O craque do futuro já virou herói de seu país: Szoboszlai garantiu a agônica virada que colocou a Hungria na Eurocopa

Aos 20 anos, Dominik Szoboszlai mostra ter bola para ser o craque da Hungria por muito tempo. O meio-campista de excelente finalização e qualidade técnica parece pronto a fazer jus à tradição dos Mágicos Magiares, com virtudes para se colocar na primeira prateleira do futebol europeu. E nesta quinta, o camisa 10 foi tudo aquilo que promete, ao liderar uma virada espetacular que colocou os húngaros na Euro 2020. A Islândia jogou melhor durante boa parte do tempo, abrindo a contagem na Puskás Arena. Os anfitriões, contudo, lutaram até o final para arrancar uma vitória agonizante. Loïc Nego saiu do banco para empatar aos 43 do segundo tempo. Já nos acréscimos, o triunfo por 2 a 1 seria decretado por uma pintura de Szoboszlai, dando mais motivos para ser adorado por seus compatriotas.

Mesmo atuando em Budapeste, a Islândia tentou dar um passo à frente desde os primeiros minutos, apostando nas bolas paradas e nas cobranças longas de lateral. A primeira chance surgiu num escanteio, que Victor Pálsson não aproveitou da melhor forma, com sua cabeçada defendida sem tantos problemas por Péter Gulácsi. Aos 11 minutos, porém, uma falta frontal permitiu que Gylfi Sigurdsson dessa a vantagem aos islandeses. O meia buscou o canto do goleiro e bateu no alto. Contou com uma infelicidade tremenda de Gulácsi. Entre dar um tapinha por cima do travessão ou agarrar a bola, o goleiro escolheu a indecisão e permitiu que a pelota passasse por entre suas mãos.

O frangaço exigia uma reação da Hungria. Entretanto, a equipe ainda não tinha encontrado seu ritmo na partida e fazia uma atuação morna, com dificuldades de criar jogadas ofensivas. A Islândia se defendia bem, mas sem precisar recuar demais. Somente aos 22 é que os magiares dariam sua resposta, mas a cabeçada livre de Willi Orban parou nas mãos de Hannes Halldórsson. Um caminho era confiar nas cobranças de falta de Dominik Szoboszlai, mas o jovem ainda não estava em sua noite mais calibrada.

A Islândia não era mera espectadora na partida. Pelo contrário, achava seus espaços e poderia ter ampliado a diferença. A cabeçada de Alfred Finnbogason num avanço rápido parou em Gulácsi, enquanto Endre Botka precisaria salvar um cruzamento perigoso na pequena área. Somente no final do primeiro tempo que o domínio da Hungria se tornaria mais claro, com direito a duas faltas venenosas cobradas por Szoboszlai. Em compensação, os islandeses pareciam mais contundentes quando contragolpeavam. Gulácsi seria testado por Johánn Gudmundsson e, nos acréscimos, realizaria uma defesa difícil num arremate cruzado de Sigurdsson.

O segundo tempo começou com a Hungria tentando se impor mais no campo de ataque, empurrando a Islândia contra a sua área. Os nórdicos, todavia, bloqueavam bem os espaços e não permitiam grandes riscos à meta de Halldórsson. Ragnar Sigurdsson desviou de forma salvadora um chute de Attila Szalai, pouco antes da zaga travar outra bola dentro da área. Os húngaros trocavam mais passes e aproveitavam melhor as pontas, o que não havia acontecido durante a primeira etapa. Isso não significava, no entanto, espaços tão grandes para finalizar.

A Islândia passou os primeiros 20 minutos do segundo tempo praticamente restrita ao seu campo defensivo. Saiu um pouco mais quando os times realizaram as substituições, na tentativa de evitar o sufoco e gastar o tempo longe dos perigos. E faltava velocidade para a Hungria acelerar, permitindo a recomposição dos nórdicos. Todavia, na reta final do duelo a pressão dos magiares realmente passou a gerar temores aos visitantes. As alterações fizeram efeito, com Loïc Nego garantindo a necessária infiltração, enquanto Nemanja Nikolics e Gergo Lovrencsics fortaleceram as investidas pelos lados. Além disso, os vikings perderam seu grande líder, o capitão Aron Gunnarsson, que saiu lesionado.

A partida ficou totalmente aberta durante os minutos finais. A Hungria apostava nas bolas alçadas e a muralha islandesa começou a ruir. Ainda assim, havia uma avenida aberta para a Islândia contra-atacar e a equipe desperdiçou ótima chance de anotar o segundo. Com a meta aberta, Albert Gudmundsson completou para fora o cruzamento de Jon Dádi Bödvarsson. Logo na sequência, os magiares conseguiriam o heroico empate, com Nego. Depois de um cruzamento, a defesa nórdica bateu cabeça e a bola respingou em diferentes jogadores. O francês naturalizado húngaro entrou na área rasgando e venceu Halldórsson com um chute rasteiro aos 43.

Restava pouquíssimo tempo no relógio, mas os times não pareciam muito dispostos a aguardar pela prorrogação. A Islândia, mas uma vez, teve a chance do segundo. Em outra investida pela direita com Bödvarsson, a batida seria travada pela zaga magiar. O lance gerou um contra-ataque à Hungria. E foi então que Szoboszlai anotou o seu tento apoteótico. O meia recebeu a bola ainda na intermediária e arrancou. Mesmo acompanhado por dois marcadores, cortou para o meio e se desvencilhou de ambos. Já na entrada da área, a qualidade para finalizar preponderou, com um arremate rasante que beijou a trave e não deu chances a Halldórsson.

A Islândia fez uma boa partida e parecia pronta a desbancar o favoritismo da Hungria, mesmo em Budapeste. A derrota aconteceu em detalhes, mas reforça a noção sobre o declínio dos nórdicos. A equipe perdeu os sete jogos que disputou pela Liga das Nações, em duas edições, e não brigou pela classificação nas Eliminatórias da Euro. A queda na repescagem sugere o fim da linha a alguns bons nomes da geração de ouro da ilha, que levou o país às inesquecíveis campanhas na Euro 2016 e na Copa de 2018.

Já a Hungria demonstra ter mais potencial neste momento. Vem de alguns bons resultados recentes e, depois de despachar a Bulgária na semifinal da repescagem, faz valer o momento contra a Islândia. Há bons nomes em diferentes setores da equipe, a começar pelo próprio Gulácsi, apesar da falha nesta quinta. E as atenções se voltam ao projeto de craque que veste a camisa 10. Szoboszlai chegará à Euro com o pé na porta. Em sua segunda participação consecutiva no torneio, a Hungria estará no Grupo F, o mesmo de Portugal, França e Alemanha.