Anfield já tinha recebido uma partida de tirar o fôlego. Liverpool e Chelsea fizeram o primeiro duelo pelas semifinais da Copa da Liga Inglesa parecer Champions League, com o empate por 1 a 1. Pois o Stamford Bridge acabou premiado com um confronto ainda melhor nesta terça-feira. Apesar do placar zerado durante os 90 minutos iniciais, Blues e Reds protagonizaram uma partida mais intensa e equilibrada. Mas, no fim das contas, pesou uma das virtudes da equipe de José Mourinho: a bola parada não falhou no tempo extra, ratificando a passagem à final com o triunfo por 1 a 0, gol de Branislav Ivanovic.

Se no primeiro jogo o Chelsea esteve mais contido na defesa, desta vez os anfitriões fizeram as honras da casa. Com força máxima em seu setor ofensivo, o time de Mourinho saiu em busca da pressão desde os primeiros minutos. O que não significava que o Liverpool ficaria contido em seu campo de defesa só por ser o visitante. Também com seus titulares em campo, a equipe de Brendan Rodgers explorava bastante a velocidade que lhe é tão característica. Lucas Leiva era um paredão na cabeça de área, enquanto Philippe Coutinho desnorteava os defensores azuis. Os Reds tiveram as melhores oportunidades durante a primeira etapa, mas pararam outra vez nas grandes defesas de Thibaut Courtois, o herói no primeiro encontro. Na melhor delas, desviou com os pés a finalização no mano a mano de Coutinho (veja o Vine).

O jogo não deixava de ter lances ríspidos. A vontade era tanta que, em um choque com John Terry, Cesc Fàbregas precisou ser substituído no começo do segundo tempo. A ausência de seu principal garçom, contudo, não atrapalhou o Chelsea de tomar de vez as rédeas da partida para si. Nas pontas, Eden Hazard e Willian tinham atuações espetaculares, mas viam também Simon Mignolet crescer do outro lado. O goleiro do Liverpool chegou mesmo a desarmar Diego Costa com um carrinho dentro da área, em intervenção vital (veja o Vine). Já do lado de fora, a torcida da casa vibrava muito mais do que de costume, talvez uma resposta à provocação de Mourinho na última semana. Com o apoio das arquibancadas, a festa estava completa.

Nenhum dos lados queria levar a partida para a prorrogação. Por isso mesmo, os minutos finais foram de pura correria. Velocidade máxima, mas não descoordenada, com os ataques explorando principalmente as pontas. As defesas, ainda assim, continuaram se sobressaindo até o apito final. Por causa do bizarro regulamento da competição, o Chelsea teria a vantagem do 0 a 0 no tempo extra, por causa do gol fora de casa anotado em Anfield. Não significava que os Blues se fechariam na defesa.

O lance decisivo saiu logo aos três minutos. Em uma cobrança de falta açucarada de Willian, Ivanovic aproveitou o desleixo de Balotelli na marcação e cabeceou com força. Apesar do gol sofrido, o Liverpool não via sua situação mudar tanto, ainda precisando anotar um gol. Porém, o Chelsea soube muito bem amarrar a partida, prendendo a bola e travando os adversários com faltas. Diego Costa (que já tinha pisado em Skrtel e Can, sem que o árbitro visse) chegou a se estranhar com Steven Gerrard, recebendo cartão amarelo, mas nada que prejudicasse os Blues. No fim, bastou a Hazard gastar o tempo para que a equipe consumasse a classificação.

A partida, sobretudo, valoriza a Copa da Liga Inglesa. Em um jogo que lembrou os tempos de maior rivalidade entre o primeiro Chelsea de Mourinho e o Liverpool de Rafa Benítez, a vitória dos londrinos mostra a sua gana em buscar o máximo de títulos na temporada. Os Reds, por outro lado, também saem de cabeça erguida, apresentando um futebol que, se repetido com mais frequência, poderá levá-los bem mais longe na Premier League. Os maiores vencedores, no entanto, foram os torcedores. Azuis, vermelhos ou aqueles que sequer tinham preferência por qualquer um dos lados, pelo jogaço que se desenrolou em Stamford Bridge.