O Mineirão estava sedento por um jogo memorável. Mais de 35 mil pessoas encheram as arquibancadas, esperando a noite triunfal. E a expectativa era mais do que compreensível. Tudo seguia aberto no confronto das quartas de final da Copa do Brasil, após a vitória do Corinthians por 2 a 1 em São Paulo. Pois o Cruzeiro cresceu na base da força de seu torcedor. Entrou em campo com uma vontade imensa, para bater os alvinegros, em meio à atmosfera eletrizante em Belo Horizonte. Os corintianos não se entregaram nunca, e fizeram um confronto pau a pau durante a maior parte do tempo. No entanto, os golpes da Raposa foram fatais. O triunfo por 4 a 2 coloca os cruzeirenses na semifinal, diante do Grêmio. E, de 90 minutos cardíacos, o Mineirão terminou a noite explodindo corações pela euforia da classificação.

Ninguém teve dúvidas que seria uma partidaça, desde os primeiros instantes. E o acaso já se mostrou decisivo ao Cruzeiro logo de cara. Rafinha se lesionou e precisou ser substituído aos seis minutos. Entrou Arrascaeta, um dos melhores celestes nesta quarta. Partindo para cima, os mineiros quase fizeram o primeiro com Ábila. Que não perdoaria aos 13, abrindo o placar. Após a roubada de Rafael Sóbis, Arrascaeta foi lançado na ponta e cruzou para o Wanchope completar dentro da área.

Em meio ao barulho no Mineirão, o Corinthians começou a encontrar os seus espaços. Mais organizado taticamente, conseguiu dominar as ações a partir de meados do primeiro tempo. O empate saiu aos 34. Uendel fez excelente cruzamento e Rodriguinho cabeceou na diagonal, tirando do alcance de Rafael. Naquele momento, a classificação era alvinegra. Dava um pouco mais de emoção ao roteiro que se desenhava a favor da massa azul. O equilíbrio no final da primeira etapa era a prévia da loucura desencadeada a partir da volta do intervalo.

O Corinthians teve a primeira grande chance do segundo tempo. Rodriguinho forçou ótima defesa de Rafael e, na sobra, Guilherme pegou muito mal na bola. Não era para ser. Aos 11, o árbitro marcou pênalti de Pedro Henrique em Arrascaeta. Na cobrança, Ábila fez o gol que levaria o jogo à decisão por pênaltis. E a certeza cruzeirense crescia. Walter precisou realizar grande defesa em chute rifado de Sóbis. Já aos 17, aconteceu o terceiro tento, em cabeçada inapelável de Bruno Rodrigo. A soberania celeste era total, com a vaga na próxima fase nas mãos.

Apesar das dificuldades claras de enfrentar um time motivado e um estádio empolgado, o Corinthians não esmoreceu. As chances eram raras, mas resistia a esperança da classificação. Neste momento, contudo, o Cruzeiro estabeleceu a goleada: em cobrança de falta ensaiada, o lançamento genial de Robinho terminou no gol de Arrascaeta aos 37. Hora de aceitar a derrota e pensar na volta a São Paulo? Não foi o que o Corinthians fez. Rildo anotou o segundo aos 40. Com mais um tento, os alvinegros avançariam. E não foi por falta de insistência. Apesar da pressão, o time não criou chances tão boas. Os cruzeirenses puderam, enfim, comemorar sem ressalvas o ótimo resultado de sua equipe.

A classificação é imensa para o Cruzeiro. Mano Menezes conta com um elenco que, por sua qualidade, não deveria lutar para não cair no Brasileirão. Agora, embora não possa se descuidar da Série A, reforça as suas pretensões de um título no final do ano. E ressaltou sua capacidade para isso diante do Corinthians, jogando com contundência e concentração. Os alvinegros, por outro lado, estão desapontados com o resultado, mas não podem reclamar da postura de seu time. Com Oswaldo de Oliveira, os paulistas já demonstram uma consistência maior. Faltou a precisão e a voracidade dos celestes. Diante da vibração que se sentiu no Mineirão, seria difícil esperar um resultado que não culminasse na festa cruzeirense.