Javier Zanetti é um patrimônio não só da Internazionale, mas do futebol. O jogador de quase 40 anos ficará ausente dos campos até os meses de outubro ou novembro de 2013, e não haverá como sentir falta dele, que está prestes a se aposentar. Seria bom vê-lo atuar o máximo possível antes de pendurar as chuteiras, mas uma ruptura do tendão de Aquiles não permitirá. Para a Inter, a ausência de Zanetti sem dúvidas será sentida, mas, ironicamente, pode ser um marco para a renovação da equipe.

O capitão da Inter estava longe de ser um empecilho na renovação. Pupi Zanetti jogava praticamente todos os jogos antes de lesionar não porque tinha poderes secretos no vestiário, mas porque estava bem fisicamente e também pela sua experiência e qualidade. Sempre foi um dos jogadores mais regulares do time, nas fases boas e nas ruins. Em momentos de crise, como o atual, ajudava a equipe a manter o controle em campo. Agora, a Inter terá de viver sem isso. E terá que passar por um tratamento de choque.

Faltam quatro jogos para o fim da temporada e dificilmente a Inter conseguirá iniciar este tratamento agora. Afinal, além de Zanetti, outros catorze jogadores estão fora de ação e, o banco do time está repleto de garotos – muitos deles nem serão agregados ao time principal ano que vem.

Será a hora que gente como Ranocchia, Juan, Kovacic, Benassi e Álvarez deverão aparecer mais, com um pouco menos de responsabilidade, mas com a possibilidade concreta de se classificar à Liga Europa, mas com tabela complicada: Napoli (fora), dois confrontos diretos em casa, contra Lazio e Udinese, e a visita a um Genoa que luta contra o rebaixamento. No entanto, o tratamento de verdade só deve começar na próxima temporada, com ou sem vaga europeia.

Sem Zanetti, Stramaccioni perderá uma blindagem essencial em momentos ruins. Nestes momentos, Zanetti sempre apareceu para falar publicamente e acalmar os ânimos do elenco. Sem ele em campo, isso poderá caber a Cambiasso, mas haverá a possibilidade de que líderes mais jovens apareçam no elenco. Jovens como Kovacic e Handanovic (este, com mais experiência) já mostraram personalidade e podem ganhar mais voz nos vestiários e em campo. O novo capitão da equipe será, muito provavelmente, Ranocchia. Este, na nova função, poderá voltar a seus melhores tempos, em que falhava muito pouco e era impecável em desarmes e nas jogadas aéreas.

Enquanto isso, Zanetti poderá trabalhar nos bastidores, como deve fazer no futuro. Já se imagina que ele assumirá um cargo diretivo na Inter – quiçá, a presidência. Terá tempo para colocar isso em prática durante a sua recuperação, porque sua palavra vale muito e tem sido praxe na Inter que ex-jogadores assumam funções no clube.

A Inter também poderá se preparar para o pós-Zanetti com um pouco mais de tranquilidade. E, necessariamente, terá de ir ao mercado na próxima janela de transferências para contratar um jogador para ser titular – fala-se muito em Peruzzi (Vélez), Jung (Eintracht Frankfurt), van der Wiel (PSG) e van Rhijn (Ajax). Independentemente de quem chegue, as comparações serão muitas, mas ao menos o novo lateral direito da Inter terá ao menos três ou quatro meses de futebol sem uma sombra do tamanho do Trator, um dos maiores ídolos da história da equipe azul e preta.

Pallonetto

– O segundo turno da Lazio é péssimo. A equipe biancoceleste somou apenas 13 pontos neste período – apenas Parma e o virtual rebaixado Pescara fizeram menos. A principal causa para isto é a falta de produção do ataque, que teve Klose lesionado por mais de 10 rodadas: Lazio, Parma e Chievo, com apenas 12 gols feitos, tem o segundo pior ataque do returno. Não é à toa que o time caiu de 2º para 8º neste período.

– O mítico técnico Arrigo Sacchi deu uma dica à Juventus de Antonio Conte, que precisa de apenas um ponto para ser bicampeã italiana: “o time não precisa de um ‘jogador top’, basta ter como exemplo o Borussia Dortmund”.

–  Seleção Trivela da 34ª rodada: Viviano (Fiorentina); Burdisso (Roma), Benatia (Udinese), Chiellini (Juventus); Cuadrado (Fiorentina), Ilicic (Palermo), Dzemaili (Napoli), Flamini (Milan), Ljajic (Fiorentina); Osvaldo (Roma), Pazzini (Milan). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).