A Football Association deu um importante passo na reestruturação da seleção inglesa. Com direito à presença da realeza britânica, foi inaugurado na última semana o St. George’s Park National Football Centre, novo quartel general do English Team. Localizado na região de Birmingham, o centro de treinamentos custou cerca de € 125 milhões e conta 12 campos de treinamento, além de hotel, ginásios e instalações modernas.

A abertura de St. George’s Park foi recebida com bastante entusiasmo na Inglaterra. O capitão Steven Gerrard chegou a dizer que, “com o melhor estádio e o melhor CT do mundo, não temos mais desculpas para os fracassos no futuro”. O local é visto como um ponto agregador entre as seleções de base inglesas e a equipe principal, realizando um trabalho mais consistente com os jogadores.

De fato, a estrutura representa uma evolução para o English Team, algo que acontece até com certo atraso. Discutido pela primeira vez na década de 1970, o projeto começou a ganhar força no início dos anos 2000, mas a reconstrução de Wembley fez com que a FA só autorizasse as obras em 2008. No entanto, St. George’s Park precisa ser visto com mais cautela. Não é a modernização que criará esquadrões. Contrapondo-se à euforia, Roy Hodgson ponderou: “Centros de treinamento não garantem próprias um time melhor. O que te ajuda a melhorar é o trabalho que você faz nele. Agora temos essa chance”.

Os dois principais nortes dos ingleses no desenvolvimento da ideia foram Clairefontaine, casa da seleção francesa desde 1988, e a Ciudad del Fútbol, que passou a abrigar as equipes nacionais da Espanha a partir de 2003. O fato de que ambos os países conquistaram a Copa do Mundo anos depois é apontado como garantia de sucesso. Contudo, dizer que St. George’s Park seria o elemento para recuperar o alto do pódio em um Mundial é analisar as mudanças com demasiada superficialidade.

A criação de um centro de treinamentos ultramoderno possui alguns benefícios pontuais. O imediato é uma preparação mais qualificada das seleções no local. A partir disso, é possível esboçar um plano de longo prazo para alinhar a filosofia das equipes. Os times de base da Inglaterra até contam com um bom desempenho nos campeonatos europeus, mas a sequência dos atletas rumo ao elenco principal é debilitada – algo que Roy Hodgson já tinha dado sinais melhora. Um padrão tático poderá ser trabalhado para facilitar a transição entre diferentes categorias e, assim, aprimorar as noções dos mais jovens.

Outro ponto positivo, e talvez mais importante que o anterior, é a formação de treinadores prevista para acontecer no CT. Este processo não pode ser pensado apenas para o profissionalismo, voltando-se mais para as raízes do futebol inglês. Através de uma preparação mais qualificada, os futuros treinadores poderão trabalhar melhor o desenvolvimento da base, um dos maiores entraves no futebol inglês.

A FA já deu passos importantes para reformular o espaço dado a jovens jogadores no país, através do Elite Player Performance Plan (EPPP), aprovado pelos 72 clubes membros da Football League há um ano. Dentro do plano, foi criada a Premier League sub-21 e estabelecidas as regras sobre os “homegrown players” (atletas formados no próprio país). Tais medidas ajudam a dar mais espaço a quem finaliza sua passagem pela base, antes bem mais sufocado pela invasão de jogadores estrangeiros no país.

Todavia, mais do que isso, a federação precisa influenciar mais os processos iniciais de formação. E ao menos o EPPP ajuda a dar alguns passos nessa direção. Primeiro, aboliu a regra dos “90 minutos”, que impedia que jogadores menores de 18 anos assinassem com clubes aos quais morassem mais de 90 minutos de distância do CT. Além disso, criou a Liga de Desenvolvimento Profissional, que permite um maior intercâmbio competitivo entre as categorias de base dos clubes.

Ainda há alguns pontos questionáveis no EPPP que precisam ser aprimorados. A FA divide os clubes em quatro categorias, conforme a avaliação da estrutura de suas divisões de base. De certa forma, a postura elitiza a formação com maior apoio às melhores cotações, enquanto o contrário deveria ser feito. A entidade deve buscar um maior enraizamento da preparação de jogadores, principalmente abaixo dos 15 anos, quando a qualidade técnica pode ser trabalhada com maior facilidade.

Talvez os € 125 milhões gastos com St. George’s Park fossem mais bem usados dentro desses processos iniciais, mas a criação de um centro de treinamentos modernos também estava entre as necessidades da Football Association. O local, porém, não pode ser visto como a solução de todas as carências apresentadas pela Inglaterra nas últimas décadas. É a cereja de um bolo que precisa de mais fermento para crescer.

Curtas

– Com a pausa internacional, as atenções se concentraram com o English Team. E a goleada sobre San Marino pouco significou em termos de resultado além dos três pontos na tabela. Mais importantes foram as impressões deixadas por alguns jogadores. Leighton Baines e Kyle Walker estão prontos para brigar pelas posições na lateral; Danny Welbeck demonstrou excelente poder de finalização; e Wayne Rooney aparece mais maduro, no papel de líder.

– Interessante também foi a dupla formada por Michael Carrick e Tom Cleverley na cabeça de área. Enquanto o veterano proporcionava proteção, o garoto conduzia a saída de jogo do time com eficiência. Foram 165 toques na bola de Cleverley ao longo dos 90 minutos, novo recorde da seleção inglesa.

– Já na África, a boa notícia ficou para o Newcastle. Com a eliminação de Senegal na Copa Africana de Nações, a equipe não perderá Demba Ba e Papiss Cissé em janeiro. Em compensação, Cheick Tioté provavelmente acompanhará a Costa do Marfim no torneio. Yaya Touré, Gervinho, Arouna Koné, Guy Demel, Obi Mikel, Victor Moses, Emmanuel Adebayor, Modibo Maiga e Emmanuel Mayuka são outros que tendem a fazer falta durante a CAN.

– Sobre o Newcastle, vale ver acompanhar a situação sobre o novo patrocínio do clube.