O caso dos Jogos Olímpicos

Anos atrás, Silvio Berlusconi, na época presidente do Milan, declarou que daqui a algum tempo, a Copa do Mundo perderia muito de sua importância e que seriam torneios entre os maiores clubes do mundo que monopolizariam as atenções do futebol. Profética para alguns, pessimista para outros, a afirmação tratava do principal torneio de seleções, se este seria o destino da Copa, imagina o das Olimpíadas.

Na Alemanha, a polêmica começou pouco antes da convocação de Dunga e as coisas pareciam resolvidas. Diego e companhia, mesmo depois do comunicado da Fifa que “obrigava” os clubes a cederem os jogadores com menos de 23 anos para a disputa dos Jogos Olímpicos, obedeceriam a seus clubes e não viajariam para Pequim.

Várias reuniões entre dirigentes, jogadores e treinadores foram feitas para definir o destino dos jogadores. Até que Rafinha, lateral-direito da seleção de Dunga, resolveu falar abertamente. O jogador “peitou” a diretoria do Schalke 04 e foi contundente ao declarar seu desejo de ir às Olimpíadas. “Eles me ameaçaram, me pressionaram, mas eu vou de qualquer jeito. É a minha chance de entrar para a história do futebol brasileiro”.

Talvez sem imaginar a dimensão que o “caso-Olimpíadas” tomaria, o Schalke 04 repreendeu publicamente as declarações de Rafinha e comunicou que poderia rescindir o contrato do jogador, caso ele não se apresentasse para a pré-temporada, na Áustria, fato que não aconteceu. O lateral viajou à Paris e Andreas Muller, manager dos Azuis Reais, apenas declarou “Nós não podemos algemá-lo”.

Pouco depois, o clube manteve sua postura irredutível e ameaçou processar a CBF e também recorrer à Corte Arbitral do Esporte, em Lausanne. Rafinha, mais uma vez através da imprensa, rebateu e disse que ficaria triste se isso acontecesse, mas que propostas não lhe faltariam (o jogador citou um antigo interesse do Liverpool).

A situação já estava em pé de guerra quando as entidades “superiores” realmente responsáveis decidiram falar. O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, colocou fogo na discussão e disse que “o regulamento existe e ele é claro”: jogadores com menos de 23 anos devem ser liberados por seus clubes.

Também a Deutscher Fußball-Bund (DFB) resolveu reagir ao caso: “Se os jogadores não forem liberados para as Olimpíadas, eles podem ser suspensos dos torneios nacionais enquanto o evento estiver acontecendo”.

Por fim, o comandante da Fifa, Joseph Blatter, mandou uma carta oficial reafirmando a obrigação dos clubes de liberarem seus atletas mesmo que não estas datas não existam no calendário da Fifa. O comunicado foi uma resposta à Associação Européia de Clubes (ECA) que através de presidente Karl-Heinz Rummenigge argumenta justamente o contrário.

Neste momento, o caso foi levado às ultimas conseqüências. A Corte Arbitral do Esporte já recebeu  o pedido de Schalke e Werder Bremen contra o Comitê Olímpico Brasileiro e uma decisão terá que acontecer o mais rápido possível. Na queda de braço entre equipes, Fifa e Comitê Olímpico, não seria surpreendente que o CAS desse a razão aos clubes. As Olimpíadas realmente não fazem parte do calendário oficial, mas toda a discussão é um sinal claro de que torneios de seleções podem, um dia, perder seu sentido.

Uma partida e duas estréias

Uma noite de expectativa para duas grandes torcidas da Alemanha: Bayern de Munique, campeão da Bundesliga e da Copa da Alemanha enfrentaria o Borússia Dortmund, o vice do segundo torneio em importância do país.

O interesse não era apenas motivado pelo fato da partida representar um time de pontapé inicial do futebol alemão para a temporada 2008/9. Um bom argumento para assistir ao jogo estava no banco de reservas, os badalados Jurgen Klinsmann e Jurgen Klopp estrearam a frente de suas equipes.

Durante a “decisão” da Supercopa, o Borussia foi claramente mais empenhado. Na primeira etapa criou boas jogadas em velocidade, principalmente pelos lados do campo. O jovem Subotic, grande aposta de Klopp, correspondeu às expectativas iniciais. O croata Petric deu o passe para o primeiro gol, teve uma atuação que surpreendeu sua torcida e deixou o gramado aplaudido. Já Tamas Hajnal, destacou-se tanto pela movimentação, como pela cobrança de falta perfeita que ampliou a vantagem do time de Dortmund.

A partida ainda deixou a impressão positiva de que Rukavina e Kuba Blaszczykowski pela direita, Dede e Buckley pela esquerda são fortes opções ofensivas para o treinador.

O Bayern mostrava-se displicente, como se estivesse em um jogo treino. O ataque formado por Klose e Luca Toni foi improdutivo. O camisa 18 desperdiçou de forma incrível a única boa chance da primeira etapa. Já o italiano pouco fez e deu lugar a Podolski, ao fim do primeiro tempo.

O intervalo mostrava as diferentes intensões da partida. O comportamento de Jürgen Klopp, à beira do campo, era bem diferente do de Klinsmann, motivado e vibrante, enquanto o técnico do Bayern parecia acompanhar uma peneira

A vitória por 2 a 1 e o título da Supercopa não diz muito, mas claro, a temporada começa com um bom resultado para o Borussia Dortmund. Em campo, pelo Bayern, algumas experiências e a sentida falta de Ribery.

As equipes já têm data para um novo confronto: No dia 23 de agosto, Bayern de Munique e Borussia Dortmund enfrentam-se pela segunda rodada da Bundesliga.

Ainda ele

O Bayern parece não ter desistido da contratação do atacante Mario Gomez. Karl Heinz Rummenigge afirmou que o clube continua interessado no jogador.

Com 23 anos, Gomez foi eleito jogador do ano em 2007, na Alemanha. Mas, com a camisa da seleção do país, foi uma das maiores decepções da Eurocopa. O contrato do atacante com o Stuttgart vai até 2012.

Mesmo com uma lista de atacantes que inclui Luca Toni, Lukas Podoslki e Klose, o dirigente garantiu que no máximo em 12 meses, Mario Gomez vestirá a camisa do clube.

Sub 19

A Alemanha nunca foi dos mais tradicionais vencedores em torneios de base. Mas no Mundial Sub 19, a seleção terminou a primeira fase com três vitórias e, nas semifinais derrotou a República Tcheca no último minuto da prorrogação.

O responsável por levar a seleção alemã à final do torneio foi Richard Sukuta-Pasu. A decisão acontece no domingo, contra a Itália.