O Ceará, pela segunda vez em sua história, pinta a Copa do Nordeste de alvinegro. O Vozão conquistou o título da Lampions League com uma excelente campanha. Eliminou o Vitória nas quartas, prevaleceu no clássico contra o Fortaleza pelas semifinais e, nesta terça-feira, confirmou o feito com o segundo triunfo sobre o Bahia na decisão. Depois da virada por 3 a 1 no final de semana, os cearenses voltaram a se dar melhor no Pituaçu e derrotaram o Tricolor por 1 a 0. Grandes méritos de Guto Ferreira, que levou o Ceará ao bicampeonato invicto.

O resultado na primeira partida deixava a situação confortável ao Ceará. O Bahia precisava tomar a iniciativa e o Vozão apareceu muito bem armado para evitar a pressão. Os cearenses diminuíam o ritmo quando pegavam a bola e também protegiam bastante os arredores de sua área. As principais tentativas dos tricolores ao longo do primeiro tempo se limitaram a chutes de longe. Ainda houve a reclamação de um pênalti após toque de mão de Fabinho dentro da área. A bola desviou no antebraço do alvinegro e o lance foi revisado pelo VAR, mas a arbitragem não marcou a infração.

O Bahia voltou ao segundo tempo com duas alterações, mas não viu as mudanças surtirem efeito e cedeu o resultado logo aos 15 minutos. Coube a Cléber anotar o gol do título do Ceará, a partir de um contragolpe. Leandro Carvalho avançou e abriu com Bruno Pacheco na esquerda. O cruzamento veio mascado, mas Cléber apareceu no meio da área para concluir. O atacante, que substituiu Rafael Sóbis durante a reta final da campanha, virou talismã.

Com a desvantagem, a missão do Bahia se tornou ainda mais difícil e o Vozão controlou a situação, sem tantos perigos à meta de Fernando Prass. Faltava organização aos baianos, um tanto quanto desesperados para conseguir os três gols necessários. Foi uma conquista garantida pelo empenho dos alvinegros sem a bola e pela segurança na marcação. Os tricolores, que já tinham apresentado dificuldades na criação anteriormente, precisaram aceitar o revés.

Se antes Bahia e Fortaleza poderiam ser vistos como potenciais favoritos ao título da Copa do Nordeste, o Ceará fez valer o seu alto investimento para 2020. Montou uma equipe experiente, competitiva e que soube se portar nos grandes jogos. Além disso, Guto Ferreira eleva seu moral ao ser o grande responsável pelo sucesso. É o segundo título do treinador no Nordestão, após faturar a taça com o próprio Bahia.

O Ceará, campeão em 2015, volta a se consagrar cinco anos depois – e mantém a taça no estado, após o título do rival Fortaleza na edição anterior. A equipe campeã fecha a campanha sem derrotas, com o melhor ataque e com a melhor defesa. A torcida do Bahia pode reclamar do pênalti negado, que talvez mudasse a história do jogo, mas a superioridade da estratégia do Vozão foi clara. Ganhou o time que lidou melhor com os embates decisivos e que parece pronto para encarar o Brasileirão. A eficiência e a consistência são bons presságios a um caminho sem sobressaltos na Série A.