Além das qualidades ofensivas, amplamente documentas na rede mundial de computadores e nos jornais esportivos, o que mais chama a atenção do atual time do Corinthians é a crença de que uma hora o gol necessário para a vitória aparecerá. De alguma maneira, aparecerá. É algo quase religioso, mas não tem nada a ver com fé. Tem a ver com a qualidade coletiva de uma equipe muito bem treinada, muito bem administrada, e ciente de suas qualidades e defeitos.

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Foi assim, na noite desta quarta-feira, na vitória por 1 a 0 contra o Independiente, fora de casa. A partida estava equilibrada, bem jogada, com chances para os dois lados. Nenhuma muito clara. A defesa corintiana nem foi tão segura quanto costuma ser. Aos 35 minutos do segundo tempo, com o placar ainda zerado, Matheus Vital acertou um bom cruzamento. A bola bateu na nuca de Jadson. Campaña fez o movimento para realizar a defesa, mas espalmou na própria trave. Gol do Corinthians.

Muitas vezes esses gols corintianos parecem sair por acaso. O famoso gol “achado”. Mas este Corinthians os acha com tanta frequência, sempre que precisa, que é mais provável que ele sempre soubesse onde eles estavam. Não é sorte porque sorte constante tem outro nome. É o fim de um processo de uma equipe que raras vezes se apressa, raras vezes toma a decisão errada no campo de ataque. Tem a questão emocional bem calibrada, com a pilha no ponto certo para as partidas importantes.

É um time tranquilo, sempre no controle, mesmo que esteja sendo pressionado. Recupera a bola, aciona suas armas e faz um feijão com arroz bem temperado. Não marca mais vezes porque falta muita qualidade individual nos seus jogadores, ainda falta um atacante com mais ansiedade para colocar a bola para dentro. Caso no fim do processo o gol não apareça, o tratamento correto é como exceção. Nunca a regra.

Essa falta de qualidade apareceu algumas vezes contra o Independiente. Maycon teve uma chance, mas chutou fraco. Clayson estragou boas situações. Romero arrancou sozinho desde o meio campo e também pecou na hora da finalização. E, enquanto a jogada certa não aparece, o talento no outro lado do gramado compensa. Cássio saiu do gol na hora perfeita para cortar um cruzamento de Menéndez que tinha direção certa.

Apesar de, contra o Independiente, a defesa corintiana não ter sido a rocha que costuma ser. Antes do gol de Jadson, Gigliotti teve uma ótima oportunidade. Recebeu com espaço dentro da área. Mas, na hora de finalizar, mostrou por que não é um atacante de muitos recursos: pegou na orelha da bola e mandou para fora. Meza, em jogada parecida, foi travado pela defesa. E quase marcou, aos 41 da etapa final, mas o lance foi equivocadamente anulado. Havia três atletas de vermelho realmente impedidos na jogada. Menos o que fez o gol.

O resultado foi excepcional para o Corinthians. Já são quatro pontos fora de casa, inclusive no jogo teoricamente mais difícil do grupo, contra o Independiente em Avellaneda. Com sete e a liderança da sua chave, a classificação às oitavas de final parece tranquila. Como esta equipe treinada por Fábio Carille.


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