Pela terceira vez consecutiva, o Olimpia hasteia mais alto a bandeira franjeada no Campeonato Paraguaio. O Rey de Copas havia perdido espaço ao longo das duas últimas décadas. A partir da virada do século, o time atravessou uma seca de títulos que durou 11 anos. Depois, esperou até 2015 para reerguer a taça. No entanto, há uma clara hegemonia restabelecida desde a temporada passada. Após faturarem o Apertura e o Clausura em 2018, os olimpistas confirmam o tri, celebrando o Apertura 2019 neste sábado. É a primeira vez desde a década de 1990, quando registraram um tetra entre 1997 e 2000, que os alvinegros não emendam tantos troféus consecutivos no país. Além disso, também é a primeira vez que um time alcança três títulos seguidos desde que os torneios curtos (Apertura e Clausura) foram instituídos no Paraguai, a partir de 2008. Agora são 43 conquistas do Decano, nove a mais que o Cerro.

A quem acompanha a Copa Libertadores, a qualidade do Olimpia não é nenhuma surpresa. Os franjeados também atravessam uma grande campanha no torneio continental, liderando o seu grupo e já classificados aos mata-matas. Contudo, se há outros compatriotas para compartilhar o destaque na competição sul-americana, o mesmo não acontece no Campeonato Paraguaio. Cerro Porteño e Libertad precisaram perseguir de longe o Rey de Copas, em uma campanha completamente dominante.

Os dois títulos de 2018 já tinham acontecido com certas sobras. O Olimpia sofreu apenas uma derrota no Apertura e terminou com uma vantagem de 11 pontos sobre o Cerro Porteño. Tropeçou um pouco mais no Clausura, mas ainda assim abriu nove pontos de diferença em relação aos maiores rivais. Pois os franjeados podem quebrar seu próprio recorde desta vez. Mantêm a invencibilidade na campanha e já chegaram aos 47 pontos – dez a mais que os azulgranas, na segunda colocação. Com mais três rodadas, há enormes chances de superarem as duas pontuações anteriores – 53 no Apertura e 49 no Clausura.

O Olimpia, além do mais, não sabe o que é derrota em 2019. Somando todas as competições, são 24 jogos invictos dos alvinegros, com 16 vitórias e oito empates. O Rey de Copas registrou alguns triunfos sonoros nesta campanha, a exemplo dos 3×2 na casa do Libertad e dos 5×1 sobre o Guaraní. O título praticamente se definiu há duas semanas, quando os olimpistas celebraram no clássico contra o Cerro Porteño. Alejandro Silva comandou os 3 a 1 garantidos no Defensores del Chaco. Assim, a torcida apenas aguardava a confirmação da taça, o que aconteceu neste sábado. Sem qualquer piedade, os tricampeões golearam o Deportivo Santaní por 6 a 0. William Mendieta foi o destaque da noite, com dois gols e uma assistência. Festa enorme da torcida, que invadiu e lotou o acanhado Estádio Antonio Aranda.

O Olimpia possui o entrosamento como uma de suas maiores virtudes. O elenco atua há um bom tempo junto, com destaque ao meio-campo. Os meias Nestor Camacho e William Mendieta são bastiões nesta hegemonia, bem como o atacante Jorge Ortega e o volante Richard Ortíz. O clube também trouxe reforços importantes neste ano. O trio uruguaio composto por Maximiliano Olivera, Tabaré Viudez e Alejandro Silva deu alternativas ao time titular, assim como os rodados Brian Montenegro e Rodrigo Rojas. O zagueiro Antolín Alcaraz reforça a ala dos ex-jogadores da seleção, formada também por Dario Verón. Porém, ninguém supera a idolatria de Roque Santa Cruz.

Dono da braçadeira de capitão, o veterano marca esta guinada do Olimpia nos últimos anos. Santa Cruz retornou em 2016 e seu impacto não foi imediato. De qualquer forma, ele simboliza a nova dinastia dos franjeados. Revelação no tricampeonato emendado até 1999, quando empilhou gols e se transferiu ao Bayern de Munique, o centroavante novamente apresenta ótimos números nestes três títulos. Foram 13 tentos entre o Apertura e o Clausura em 2018. Agora, contribuiu com mais dez bolas nas redes, distribuídas em 15 aparições no Apertura. Deixou sua marca nas vitórias sobre Libertad e Cerro, bem como anotou o quarto na goleada que confirmou a taça. A fase é tão boa que, nos últimos dez jogos, assinalou oito gols.

Daniel Garnero, técnico do Olimpia desde 2017, é outro que merece elogios. O argentino não tinha um currículo tão extenso quando se tornou aposta dos alvinegros, mas montou uma equipe extremamente competitiva e equilibrada. O sucesso na Libertadores pode abrir os olhos aos vizinhos sul-americanos sobre o que acontece em Assunção. De qualquer forma, o tricampeonato já representa um feito histórico no Campeonato Paraguaio. Pode ser considerado o melhor time do país na década e compete com o Libertad tetracampeão (de 2006 a 2008, com dois torneios curtos no caminho) como a grande potência do século. Santa Cruz, faixa no braço e taça três vezes na mão, é um Dom Sebastião franjeado.