A primeira fase preliminar da Copa Libertadores já conta com o duelo entre dois clubes tradicionais. O Bolívar é o representante boliviano que mais vezes participou da competição, 33 no total. Já o Defensor, entre os uruguaios, está abaixo apenas dos gigantes de seu país e soma 16 presenças – a três do recorde de participações entre os brasileiros, por exemplo. E vale lembrar que ambos ficaram próximos até mesmo de disputarem entre si a decisão continental, caindo nas semifinais do torneio em 2014. Desta vez, o jogo de ida no Estádio Hernando Siles guardou um encontro marcante. Os violetas ganharam por 4 a 2, em noite de golaços e confusões. Foi a primeira vez desde 1989 que uma equipe do Uruguai venceu uma partida na Bolívia pela Libertadores.

O jogo começou a ser condicionado aos 26 minutos, quando Heber Leaños deu um pisão em Emanuel Beltrán e recebeu o vermelho direto, deixando o Bolívar com um jogador a menos. Os celestes eram melhores até então, empilhando uma chance atrás da outra, mas falhando demais nas conclusões. Nos acréscimos do primeiro tempo, todavia, o Defensor se aproveitou da vantagem numérica. Martín Rabuñal abriu o placar a partir de um contra-ataque. Já no início do segundo tempo, Pablo López anotou um golaço. Encarou a marcação na linha de fundo e, mesmo sem ângulo, bateu com cavadinha por cima do goleiro. López até poderia ter feito o terceiro, em lance anulado por impedimento.

Somente depois disso é que o Bolívar conseguiu se impor na altitude, mesmo com um a menos. O goleiro Gastón Rodríguez ia acumulando milagres, sobretudo no duelo particular contra o atacante Marcos Riquelme. Ainda assim, o empate celeste saiu antes dos 26 minutos. Jorge Pereyra Díaz anotou o primeiro meio sem querer, em desvio que encobriu o goleiro, e deixou tudo igual com um sutil arremate de cabeça. Só que o Defensor não se entregou e arrancou a vitória com mais dois tentos nos 15 minutos finais.

Aos 36, depois de mais um tento anulado, López fez grande jogada individual e invadiu a área, antes de ser derrubado pelo goleiro adversário. Pênalti, que Álvaro Navarro converteu. Por fim, a pá de cal aconteceu nos acréscimos. Ignacio Laquintana puxou o contra-ataque e, de muito longe, se aproveitou da altitude. Arriscou o chute das redondezas do círculo central e encobriu o goleiro Guillermo Vizcarra, que até tocou na bola, mas não evitou a pintura. E o pior é que o Bolívar perderia a cabeça de vez antes do apito final. Riquelme se desentendeu com um adversário e foi expulso, assim como Juanmi Callejón na confusão posterior.

O Defensor volta a Montevidéu com uma belíssima vantagem. Pode perder por até um gol de diferença, além de ter a seu favor os 2 a 0 ou 3 a 1 do Bolívar. Mostra que é uma equipe para almejar a fase de grupos, especialmente pelo incômodo provocado por Pablo López no ataque. Fica a lembrança de uma atuação na qual os violetas ignoraram completamente a altitude, mesmo sendo salvos pelo goleiro Gastón Rodríguez.

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