Cinco partidas depois, o objetivo está cumprido. O Chile volta a uma final de Copa América após 28 anos e, dentro de casa, com aquela que é considerada uma das melhores gerações de sua história, tem a grande chance de conquistar o título inédito. Sem dúvidas, o time de Jorge Sampaoli tem jogado bem e faz por merecer a campanha. Ainda que a arbitragem, mais branda com a Roja, tire um pouco da legitimidade do feito. Em um clássico tenso e de peso nas semifinais, o Peru encarou os donos da casa nos olhos. Os peruanos fizeram um jogo duríssimo e poderiam muito bem ter saído com a vitória. Mas saem com suas reclamações do juiz. Com a vitória por 2 a 1, o Chile espera Argentina ou Paraguai na decisão do próximo sábado.

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Desde antes do início do jogo, Jorge Sampaoli e Ricardo Gareca fizeram um jogo de xadrez. O técnico do Chile tentou reforçar a marcação pelos lados do campo, enquanto o do Peru tirou Claudio Pizarro do ataque para apostar na velocidade com André Carrillo. E, ao menos nos primeiros minutos, a tática do antigo comandante do Palmeiras dava certo. Os peruanos conseguiam se impor no ataque e poderiam muito bem ter aberto o placar, inclusive carimbando a trave em finalização de Jefferson Farfán.

Entretanto, o Peru não pôde manter a pressão sobre o Chile. Nos dois únicos cartões mostrados pelo árbitro José Argote, Carlos Zambrano deixou seu time com dez homens. A expulsão do zagueiro peruano é defensável, com uma falta passível de cartão no primeiro lance e uma solada no segundo, rendendo o vermelho direto. Só que o rigor do juiz venezuelano se coloca em questão. Especialmente porque os chilenos protagonizaram lances tão duros quanto, como o dedo de Vidal no rosto do próprio Zambrano, e não foram punidos. A falta de critério incomodou os peruanos, ainda mais quando o histórico do Chile nesta Copa América é de expulsões a seu favor.

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Com um a mais, o Chile aproveitou o baque dos rivais e passou a pressionar. As chances começavam a aparecer, principalmente com Valdívia, que chamava a responsabilidade e, além de criar, também finalizava. De tanto tentar, o gol saiu aos 42 minutos. Em um cruzamento que ninguém completou e esbarrou na trave, Eduardo Vargas aproveitou a confusão na área para completar às redes, em um lance chorado. Por alguns centímetros, o atacante chileno estava impedido no início da jogada.

Só que, se um bandeira errou de um lado, seu companheiro descompensou com outro erro logo no início do segundo tempo, anulando um gol legal do próprio Vargas. E o intervalo ajudou o Peru a recuperar sua concentração. Apostando principalmente nas bolas paradas, com Guerrero e Farfán chamando a responsabilidade, os visitantes pareciam não sentir a desvantagem numérica. A ponto de buscarem o empate aos 15 minutos. Em uma jogada que começou com uma roubada de bola de Carlos Lobatón, Guerrero preparou para a subida de Advíncula na ponta direita. E o cruzamento do lateral acabou no gol contra de Medel.

Para sua sorte, o Chile conseguiu responder apenas quatro minutos depois. Guerrero perdeu a bola no campo de defesa e seu erro acabou sendo capital, somando às outras falhas do time. Eduardo Vargas arriscou de fora da área e acertou um chutaço, contando com o péssimo posicionamento do goleiro Pedro Gallese para estufar as redes. O que os chilenos precisavam para não perder o controle da partida.

O Peru demonstrava uma valentia tremenda. Gareca tentou colocar o time no ataque, com Pizarro e Yotún saindo do banco. Todos se entregavam na marcação, tentando puxar os contra-ataques, ainda que os chilenos matassem o jogo na intermediária. Enquanto isso, o time de Sampaoli trabalhava muito bem os passes e até teve chances de matar em um contragolpe, defendido Gallese. Se não errou mais de maneira decisiva, o árbitro parecia ser condescendente com as táticas dos chilenos para gastar o tempo, assim como parava demais o jogo em faltas nem sempre existentes. Para a comemoração da Roja ao apito final.

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Sem dúvidas, o Chile tem time para ser campeão da Copa América. No papel, é inferior à Argentina, mas ninguém jogou um futebol melhor que os anfitriões nesta competição. Nesta segunda, sobretudo, a eficiência de Eduardo Vargas se combinou muito bem com a criação de Valdívia, enquanto Aránguiz ajudou demais a abrir espaços. Só que o Peru merecia mais sorte, por toda a entrega que teve. Como consolo, fica a decisão do terceiro lugar.

Mas, no fim das contas, a discussão sobre a arbitragem desgasta não só o Chile ou o jogo, mas a Copa América como um todo. Você tem o direito de concordar ou não com as decisões do juiz, é seu direito sobre as interpretações. De qualquer forma, as próprias denúncias sobre a Conmebol deixam uma névoa. Se já era difícil confiar plenamente antes, o atual cenário aumenta a incredulidade. Por mais que o Chile mereça a classificação, e poderia muito bem estar na final independente das decisões dos homens de preto, ficam as reticências. Infelizmente, sobre o time que vem apresentando mesmo o futebol mais ofensivo do torneio.