O Carl Zeiss Jena é um daqueles grandes clubes adormecidos pela queda do Muro de Berlim. O fim do futebol na Alemanha Oriental condenou ao ostracismo os vice-campeões da Recopa Europeia de 1981, donos de três títulos nacionais e quatro copas do antigo país. Desde 1990, com a unificação do campeonato à Bundesliga, o time patrocinado pela empresa de lentes nunca passou da segunda divisão, e hoje luta na quarta – o nível que mais conta com seus antigos adversários na liga alemã-oriental. Pois, ao menos neste domingo, o Carl Zeiss Jena teve a chance de reviver um dos grandes momentos do passado. Chance dada por outro gigante que parece querer adormecer, o Hamburgo, eliminado na Copa da Alemanha.

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Depois de duas temporadas beirando o inédito rebaixamento na Bundesliga, o Hamburgo se renovou de maneira ainda mais dura para esta temporada, liberando alguns veteranos. Só que também não investiu o suficiente para se renovar, e as peças já conhecidas tomaram outro baque. Pior para o técnico Bruno Labbadia, que já começa a nova temporada com fortes questionamentos sobre o seu trabalho.

Em nenhum momento o Carl Zeiss Jena perdeu o controle no placar. Abriu vantagem aos 15, com Gerlach, apesar do empate de Olic no início do segundo tempo. Jovanovic anotou o segundo para os donos da casa, mas o Hamburgo insistiu até os 49 minutos, quando Gregoritsch voltou a empatar para levar o duelo à prorrogação. Só que o dia era mesmo do Carl Zeiss Jena, e Johannes Pieles anotou o gol que deu a classificação no tempo extra. Um garoto de 19 anos, nascido sete anos depois da queda do Muro de Berlim. Garantiu a festa dos 12 mil torcedores que lotaram as arquibancadas do velho Ernst-Abbe Sportfeld.

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Desde a reunificação da Alemanha, o Carl Zeiss Jena chegou a contar com grandes jogadores – a exemplo de Bernd Schneider e Robert Enke, ambos revelados em suas categorias de base. Desde 2008, porém, despencou da segunda para a quarta divisão, sem ter forças para retornar. A vitória sobre o Hamburgo pode ser o ponto de partida para superar velhos conhecidos, como Dynamo Berlim e Zwickau, e voltar à terceirona. Ou pelo menos para se sonhar com uma campanha histórica na Copa da Alemanha. O primeiro passo já foi dado.