Vencer não era apenas um ideal, como diz o hino. Era uma obrigação do Atlético Mineiro, se quisesse se manter vivo na Libertadores. Depois de duas derrotas nas duas primeiras rodadas, o Galo precisava reagir imediatamente. Ainda que o desafio estivesse longe de ser simples: encarar os 2,6 mil metros de altitude de Bogotá e a pressão do El Campín, para quebrar os 100% de aproveitamento do Independiente Santa Fe. Mas os alvinegros já superaram missões muito mais difíceis nos últimos tempos. Conquistaram uma importantíssima vitória por 1 a 0, quebrando a invencibilidade dos colombianos em casa pela Libertadores desde 1980 – 17 partidas divididas em cinco participações. Por mais que tenham corrido riscos em alguns momentos.

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A confiança dos atleticanos estava restaurada na própria escalação. Ainda que não tivesse o time completou, Levir Culpi contou com uma escalação bem mais forte do que nas duas primeiras rodadas. Marcos Rocha, Douglas Santos, Lucas Pratto e Carlos foram grandes acréscimos em relação às primeiras rodadas, enquanto Sherman Cárdenas ganhou a sua primeira chance como titular no torneio continental. O Galo entrava em campo com um time bem mais tarimbado e técnico para encarar o desafio.

Não dá para dizer que o jogo do Atlético funcionou perfeitamente. O Santa Fe encontrou algumas brechas a partir de tabelas rápidas, além de ameaçar nas bolas levantadas pelo maestro Omar Pérez. Entretanto, o ganho de consistência dos mineiros era visível. Marcos Rocha e Douglas Santos tornavam as laterais bem menos vulneráveis. Sobretudo pela direita, o camisa 2 sobrava na cobertura e servia de desafogo na construção de jogo, um dos melhores em campo. Já na cabeça de área, Leandro Donizete também se destacou, muito bem na proteção ao lado de Rafael Carioca.

Durante o primeiro tempo, o Galo não criou tantas chances de perigo, com Lucas Pratto isolado. Mas já demonstrava bem mais organização, com Cárdenas ditando o ritmo, além das tentativas de infiltração de Luan e Carlos. Porém, os alvinegros só conseguiram ser mais efetivos na segunda etapa. O gol saiu aos 14 minutos, em um escanteio cobrado pelo próprio colombiano, que Pratto testou firme. Um lance bastou para mostrar o quanto fez falta, enquanto a torcida se irritava com Jô e André.

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Com o Santa Fe tentando partir para cima, o Atlético Mineiro teve o caminho aberto para tentar matar o jogo nos contra-ataques. Não conseguiu por puro preciosismo. Maicosuel errou vários passes decisivos, enquanto Morelo salvou chute em um contragolpe no qual os atleticanos partiam em três contra um. Por sorte, os alvirrubros também demonstravam problemas nas conclusões, demorando demais para chutar. E, quando ameaçavam um pouco mais, Victor estava atento.

Nos minutos finais, por fim, o Santa Fe conseguiu dar mais sufoco no Galo. Em uma bomba de Arias da entrada da área, Victor mal se mexeu e a bola explodiu no travessão. Mas faltava alguém que aproveitasse melhor as chances criadas por Omar Pérez. Sinal de desespero, no último minuto o goleiro Zapata subiu para a área adversária em um escanteio. Na tentativa de cabecear, acabou cometendo falta sobre Victor, que soltou a bola e viu os colombianos balançarem as redes. Para alívio dos alvinegros, o árbitro anotou a infração e garantiu os preciosos três pontos ao time de Levir Culpi.

Os três pontos melhoram demais a situação do Atlético, ainda que não diminuam os riscos. Independiente Santa Fe e Colo Colo seguem à frente, com seis pontos cada – e os colombianos com a vantagem de já terem vencido um de seus jogos fora de casa, contra o Atlas. Fazer o dever de casa contra os dois líderes é o mínimo para o Galo, assim como também tentar roubar pontos no México. De qualquer forma, o aumento de perspectivas, neste momento, é significativo.

Afinal, o Atlético Mineiro apresentou um padrão de jogo mais bem definido, algo que não tinha conseguido nas primeiras rodadas. E também contou com a volta de jogadores importantes, que fizeram falta na ausência e a diferença na presença. O time ainda precisa melhorar em alguns pontos na defesa, sobretudo quando os zagueiros ficam expostos, e ser mais incisivo nos arremates. Mas o importante é que o primeiro passo foi dado. O clube que reverteu tantas situações adversas nos últimos meses parece ter acordado para conseguir mais uma vez, mesmo que Colo Colo e Santa Fe não devam facilitar no Independência.