O Coritiba calou a multidão em Córdoba para arrancar uma classificação que parecia impossível

Com uma atuação marcante do goleiro Wilson nos pênaltis, o Coxa estragou a festa dos 57 mil torcedores do Belgrano no Mario Kempes

Soava como uma missão praticamente impossível. O Coritiba viu dentro da própria casa a festa dos quase quatro mil torcedores do Belgrano presentes no Couto Pereira, que cantaram do primeiro ao último minuto e comemoraram a vitória por 2 a 1 no jogo de ida. Em Córdoba, o Coxa teria que encarar a pressão de 57 mil fanáticos albiazules nas arquibancadas do Estádio Mario Kempes, precisando da vitória. A equipe de Paulo César Carpegiani, no entanto, ignorou as improbabilidades. Jogou melhor na Argentina e fez por merecer o triunfo por 2 a 1, que levava a decisão para os pênaltis. Já na marca da cal, brilhou o veterano Wilson. Pegou duas cobranças, além de converter a última dos alviverdes, garantindo a vitória por 4 a 3 e a classificação para as quartas de final.

VEJA TAMBÉM: Danilo foi o paredão que barrou o ‘Rey de Copas’ e fez a Chape reavivar seu sonho de América

A atmosfera em Córdoba era fantástica. As arquibancadas coloridas em azul e branco se prepararam para um enorme recebimento, com fumaça e também centenas de luzes acesas. Os visitantes, porém, marcavam presença. Não invadiram a cidade argentina da mesma forma como aconteceu em Curitiba, mas algumas dezenas de alviverdes se misturavam na multidão pirata. Ao final, puderam gritar mais alto.

A situação do Coritiba parecia perdida aos 29 do primeiro tempo. Criando as melhores chances, o Belgrano abriu o placar e aumentava para 3 a 1 a vantagem no agregado. Claudio Bieler marcou um verdadeiro golaço, emendando de bicicleta após cobrança de escanteio. Levou à loucura a multidão no Mario Kempes. Porém, a resposta do Coxa foi imediata. Instantes depois, Alan Santos carimbou a trave. Já aos 40, Iago buscou o empate de cabeça. Havia jogo. Os visitantes precisavam de apenas um gol.

Wilson salvou o segundo do Belgrano no início do segundo tempo. E a virada aconteceu aos 19, em outra bola aérea, com Nery Bareiro completando cobrança de escanteio. O Coritiba conseguia equilibrar a partida, mesmo sem criar novas oportunidades. Ao final, a tensão levou o jogo para os pênaltis.

De novo, tudo parecia conspirar contra o Coxa. Leandro cobrou o primeiro pênalti no meio do gol, em fácil defesa de Juan Carlos Olave. Já na sequência, os batedores começaram a acertar o pé. Até Wilson aparecer para decidir na quarta cobrança do Belgrano. O veterano pegou o chute de Luna e empatou a disputa. Depois, bateu no cantinho e converteu o seu, com uma imensa calma para colocar os alviverdes em vantagem. E, no décimo tiro, segurou o chute de Gastón Suárez, selando a classificação. Destaque também para a postura da torcida da casa, que respeitou a derrota e aplaudiu os adversários, apesar da frustração.

O jogo serve para colocar em evidência Wilson. O goleiro pode não ser perfeito em todos os seus fundamentos, mas possui sua regularidade e vem sendo importante para o Coritiba faz algum tempo. Sem tanta badalação, merece o devido reconhecimento. Enquanto isso, Paulo César Carpegiani dá sequência a sua boa passagem pelo Couto Pereira. Desde que o treinador assumiu a equipe, em agosto, os alviverdes deixaram a zona de rebaixamento no Brasileiro e avançaram em duas fases da Copa Sul-Americana.

Nas quartas de final do torneio continental, o Coritiba terá uma pedreira. Pega o Atlético Nacional, atual campeão da Libertadores, embora tenha sofrido algumas modificações desde então. Independente disso, o favoritismo é do time de Reinaldo Rueda, mas os coxas-brancas já demonstraram saber lidar com a falta de expectativas. A questão será mais sobre como tratar as prioridades, sem poder se descuidar da luta pela permanência na Série A do Brasileirão.