As transferências internacionais de jogadores de futebol movimentaram quase € 3,8 bilhões em 2014. Um valor estratosférico? Ainda assim, bastante inferior aos salários dos atletas envolvidos nestas negociações, que atingiram um montante de € 5,6 bilhões. Uma semana após o fechamento da janela de transferências na Europa, a Fifa divulgou um relatório com os dados obtidos por seu Transfer Matching System, o sistema que regulariza as transações. E a maior novidade está sobre a maneira como os próprios negociados têm lucrado bastante com as suas vendas.

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Ao longo dos dois últimos anos, 57% do total investido em transferências internacionais foi direto para os bolsos dos jogadores. Os clubes receberam 41%, enquanto os 2% restantes acabaram pagos como comissão a empresários. Uma mudança de cenário, com o aumento notável do percentual revertido em salários. Somente entre 2013 e 2014, os ordenados dos atletas cresceram 33%, de € 4,1 bilhões para os € 5,6 bilhões atuais. Números que evidenciam que, mais do que cobrir a oferta a um clube, é preciso agradar o objeto de desejo.

Segundo a Fifa, apenas 13% das negociações incluem o pagamento da transferência. Ainda que não pareça, a maioria absoluta dos jogadores em transações internacionais sai de graça de seus clubes. “A mídia se concentra em discutir o valor dos negócios, mas na realidade isso é uma parte menor, de maneira geral. No entanto, os salários são parte fundamental em qualquer contrato”, declara Mark Goddard, responsável pelo sistema da Fifa.

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Além disso, o grosso do dinheiro se concentra na Europa. Cerca de 80% do dinheiro envolvido nas transferências entre um país e outro vem dos clubes do continente. E ninguém vence a Inglaterra, incrementada pelos novos acordos televisivos. Na última janela de transferências, os clubes da Premier League gastaram € 915 milhões em contratações internacionais, mais que o dobro de qualquer outro país. A Espanha aparece em segundo na lista, com € 454 milhões desembolsados. Mas é preciso pontuar também que França e Itália (ajudada também por novos acordos de TV, com os clubes tentando sair de sua recessão) puxaram os números para cima. Um total de 1.340 jogadores chegou às cinco grandes ligas em transferências internacionais nesta janela, crescimento de 4% em relação à temporada anterior.

Por fim, o estudo da Fifa mostra que os salários apresentam uma crescente até os 28 anos do atleta, quando começam a se estagnar e cair. Um movimento que também condiz com, em boa parte das vezes, com o pico de suas carreiras. Sinal de que olhar apenas para o valor pago entre clubes não é suficiente para entender o mercado. Se os valores têm aumentado, e mesmo os grandes clubes precisam fazer uma faxina em seus elencos para comportar reforços, é porque os maiores lucros estão indo mesmo para aqueles que fazem o espetáculo.