A Allianz Arena recebeu um clássico um tanto quanto atípico nesta quarta-feira. Bayern de Munique e Borussia Dortmund entraram em campo pela vitória, óbvio, mas buscava-se também uma motivação a mais nesta reta final de temporada. A eliminação na Liga dos Campeões murchou as expectativas de ambos os clubes. E, diante de uma Bundesliga que se desenha protocolar para os dois gigantes, a Copa da Alemanha se transformou no principal prêmio. O que se viu, então, foi um verdadeiro jogaço na Baviera. Os erros excessivos poderiam ter levado qualquer um dos lados à derrota. No entanto, após tomar a virada, o Dortmund buscou o resultado de maneira impensável e derrotou o time de Carlo Ancelotti por 3 a 2. Avança na semifinal e enfrentará o Eintracht Frankfurt na decisão, em 27 de maio, no Estádio Olímpico de Berlim.

Desta vez, Thomas Tuchel resolveu ser um pouco mais ortodoxo em sua escalação, iniciando a partida no 4-4-2. E a aposta começou dando certo aos aurinegros. Perderam uma boa chance com Pierre-Emerick Aubameyang logo no início do jogo. E, embora o Bayern tenha respondido do outro lado, com Thiago Alcântara comandando as ações, os visitantes conseguiram sair em vantagem. Javi Martínez cometeu uma trapalhada imensa, perdendo a bola para Raphaël Guerreiro, com o caminho aberto. O português viu Sven Ulreich e a trave impedirem seu gol, mas Marco Reus apareceu para aproveitar o rebote, inaugurando o marcador.

O tento proporcionou a reação do Bayern, tentando impor mais o seu jogo de posse de bola. Aos 28 minutos, o empate saiu com Javi Martínez se redimindo. Após cobrança de escanteio de Xabi Alonso, o defensor desviou de cabeça para as redes. O bombardeio se intensificou, com a defesa do Dortmund salvando como podia e a trave evitando o segundo tento de Martínez. Já aos 40, quando a Lei do Ex resolveu preponderar, os aurinegros não tiveram o que fazer. Jogada de Franck Ribéry, para Mats Hummels finalizar no cantinho, em uma precisão digna de sua qualidade técnica muito acima do comum para um zagueiro. O camisa 5 decidiu não comemorar.

A Lei do Ex só não vinha dando certo para Robert Lewandowski. Antes do intervalo, o centroavante parou em boa defesa de Bürki, algo que se repetiu no primeiro minuto da segunda etapa. No que se esboçava como uma vitória do Bayern, o goleiro se destacava pelas ótimas intervenções. Até que Sven Bender se colocasse como o verdadeiro salvador, por um lance espetacular aos 18 minutos. Em boa trama do Bayern com a defesa aurinegra aberta, Robben recebeu para arrematar com Bürki já superado. Mirou o canto, mas parou no pé salvador do zagueiro, em bola que ainda bateu na trave. O terceiro gol, que parecia certo, impulsionou a reação do Dortmund.

Cinco minutos depois, já saiu o empate. Aubameyang fazia partida apagada, mas estava no lugar certo para completar o cruzamento de Ousmane Dembélé, após boa jogada pela direita. E o próprio francês decretou a virada aos 28, destilando categoria. Após lance perdido por Philipp Lahm, a bola rodou pelos pés dos atacantes aurinegros. Reus serviu Dembélé, que, dentro da área, fintou David Alaba e bateu colocado, longe do alcance de Ulreich. O placar colocava uma pressão imensa sobre os ombros do Bayern. Mesmo com a entrada de Thomas Müller e os seis minutos de acréscimos, não adiantou. Bürki se agigantou de novo para cima de Lewandowski e Robben triscou a trave. A festa era amarela e preta.

O Borussia Dortmund continua apresentando problemas claros. A defesa exposta segue como um pesadelo de seus torcedores. Desta vez, ao menos, prevaleceu o empenho dos aurinegros para se atirar a cada bola e salvar a pressão do outro lado. No fim, o talento de Dembélé desequilibrou no ataque. Se o desempenho na Bundesliga deixou a desejar nesta temporada, a chance de erguer uma taça atenua o clima de fim de feira. Basta vez qual será a postura diante do Eintracht Frankfurt, que chegou a vencer o time de Thomas Tuchel durante o primeiro turno da Bundesliga. Afinal, as Águias buscam o título que não faturam desde 1988.

O Bayern, por sua vez, parece sentir a ressaca da eliminação na Champions. O desempenho recente é péssimo, com cinco jogos sem vencer. O excesso de erros preocupa, especialmente com alguns de seus protagonistas. Neste momento, de qualquer forma, não adianta chorar pelo que já aconteceu. Resta levantar a cabeça para que a má fase não prejudique na Bundesliga e mine os oito pontos de vantagem sobre o RB Leipzig. Com a Salva de Prata nas mãos ou não, Carlo Ancelotti vê os questionamentos sobre a falta de resultados crescerem, ainda mais em um trabalho que pouco empolga.