A Liga Europa se transforma em um universo paralelo ao Arsenal neste final de temporada. Os Gunners acumulam resultados excelentes na competição continental e se aproximaram da final, ao baterem o Valencia na última quinta-feira. No entanto, as rodadas recentes da Premier League guardaram pesadelos recorrentes ao time de Unai Emery. As derrotas para Crystal Palace, Wolverhampton e Leicester, cada uma ao seu estilo, tinham gerado muitos lamentos. E desta vez a decepção aconteceu diante da torcida no Emirates, com um desanimador empate diante do Brighton. Mesmo já salvos do rebaixamento, os visitantes fizeram uma partida aberta e arrancaram a igualdade por 1 a 1. Pior aos londrinos, que bateram a cabeça durante boa parte do jogo e agora dependem de uma combinação improvável para entrar no Top Four.

Os primeiros minutos pareciam indicar um passeio do Arsenal. Os anfitriões partiram com tudo e martelavam contra a meta adversária. Henrikh Mkhitaryan acertou a trave no primeiro ataque, e, diante da insistência, a arbitragem assinalou um pênalti bem discutível aos oito minutos. Pierre-Emerick Aubameyang pegou a bola e converteu. O problema é que o bom início dos Gunners não se manteve. O time relaxou e o Brighton começou a expor as conhecidas fragilidades da defesa adversária. Entre as saídas erradas de Bernd Leno e outros deslizes, os visitantes provavam que não seriam presas fáceis.

Somente nos minutos anteriores ao intervalo é que o Arsenal recobrou suas forças. Poderia ter ampliado a vantagem, não fosse Mat Ryan. O goleiro do Brighton parecia intransponível e realizou três defesas bem difíceis. As intervenções contra Aubameyang, Mkhitaryan e Shkodran Mustafi permitiriam que o jogo mudasse bastante no segundo tempo. Afinal, as Gaivotas tentaram equilibrar as ações e também tiveram um pênalti igualmente contestável assinalado a seu favor. Melhor para Glenn Murray, que deixou tudo igual aos 16 minutos.

A partir de então, a necessidade pela vitória se impunha ao Arsenal. E os Gunners não saberiam como lidar tão bem com a pressa. Aceleravam no campo de ataque, mas não conseguiam criar oportunidades tão boas. Foram 11 finalizações nos 25 minutos finais. No máximo, Aubameyang mandou para fora um voleio e Shane Duffy fez um corte salvador quando Alexandre Lacazette parecia pronto a marcar. De qualquer maneira, o empate foi lucro aos londrinos. O lance mais inacreditável durante o fim da partida aconteceu ao Brighton. Solly March forçou uma defesa fantástica de Leno e, com a meta aberta, Pascal Gross fez o mais difícil ao isolar o rebote. Um erro, de certa forma, só prolonga a angústia dos oponentes até a rodada derradeira.

Após o apito final, ainda houve uma homenagem a Aaron Ramsey e Petr Cech. Os dois se despedem do Emirates nesta temporada – o galês, lesionado, antes de rumar à Juventus, e o goleiro, na reserva, às portas da aposentadoria. Apesar da gratidão que merecem, o desanimo era evidente entre jogadores e torcedores. Cech ao menos poderá liderar a campanha até a final da Liga Europa, um justo prêmio à sua grande carreira.

O péssimo final de campanha custa muito caro ao Arsenal. Com uma vitória nas seis rodadas anteriores, o time estacionou com 67 pontos. Está na quinta colocação, a três pontos do Tottenham. Para ultrapassar os rivais, os Gunners ainda precisam tirar uma diferença de oito gols no saldo durante o último compromisso – encarando o Burnley fora de casa, enquanto os Spurs recebem o Everton. Não vai acontecer. Restará ao time de Unai Emery depositar todas as suas fichas na Liga Europa, última esperança concreta de ir à Champions.

De quebra, o empate no Emirates garantiu o Chelsea na Liga dos Campeões. Os Blues precisam agradecer ao Brighton, que apresentou um futebol pobre na temporada, mas resolveu atuar com coragem desta vez e saiu de Londres como um moleque travesso. A salvo após a derrota do Cardiff City neste sábado, a equipe ocupa o 17° lugar, com 36 pontos.