Franz Beckenbauer deu uma declaração um tanto quanto alucinada nesta semana. O alemão disse que ‘aliens o chamaram para uma partida de futebol, que evitará a destruição da Terra’. Obviamente, pura balela, já que tudo não passa de uma campanha de marketing. O Kaiser deveria medir melhor suas palavras. Afinal, a relação entre extraterrestres e futebol é assunto muito sério para algumas pessoas. Duvida? Pois há quem jure ter visto ‘objetos voadores não identificados’ em pleno Estádio Artemio Franchi, casa da Fiorentina. E não foram poucas testemunhas.

O ‘avistamento de OVNI’s em Florença’ é um episódio famoso da ufologia na Itália. No dia 27 de outubro de 1954, o time reserva da Fiorentina disputava amistoso contra a vizinha Pistoiese, diante de cerca de 10 mil torcedores. E o sobrenatural tomou conta do estádio durante o segundo tempo, quando a Viola goleava por 6 a 2. Já observados nos arredores da Catedral de Santa Maria del Fiore, os objetos passaram a sobrevoar o campo por alguns minutos minutos. Meia hora depois, fios de um material pegajoso caíram do céu. Um fenômeno comum para os ufólogos, cuja substância é chamada de “cabelos de anjo”.

Capa do Corriere de Novembro de 1954, relatando fenômenos ufológicos na Itália
Capa do Corriere de Novembro de 1954, relatando fenômenos ufológicos na Itália

“Eu me lembro claramente dessa visão incrível. Eles estavam se movendo muito rápido e, em seguida, eles simplesmente pararam. Eu poderia descrevê-los como charutos cubanos, pela maneira como se aparentavam”, relembra Gigi Boni, torcedor da Viola de longa data, em entrevista à BBC. “Eu acho que eram extraterrestres. É o que acredito e não há nenhuma outra explicação que eu possa dar”.

O céu azul e límpido de Florença passou a ser tomado por nuvens de fumaça. Alinhados como uma esquadrilha, mais de 20 OVNI’s surgiram sobre o campo. Segundo os relatos, foram três aparições seguidas dos objetos misteriosos. Na primeira, estavam equipados com asas; logo depois, eram como chapéus chineses; e, na última, lembravam o formato mais clássico de discos voadores, brilhando nos céus e fazendo manobras em alta velocidade. Ao mesmo tempo, o pânico das testemunhas tumultuava as arquibancadas. Os jogadores permaneciam atônitos diante do inexplicável. A estranha interrupção foi até mesmo registrada pelo árbitro na súmula.

“Eu me lembro tudo, do início a fim. Todo mundo parou de jogar para ver aquilo no céu. Era algo que parecia um ovo se movendo devagar, devagar. Todo mundo estava olhando para cima e também houve um glitter caindo do céu, um brilho prateado. Ficamos espantados, nunca vi nada parecido depois. Estávamos absolutamente chocados a partir do momento que vimos aquilo”, recorda Ardico Magnini, que defendeu a Fiorentina por mais de 200 jogos e convocado pela seleção italiana à Copa de 1954.

Já o capitão da Pistoiese, Romolo Tuci, continua acreditando no contato com os extraterrestres: “Eu estava muito curioso e também muito, muito feliz. Em todos esses anos estavam falando sobre alienígenas, sobre OVNI’s e nós tivemos a experiência, nós o vimos, diretamente, de verdade. Eu realmente acredito que eram seres de outra galáxia. Estávamos no estádio e vimos. Foi algo grandioso para se assistir”.

O timaço da Fiorentina em 1955/56, campeão italiano com sobras
O timaço da Fiorentina em 1955/56, campeão italiano com sobras

Segundo o Comitê Italiano de Controle das Afirmações sobre Pseudociência, os objetos eram aviões militares em exercício. Já a substância estranha que apareceu sobre o estádio nos momentos depois foi produzida por aranhas, em um fenômeno relacionado à migração dos insetos. Ainda assim, nada que satisfaça as testemunhas oculares do que aconteceu naquela tarde de outono.

Coincidentemente, a Fiorentina viveu sua melhor fase justamente depois de avistar o sobrenatural. O time comandado por Fulvio Bernardini conquistou a Serie A 1955/56 com incríveis 12 pontos de vantagem sobre o Milan e mantendo 33 partidas de invencibilidade – a única derrota aconteceu na última rodada. Já nos anos seguintes, a Viola foi quatro vezes seguida vice-campeã italiana, finalista da Copa dos Campeões em 1956/57 e campeã da primeira edição da Recopa Europeia.

Giuliano Sarti, Giuseppe Chiappella e Enrico Befani, todos presentes no Hall da Fama do clube, estavam em campo naquele 27 de outubro. O ponta Julinho Botelho, ídolo dos florentinos até hoje, chegou ao clube um ano depois e só pôde saber da história através dos companheiros. Se eram realmente alienígenas, eles tiveram a honra de assistir a um dos melhores times da história. Assim como fariam se a história de Beckenbauer não fosse um devaneio e realmente desafiassem o Bayern de Munique.

Poster ficcional sobre os eventos no Artemio Franchi
Poster ficcional sobre os eventos no Artemio Franchi