Entre 1997 e 2004, o River Plate conquistou sete taças do Campeonato Argentino – metade dos torneios semestrais disputados durante o período. O Monumental de Núñez aplaudiu craques, viu o surgimento de prodígios, festejou linhas ofensivas marcantes. Porém, o desejo pelo tri da Libertadores não se consumou tão cedo. Mesmo favoritos, os millonarios sequer conseguiram retornar à decisão na virada do século. Depois do título continental em 1996, o clube emendou dez aparições consecutivas nos mata-matas. Caiu quatro vezes nas semifinais, quatro nas quartas e mais duas nas oitavas. O River serviu muito mais para consagrar classificações históricas de adversários como o Vasco, o Palmeiras, o São Paulo e o Boca Juniors.

Dentre os bons times que o River Plate montou neste período, um dos mais emblemáticos contava com um trio ofensivo talentoso: Pablo Aimar, Javier Saviola e Juan Pablo Ángel. Três jovens que voavam baixo e arrebentavam defesas adversárias, emendando os títulos do Apertura 1999 e o do Clausura 2000. Faltou só a Libertadores para confirmar a capacidade dos garotos.

A lacuna do título naquele intervalo, porém, não quer dizer que o River Plate não protagonizou grandes exibições pela competição continental. E é este o gancho que ressurge nesta quinta-feira, às vésperas do primeiro confronto dos argentinos contra o Cerro Porteño. A única vez que os dois times se pegaram nos mata-matas da Libertadores até então aconteceu em 2000, pelas oitavas de final. Justamente o auge do trio.

Em Assunção, o River Plate goleou por 4 a 0 já na partida de ida. O Cerro Porteño tinha alguns bons nomes, como Aldo Bobadilla, Estanislao Struway e Jorge Luis Campos, todos com história na seleção paraguaia. Nada que se comparasse ao timaço de Roberto Bonano, Diego Placente, Eduardo Coudet, Eduardo Berizzo e, claro, os “Três Fantásticos”. Aimar abriu o placar e distribuiu passes milimétricos naquela noite. Ángel marcou duas vezes, com todo o seu faro de gol. Ao final, o passeio foi concluído por uma pintura de Saviola. Era bom ver aquele River jogar.

Na volta, o técnico Américo Gallego (que substituíra Ramón Díaz meses antes) se deu ao luxo de poupar forças no Monumental de Núñez. Mesmo assim, o River Plate concluiu seu serviço com mais uma vitória, por 1 a 0, gol de Martín Cardetti. O favoritismo terminaria interrompido na fase seguinte, nas quartas de final, em histórico embate contra o Boca Juniors. Não deu para competir contra Riquelme e Palermo, em noite na qual os dois ídolos xeneizes resolveram se transformar em lendas. Ainda assim, a força dos millonarios no período ajuda a valorizar o feito dos boquenses rumo à taça.

Logo o trio se desmancharia. Em janeiro de 2001, Aimar passou a fazer mágica com o Valencia e Ángel ofereceu seus gols ao Aston Villa, enquanto Saviola chegou ao Barcelona no segundo semestre. Exceção feita ao colombiano, os outros dois voltaram ao Monumental e participaram da campanha do título da Libertadores em 2015 – ainda que Aimar acabasse se aposentando durante a campanha, por conta das lesões. Foram meros figurantes, mas ao menos tiveram uma justiça à idolatria que haviam construído naquela marcante virada de século.