O Cruzeiro teve gana, sufocou o São Paulo e de novo contou com as mãos salvadoras de Fábio

O Cruzeiro teve chances de matar o jogo no tempo normal, mas de novo viu o seu goleiro sair como herói contra o São Paulo

O desmanche do Cruzeiro após o bicampeonato brasileiro preocupou os torcedores. Quase todos os setores sofreram perdas importantes, sobretudo o ataque,. Era preciso ter calma na reconstrução. E confiar em um nome: Fábio. Pois o capitão cruzeirense, essencial em tantos momentos, seguraria as pontas enquanto o encaixe acontecia. O clube celeste ainda não igualou o patamar de outros tempos, mas deu mostras nesta quarta que pode achar o caminho certo. E se classificou na Libertadores graças ao ídolo. Não bastassem os milagres no Morumbi, essenciais para não deixar o São Paulo abrir muita vantagem, o goleiro brilhou nos pênaltis. A vaga nas quartas de final tem a estrela do veterano.

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Quem olha para o placar do jogo no Mineirão sem ter visto o jogo, certamente se enganará. Porque Cruzeiro e São Paulo fizeram um jogaço, apesar do placar de 1 a 0. A vitória magra pode até ser considerada enganosa, por todas as circunstâncias da noite em Belo Horizonte. Precisando do resultado, os cruzeirenses colocaram os visitantes contra a parede. Fizeram uma partida de muita intensidade e velocidade, relembrando os seus melhores momentos no bicampeonato brasileiro. Faltou, porém, acertar na pontaria – das 23 finalizações da equipe, só seis foram no gol, e 12 no total vieram de fora da área. As chances desperdiçadas pela Raposa ao longo dos 90 minutos testaram mais do que deveriam o coração de sua torcida.

A pressão começou logo nos primeiros minutos de jogo, com o Cruzeiro atacando especialmente pelos lados de campo. Enquanto a defesa do São Paulo permanecia exposta, Willian e Marquinhos faziam a correria pelas pontas, com bom apoio de Mena e Mayke. Faltava mais precisão na hora de finalizar, calma. Em compensação, o São Paulo também aproveitava algumas brechas, especialmente com Michel Bastos. Mas as atuações apagadas de Ganso e Pato dificultava a construção de jogo. No máximo, só alguns sustos em Fábio.

Quem devia estar passando mal de verdade era Rogério Ceni, especialmente pela maneira como os laterais estavam expostos. A velocidade dos ataques do Cruzeiro era atordoante. E a proteção dos volantes não ajudava. Mas, em tantos lances desperdiçados, o goleiro são-paulino só veio a trabalhar mesmo nos minutos finais, em uma cobrança de falta de Willian que voou para espalmar.

O ritmo de jogo não mudou no segundo tempo. Pela ponta direita, Marquinhos se destacava, aproveitando os problemas defensivos de Reinaldo. Já Willian começou a buscar o jogo um pouco mais pelo meio, dando opção à atuação apagada de Giorgian De Arrascaeta. Algo fundamental para a vitória do Cruzeiro. A partir de um excelente lançamento do meia é que nasceu o gol. Mayke avançou pela direita e, nas costas da marcação, rolou para Leandro Damião balançar as redes. Até o momento, o centroavante chamava o jogo, mas não conseguia dar sequência às jogadas. O oportunismo pesou.

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O Cruzeiro esteve muito mais próximo de definir a partida no tempo regulamentar. Rogério Ceni fez grande defesa para negar o gol de Marquinhos, enquanto a equipe celeste sufocava os tricolores em sua área. Mais uma vez, o excesso de afobação nos arremates atrapalhou, com muitos chutes de média distância sem direção. Faltava explorar mais o jogo aéreo, especialmente pela liberdade nas pontas. Só não deu tempo. Ao apito final, o Cruzeiro jogaria o peso da disputa por pênaltis sobre as luvas de Fábio. Nada que o capitão não pudesse resolver no duelo ante Rogério Ceni, contra quem nem sempre se deu bem. A chance de encerrar a carreira do veterano em sua competição favorita.

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O gol de Ceni e sua defesa no chute de Damião, logo na primeira série de cobranças, davam a vantagem para o São Paulo. Mas Souza começou a mudar a sorte dos tricolores ao isolar seu chute. E Luís Fabiano bateu muito mal, parando nas mãos beatificadas de Fábio. Naquela que poderia ser a última cobrança, Manoel só precisava converter e correr para o abraço. Tremeu, permitindo a defesa de Rogério Ceni. Até que, nas alternadas, Fábio aparecesse como salvador outra vez, espalmando o chute de Lucão. Já no fim, Gabriel Xavier ratificou a classificação às quartas de final. A sétima eliminação seguida do São Paulo contra um brasileiro na Libertadores.

A classificação vale muito ao Cruzeiro, óbvio. Mas também é importante a maneira como o time encarou o desafio decisivo. Depois da atuação apática no Morumbi, o time de Marcelo Oliveira teve sua melhor partida no ano. Repetiu o futebol vertical e em ritmo forte de seus melhores momentos nos últimos anos, ainda que nem todos tenham se saído tão bem. Uma evolução importante, especialmente por acontecer no momento de maior pressão sobre a equipe diante da possível eliminação. Algo que se cobrou, por exemplo, na eliminação da Raposa na última Libertadores. Desta vez, a raça cruzeirense ficou bastante evidente.

Mesmo que o São Paulo não viva momento tão bom, bater um tricampeão da Libertadores reforça as credenciais do Cruzeiro. A equipe merece muito mais respeito para a sequência da competição, mesmo pegando quem sair vitorioso do clássico entre River Plate e Boca Juniors. A maneira como Willian e Marquinhos chamaram a responsabilidade, sobretudo, alimenta as esperanças da torcida cruzeirense de atuações mais fluidas. E, por mais que o time tenha problemas a corrigir, como a falta de pontaria, o saldo é bastante positivo. Principalmente para Fábio. Depois de manter as chances vivas do time no Morumbi, teve a oportunidade de se tornar o salvador nos pênaltis. Para ser ainda mais idolatrado na Toca da Raposa.