O Dortmund esboçou a virada, mas Kimmich apareceu e garantiu ao Bayern também o título na Supercopa da Alemanha

Quem esperava um grande jogo na Supercopa da Alemanha se decepcionou. O Bayern de Munique x Borussia Dortmund, na esvaziada Allianz Arena, teve cara de amistoso de luxo. Foi uma partida abaixo de outras supercopas, entre a falta de intensidade e também a ausência de algumas figuras importantes. Mas, ao final, o Bayern consumou seu quinto título em 2020 com a vitória por 3 a 2. Os bávaros abriram dois gols de vantagem no primeiro tempo e até viram os aurinegros igualarem o placar durante a volta do intervalo. De qualquer forma, o time de Hansi Flick fugiria da pressão (com auxílio das mudanças ruins de Lucien Favre) e garantiria o triunfo no fim, com o tento decisivo de Joshua Kimmich – de novo carrasco do BVB, tal qual no clássico anterior.

Hansi Flick manteve a rotação do Bayern em relação aos últimos jogos. Robert Lewandowski voltou ao ataque, após começar no banco durante a derrota contra o Hoffenheim. Em compensação, o treinador poupou Serge Gnabry e não tinha o lesionado Leroy Sané nas pontas. Os bávaros entraram com um meio-campo mais robusto, com Javi Martínez, Corentin Tolisso e Joshua Kimmich, além de Kingsley Coman e Thomas Müller abertos. Já o Borussia Dortmund também vinha com mudanças, sem Jadon Sancho ou Axel Witsel entre seus principais nomes. O ataque contava com uma trinca composta por Erling Braut Haaland, Marco Reus e Julian Brandt. No meio, Thomas Delaney e Mahmoud Dahoud davam estabilidade.

A partida começou equilibrada, concentrada no meio do campo. O Bayern trabalhava um pouco mais a bola, enquanto o Dortmund tentava acelerar, mas as defesas prevaleciam. Somente a partir dos 15 minutos é que as chances começaram a aparecer. Reus assustou em finalização que desviou em Lucas Hernández. E a resposta dos bávaros seria com gol, aos 18. Num ataque construído com passes rápidos, Thomas Müller tocou a Lewa, abrindo na direita como ponta. O polonês fez o passe rasteiro para Tolisso, livre no meio da área. Marwin Hitz defendeu parcialmente, em bola que bateu no travessão, mas o francês concluiu a sobra para dentro, quase em cima da linha.

O Dortmund buscou a reação imediata e tinha seus principais avanços com o Reus. O capitão chegou a testar Neuer com uma batida rasteira, embora Hitz também tenha precisado intervir diante de Kimmich. Entretanto, não demorou para que o Bayern voltasse a se impor e ampliasse a diferença no placar. Mais presentes no ataque, os bávaros fizeram o segundo aos 32. Alphonso Davies descolou um cruzamento excelente rumo ao segundo pau e Thomas Müller acertou a cabeçada no canto.

Depois do tento, o Dortmund sentiu e Coman poderia até mesmo ter anotado o terceiro na sequência. Contudo, quando os aurinegros acordaram, foi para voltar ao jogo e diminuir a diferença. Aos 39, a pressão na saída de bola funcionou e o BVB encaixou o contragolpe já no campo ofensivo. Haaland rolou e, livre, Brandt não teve dificuldades para vencer Neuer. A partida ganharia um pouco mais de intensidade nos minutos finais, mas nada que desequilibrasse a balança favorável aos bávaros naquele momento.

Na volta ao segundo tempo, o Dortmund demonstrou como estava disposto a reagir. Thomas Meunier perdeu uma excelente chance, quando Neuer estava sozinho à sua frente, mas finalizou por cima do travessão. Os aurinegros aceleraram nos primeiros dez minutos e arrancaram o empate com Haaland. Em mais uma bola roubada no campo ofensivo, Delaney enfiou o passe ao norueguês e o centroavante não titubeou diante de Neuer. O Bayern parecia um tanto quanto lento, longe da pressão que marcou o time nos últimos meses. E de novo dependeu de um milagre de Neuer, evitando a virada aos 14. Reus lançou Haaland em profundidade e o goleiro desta vez se agigantou contra o jovem, esticando o braço para espalmar o chute à queima-roupa.

A esta altura, Gnabry já tinha entrado no lugar de Coman. E o Dortmund faria um caminhão de mudanças, talvez acreditando que o fôlego seria a solução ao triunfo. Antes dos 30 minutos, entraram Nico Schulz, Reinier, Giovanni Reyna, Lukasz Piszczek e Jude Bellingham. Lucien Favre, todavia, também tirou Haaland e Reus. A garotada escolhida não manteria a toada e, sem que os aurinegros seguissem sufocando, o Bayern voltou a esfriar a partida. Foi chave à vitória.

Por volta dos 30, o Bayern começou a encontrar mais espaços no ataque, com a participação de Gnabry. A zaga do Dortmund começava a se expor e a se defender no limite. Aos 37, veio o tento decisivo, usando a mesma fórmula que deu certo aos adversários. Kimmich roubou a bola no meio e acelerou o contragolpe. Lewandowski recebeu na direita e foi inteligente ao logo devolver à passagem do companheiro. A finalização não foi boa, em cima de Hitz, mas a bola voltou a Kimmich e, mesmo caído, ele fez um contorcionismo para concluir às redes. A partir de então, Flick acionou seus garotos e o BVB não teve forças a virada, sem organização ou mesmo liderança para amedrontar os rivais. A taça segue à Baviera.

Esta é a oitava vez que o Bayern de Munique conquista a Supercopa da Alemanha – embora acumule quatro derrotas desde 2013. Outra vez, os bávaros apresentaram vulnerabilidades e dão sinais de falta de ritmo, em uma temporada que não ofereceu tanto tempo de preparação. Ainda assim, foi suficiente para superar o Dortmund mais uma vez. Já do lado aurinegro, o questionamento se concentra sobre Lucien Favre. As decisões do treinador influenciaram diretamente o resultado, especialmente ao desperdiçar o momento favorável no início da segunda etapa.