O jogo aconteceu em um campo desconhecido para o Corinthians. Ainda assim, os alvinegros se sentiram em casa no Estádio Luiz Franzini. Tinham o barulho das arquibancadas a seu favor e a própria iniciativa com a bola nos pés, com o Danubio mais interessado em roubar pontos do que fazer valer o seu mando de campo. De qualquer maneira, não foi uma vitória das mais fáceis, especialmente porque alguns problemas não tão novos dos corintianos se repetiram. No fim das contas, valeu o poder de decisão de Paolo Guerrero, principal nome da equipe na vitória por 2 a 1 em Montevidéu.

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O retorno do peruano, aliás, era a principal novidade para o time de Tite. As mudanças de posições entre os meias, que funcionaram muito bem nos últimos dois jogos pela Libertadores, não se repetiriam de maneira tão constante. Entretanto, o Corinthians recuperou a sua principal referência ofensiva. O jogador que mais fez diferença para o time no último ano. O problema é que, como de costume no final da passagem anterior de Tite ou com Mano Menezes, os alvinegros tinham a bola, mas não eram tão criativos com ela. Faltava uma fluidez maior para abrir a defesa do Danubio, muito bem postado.

Apesar do controle do jogo, o Corinthians criou muito pouco durante o primeiro tempo. A melhor chance aconteceu em uma enfiada de bola para Guerrero, em que o centroavante poderia ter finalizado, mas acabou puxado pelo marcador – e não teve o pênalti marcado pela arbitragem. No mais, Jadson e Elias não apareciam tão bem no apoio ao ataque como nas partidas anteriores. Apenas Renato Augusto e Emerson tinham um pouco mais de liberdade, abertos pelos lados do campo.

O bom posicionamento do Danubio também dificultava a criação dos passes decisivos pelo Corinthians. A situação só melhorou a partir de meados do segundo tempo, quando o time começou a pressionar mais e a explorar mais as jogadas de linha de fundo. Uma infiltração de Elias permitiu o pênalti desperdiçado por Renato Augusto. Aos 25, Guerrero abriu o placar a partir de um cruzamento de Fágner. Dez minutos depois, Felipe ampliou, aproveitando uma falta cobrada por Jadson. Já nos acréscimos, quando os alvinegros pareciam relaxados pela vitória certa, Barreto descontou com um golaço em jogada individual.

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Faltou ao Corinthians ser um pouco mais agressivo em campo, diante do domínio que tinha. Algo compreensível para um time que atua dentro de casa. Contra um adversário frágil como o Danubio, mesmo que determinado taticamente, bastou aos corintianos aumentarem a intensidade para o resultado sair. A questão maior, contudo, fica sobre o estilo da equipe. Se quer repetir o “Tite-taka” das partidas sem Guerrero, com as transições dos meias, ou ficar mais em função de seu jogador mais decisivo.

Dá para buscar um meio termo. Guerrero não tem a inteligência para ocupar espaços e abrir avenidas como Danilo, quando o veterano atua como referência. Contudo, também possui boa mobilidade para permitir as subidas dos meio-campistas do time, como demonstrou no próprio clássico com o São Paulo pelo Paulistão. Algo a se ajustar, mas que está longe de ser um problema para Tite. Especialmente porque a classificação na Libertadores está encaminhada.

Mais importante do que vencer os três primeiros jogos da fase de grupos foi a conquista de seis pontos fora de casa. Enquanto o triunfo sobre o San Lorenzo serviu como um impulso extra, o bom resultado contra o Danubio garante mais tranquilidade, ainda que a conquista da vitória no Uruguai fosse esperada pela maioria.  Serviu, principalmente, para aumentar a confiança do Corinthians e apontar alguns caminhos a se observar para a sequência da competição.