O Cruzeiro x Grêmio que tirou a Taça Brasil dos eixos em 1966

Duelo nas quartas de final da competição nacional botou frente a frente dois dos maiores esquadrões de celestes e tricolores

Década de 1960. Período importante para se explicar a história vitoriosa de Cruzeiro e Grêmio. Ao longo daqueles anos, os dois clubes dominaram os seus estados. O time celeste foi pentacampeão mineiro a partir de 1965. Enquanto isso, os tricolores emendaram o hepta entre 1962 e 1969. Esquadrões que se acostumaram a disputar a Taça Brasil. E que fizeram o seu teste de fogo em 1966, durante a decisão da chamada ‘Zona Sul’, que valia vaga na semifinal. Primeiro duelo entre os times em mata-matas oficiais, o que se repete a partir desta quarta, na Copa do Brasil.

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As expectativas para aqueles jogos eram imensas. E não apenas por conta do momento das duas equipes. Tostão e Alcindo foram os dois únicos jogadores que não atuavam em clubes paulistas ou cariocas que terminaram convocados à Copa do Mundo de 1966. Inclusive, chegaram a dividir o ataque na derrota para a Hungria, quando o gaúcho fez o seu segundo jogo como titular e o mineiro assumiu o fardo de substituir Pelé. Tostão, inclusive, marcou o gol de honra dos brasileiros na derrota por 3 a 1.

Naquele momento, a imprensa destacava a superioridade dos gaúchos nos confrontos. Nas seis oportunidades que os dois estados haviam se cruzado na Taça Brasil até então, os times do Rio Grande do Sul se classificaram em todas, cinco delas com o Grêmio. De qualquer maneira, as esperanças mineiras no Cruzeiro eram grandes. Não apenas pela qualidade do elenco encabeçado por Tostão, mas também pelo momento vivido pelos celestes, invictos após 13 rodadas no estadual. A empolgação era tamanha que cerca de 500 torcedores pegaram a estrada e seguiram de ônibus rumo a Porto Alegre para acompanhar a partida decisiva.

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Os gaúchos chegaram mesmo a fazer festa no desembarque da delegação do Cruzeiro, no Aeroporto Salgado Filho. Mas, apesar do bom público, o duelo no Estádio Olímpico ficou aquém do esperado. Os mineiros trataram de atuar com mais cautela, a ponto de Tostão ser recuado ao meio-campo, ao lado de Piazza e Dirceu Lopes. Assim, em ocasião de poucas oportunidades de gol, o placar zerado foi mais do que compreensível.

O reencontro no recém-inaugurado Mineirão, entretanto, guardaria outra história. Mais de 50 mil pessoas encheram as arquibancadas do gigante de concreto, batendo o recorde de renda da Taça Brasil. E o Cruzeiro não se contentou em ficar apenas na defensiva. Tomando a iniciativa, encontrava o Grêmio mais entrincheirado. O marcador só viria a se movimentar na volta do intervalo. Mas para o lado visitante, quando, logo aos dois minutos, Raul espalmou o chute de Alcindo e Volmir não perdoou no rebote. Ao menos a resposta celeste foi imediata, com o empate aos quatro. Dirceu Lopes lançou Marco Antônio, que havia saído do banco, substituindo Evaldo. Aírton tentou proteger a bola até a linha de fundo, para o tiro de meta, mas o cruzeirense insistiu e arrematou para dentro.

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A igualdade no placar impulsionou a torcida do Cruzeiro. O time cresceu junto e a alteração feita pelo técnico Aírton Moreira mostrou-se mesmo cirúrgica. Marco Antônio foi derrubado na área, por Áureo. Pênalti cobrado por Tostão, decretando a virada aos 16 do segundo tempo. Depois disso, começou a pressão gremista em busca do novo empate. Melhor para a Raposa, que viu Raul e Piazza em atuações monstruosas, assegurando a vitória por 2 a 1. Uma classificação inédita contra os gaúchos e valiosíssima para a história celeste.

Afinal, aquele não foi o limite para o Cruzeiro. O time de Aírton Moreira venceu os dois jogos contra o Fluminense nas semifinais, antes da façanha na decisão: triunfos por 6 a 2 no Mineirão, em show de Dirceu Lopes, e 3 a 2 no Pacaembu contra o Santos, que vinha de cinco títulos consecutivos da Taça Brasil. Pela primeira vez, um time mineiro se tornava campeão nacional.

Desde aquela ocasião, em 1966, Cruzeiro e Grêmio se enfrentaram outras três vezes por torneios eliminatórios. Os mineiros sempre se deram melhor: conquistaram a Copa do Brasil em 1993, além de avançarem nas quartas de final da Libertadores de 1997 e nas semifinais continentais de 2009. Nesta quarta, começam a escrever um novo capítulo.