A não ser que consiga um milagre, o Borussia Dortmund precisará remoer o vice-campeonato nesta Bundesliga. E o que mais dói aos torcedores aurinegros não é apenas a maneira como o time desperdiçou uma ampla vantagem na liderança. É a forma como, incansavelmente, o BVB sofreu tropeços inacreditáveis ao longo dos últimos meses. O número de vezes em que a impotência tomou conta dos jogadores é incontável, da goleada do Bayern ao empate arrancado pelo Hoffenheim. E, de novo, a torcida teve 90 minutos de desilusão com o clube. Parecia uma vitória segura quando a equipe abriu dois gols de vantagem dentro do Weserstadion, contra o Werder Bremen. Só parecia, já que não dá para confiar neste Dortmund. Os visitantes jogaram fora a diferença no placar e deram sorte de voltar para casa com o empate por 2 a 2. A decepção é evidente, repetitiva e desgastante. Enquanto isso, os bávaros agradecem ao velho ídolo Claudio Pizarro, outra vez decisivo ao Bremen.

O Borussia Dortmund precisava contornar os desfalques, em especial Marco Reus, após a expulsão no clássico contra o Schalke 04. E alguns jogadores diferentes chamaram a responsabilidade para si desta vez. Christian Pulisic faz uma temporada muito aquém de seu potencial, o que deixa dúvidas sobre seu futuro no Chelsea. Contudo, ofereceu um raro lampejo para abrir o placar. O americano recebeu quase na linha do meio-campo e saiu em disparada, dando uma caneta no meio do caminho. De frente para o gol, não teve problemas para abrir o placar, garantindo um pouco de alívio aos aurinegros com sua pintura.

O Werder Bremen não parecia o time que dera trabalho ao Bayern por duas vezes nas últimas semanas. Apesar do ritmo intenso da partida, as chances de gol só surgiam de um lado. Jiri Pavlenka evitou que Mario Götze ampliasse, salvando o chute cruzado com a ponta dos dedos. E a superioridade do Dortmund garantiu o segundo tento aos 41 minutos. Em cobrança de falta frontal, Paco Alcácer bateu com muita categoria na bola. Mandou o chute por cima da barreira e acertou o canto da meta adversária, sem que Pavlenka que chegasse a tempo. Mas, se “2 a 0 é um placar perigoso”, este clichê se torna muito real ao BVB.

A impressão era de que o terceiro logo viria. Pavlenka, mais uma vez, se colocava como o melhor jogador do Bremen. O goleiro colecionou defesas no início da segunda etapa, fazendo um milagre com a ponta dos dedos para negar a trivela de Thomas Delaney e também frustrando Alcácer. O centroavante, além do mais, teve um tento corretamente anulado por impedimento. Desperdícios que custariam caro demais ao Dortmund, sobretudo quando a defesa voltou a exibir as fragilidades conhecidas por sua torcida.

Roman Bürki faz uma temporada muito boa. Salvou o BVB em vários momentos e apresenta uma regularidade rara ao elenco nos últimos meses. Todavia, não tem como justificar o frangaço que recolocou o Bremen na partida. Aos 25 minutos, Kevin Möhwald chutou da entrada da área e o arqueiro se agachou para fazer uma defesa trivial. Deixou que a bola passasse por entre as suas pernas, cedendo o gol. Os aurinegros sentiram o baque e se mostraram perdidos em campo, tomando o empate cinco minutos depois.

Em uma sucessão de erros, em meio ao abafa dos Verdes, Manuel Akanji tentava proteger a bola para que saísse à linha de fundo. Permitiu que Ludwig Augustinsson chegasse antes disso e fizesse o cruzamento ao meio da área. O sueco conectou com Claudio Pizarro. E, diante do velho artilheiro, não dá para bobear. Ele fuzilou às redes, apenas 15 minutos depois de sair do banco. O Dortmund ainda se expôs à virada na reta final da partida. O Werder Bremen reclamou bastante de um pênalti, que a arbitragem não marcou, mesmo depois de revisar no vídeo. Além disso, a busca desenfreada dos visitantes pelo terceiro gol quase entregou o ouro para o time da casa. Milot Rashica representou um enorme perigo nos contragolpes. A igualdade prevaleceu até o apito final.

O Bayern de Munique entra na penúltima rodada com uma vantagem de quatro pontos e um saldo de gols amplamente superior. Dois empates devem ser suficientes para o heptacampeonato. Os bávaros têm compromissos difíceis, visitando o RB Leipzig e recebendo o Eintracht Frankfurt, mas ganharam uma margem de erro graças aos concorrentes. O Dortmund chega aos 70 pontos e precisa torcer bastante, além de fazer a sua parte. Encarará o Fortuna Düsseldorf em casa, antes de pegar o Borussia Mönchengladbach fora. E o problema não é imaginar que o Bayern tropeçará, considerando a inconsistência desde a chegada de Niko Kovac. O duro é acreditar que o BVB não falhará, quando a equipe de Lucien Favre sucumbiu tantas vezes à pressão. Mais abaixo, o Werder Bremen ocupa a nona colocação, a cinco pontos da zona de classificação à Liga Europa.