O Real Madrid evoluiu no decorrer da última temporada europeia com o crescimento de Isco, que aproveitou bem as suas chances nas equipes reservas que Zidane usou em partidas fora de casa pelo Campeonato Espanhol. Foi titular até mesmo na decisão da Champions League, na casa de Gareth Bale, que voltava de lesão, e jogou também na vitória sobre o Manchester United, por 2 a 1, que valeu o título da Supercopa da Europa, nesta quarta-feira. Desta vez, Cristiano Ronaldo, poupado, foi a ausência do famoso trio BBC.

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Quando todos estiverem à disposição, Zidane terá uma decisão importante a tomar. O meio-campo ficou mais encorpado com o apoio de Isco, capaz de fazer o trabalho de construção e ameaçar como um meia-atacante, a Kroos, Modric e Casemiro. Contra o United, a ótima atuação deste setor valeu o domínio da partida e as infiltrações que fizeram o Real Madrid superar o sistema defensivo bem postado de José Mourinho. Superioridade tremenda no controle da bola: 64% de posse e quase o dobro de passes certos do que o adversário.

E não foi aquele controle estéril a que muitas vezes assistimos, inclusive no futebol brasileiro. O Real Madrid teve a bola e agrediu. Criou chances até para vencer mais confortavelmente. No primeiro tempo, o pivô destas ações foi o brasileiro Casemiro. Acertou o travessão, em jogada de escanteio, levou perigo com um chute de fora da área e entrou na área para completar cruzamento de Carvajal e abrir o placar. Posição duvidosa: seu ombro parecia um pouco à frente do último homem do United, mas foi aquele lance em que o impedimento se decide em cima de milímetros.

A dinâmica da partida não desagradava Mourinho, cujo time aposta na força física e na velocidade nos contra-ataques, mas não foi possível criar grandes chances desta maneira no primeiro tempo. Tanto que ele voltou do intervalo com Rashford, mais veloz, habilidoso e pronto do que Lingaard. Mas o antídoto das boas defesas é a criatividade: Isco fez uma tabela brilhantemente simples com Bale, na entrada da área, e entrou livre para tocar no canto de De Gea, ampliando o placar.

O Manchester United quase voltou imediatamente à partida, quando Pogba cabeceou, livre, para linda defesa de Keylor Navas, e Lukaku, absolutamente livre, perdeu um gol que um atacante da sua estatura não pode perder. O Real Madrid era amplamente superior e quase matou o jogo em um lance muito simbólico da capacidade do seu meio-campo: de pé em pé, a bola foi trabalhada na intermediária e chegou a Casemiro, que deu o passe agudo para deixar Bale na cara do gol. O galês acertou o travessão.

Mourinho já havia colocado em campo a sua arma nem tão secreta assim. Fellaini entrou no lugar de Ander Herrera para ser o alvo de lançamentos e cruzamentos, na tentativa de encurtar a trajetória da bola em direção ao campo de ataque. O United realmente melhorou com a alteração, por mais primitiva que seja esta estratégia. Pouco depois da chance perdida por Bale, Matic soltou a bomba de fora da área, Navas deu rebote, e Lukaku, desta vez, não desperdiçou.

O Manchester United teve a bola do empate nos pés de Rashford, que infiltrou a grande área para encontrar um passe de Mkhitaryan e tocou na saída de Navas, que salvou com a ponta dos dedos. Da mesma maneira, De Gea teve que trabalhar em jogada entre Benzema e Asensio. O espanhol completou à queima-roupa, em cima do goleiro dos ingleses, que pressionavam. Mas não foram capazes de buscar o empate, e Cristiano Ronaldo saiu do banco de reservas apenas para fazer figuração.

Zidane venceu todas as finais que disputou na carreira como técnico: duas Champions League, duas Supercopas da Europa e um Mundial de Clubes. E as mudanças que promove na equipe são sempre sutis, discretas e eficientes, bem como seu trabalho com a prancheta na mão.