Camp Nou, quando será conhecido o classificado às quartas de final. Certamente não terão vida fácil, ante a necessidade de suas equipes.