Nem sempre é bonito de se ver. Mas ninguém pode dizer que não funciona. Mano Menezes encontrou uma fórmula de sucesso para a Copa do Brasil e apostou todas as suas fichas, as que restaram depois da eliminação na Libertadores, em conquistá-la mais uma vez. E assim o fez. Nesta quarta-feira, o Cruzeiro venceu o Corinthians por 2 a 1, em Itaquera, e conquistou a competição pela sexta vez em sua história.

O Corinthians disputou três tempos de futebol contra o Cruzeiro sem dar um chute a gol. O único trabalho de Fábio nos primeiros 135 minutos da partida foi repor a bola em jogo e aparar uns cruzamentos, o que torna a missão de ser campeão de um torneio um pouco mais difícil. Em Itaquera, a etapa inicial teve um Corinthians valente, exagerando um pouco nas faltas, mas tentando buscar o resultado.

O problema é que querer fazer gol está muito longe do poder no caso corintiano. Emerson Sheik, novidade da escalação de Jair Ventura ao lado de Jonathas, correu bastante, sem produzir nada. Jadson não foi fonte de criatividade. Ralf e Gabriel foram amarelados rapidamente, e chega a ser uma surpresa o segundo não ter sido expulso, considerando a pilha com que se apresentou nos 45 minutos iniciais.

Enquanto isso, o Cruzeiro fazia o seu jogo. Muito bem postado na defesa como sempre, tentado o passe certo no ataque, sem arriscar. Aos 27 minutos, Léo Santos se atrapalhou com a bola, e Barcos recebeu na entrada da área. Dominou, protegeu e mandou na trave de Cássio. O rebote ficou com Robinho, que emendou direto para as redes. O Cruzeiro ainda poderia ter ampliado com uma cabeçada de Dedé, completando cobrança de falta pela esquerda, que também acertou o poste.

Em todo o primeiro tempo, o Corinthians criou apenas uma cabeçada, em cobrança de falta de Jadson. Mas logo no começo do segundo, Thiago Neves deu um carrinho imprudente dentro da área e tocou Ralf. Forte o suficiente para derrubar o volante corintiano? Na primeira vista, o árbitro Wagner do Nascimento não achou. Alertado pelo assistente de vídeo, checou a tela e apontou à cal. Lance bem polêmico. Jadson cobrou e empatou a peleja.

O pênalti cobrado por Jadson foi o primeiro chute certo do Corinthians em 145 minutos de final. Considerando essa estatística, mesmo empolgado, pouco indicava que o time da casa conseguiria fazer o segundo gol. Mas Pedrinho, aos 24, acertou um chute de fora da área que contou com um vacilo de Fábio para morrer no fundo das redes. A torcida alvinegra explodia de alegria, quando o assistente de vídeo voltou a trabalhar: Wagner do Nascimento foi à tela e identificou uma falta de Jadson em Dedé no início da jogada. Gol anulado.

De Arrascaeta jogou 45 minutos pela seleção uruguaia no Japão, na terça-feira, um dia antes da final. Passou 25 horas sobrevoando o planeta antes de desembarcar em São Paulo, nesta quarta. O bilhete de avião custou R$ 60 mil aos cofres do Cruzeiro e parece ter valido a pena. Porque Raniel lançou Arrascaeta nas costas da defesa. O uruguaio, que havia entrado em campo pouco tempo antes, arrancou e tocou na saída de Cássio para colocar o título da Copa do Brasil além das possibilidades do Corinthians.

E na prateleira do Cruzeiro. O título da Copa do Brasil, um inédito hexacampeonato e o primeiro bi em sequência, consagra mais uma vez a estratégia de Mano Menezes de focar suas atenções nos torneios de mata-mata. Caso desse errado, seria um ano melancólico para um time forte e de alto investimento, eliminado na Libertadores e emperrado no meio da tabela do Campeonato Brasileiro. Mas Mano montou um time seguro, muito sólido, o que minimiza os riscos. Riscos calculados. O time mineiro ganhou todos os jogos fora de casa, e isso não é coincidência. É estratégia. Uma estratégia que permitiu ao Cruzeiro gritar campeão pelo segundo ano seguido.