Durante décadas, o Campeonato Carioca permaneceu com o regulamento mais interessante (e famoso) dos estaduais pelo Brasil. Era bastante simples: o vencedor da Taça Guanabara pegava o campeão da Taça Rio na finalíssima e, caso um clube conseguisse faturar os dois turnos, terminava com o troféu antecipado. Os formulismos e as invencionices dos dirigentes, porém, alteraram o método de disputa a partir de 2014. Mas cinco anos depois, enfim, os cartolas cariocas resolveram voltar atrás e aboliram as semifinais gerais. A partir de 2020, o estadual retomará as bases antigas do estadual – embora com algumas modificações menores.

O Campeonato Carioca de 2020 repetirá o modelo básico vigente até 2013. O campeão da Taça Guanabara pegará o vencedor da Taça Rio na eventual final. A única diferença na definição do título acontece em caso de vitória do mesmo clube em ambos os turnos. Para colocar a faixa no peito de maneira definitiva, ele precisará ter também a melhor pontuação geral. Se não tiver, mesmo se for campeão da Taça Guanabara e da Taça Rio, fará as finais contra o adversário de melhor pontuação.

O novo velho Campeonato Carioca ocupará o máximo de 17 datas no calendário. Os 12 clubes se dividirão em grupos de seis. Na Taça Guanabara, pegarão os adversários do outro grupo e, na Taça Rio, as equipes da mesma chave. Em ambos os turnos, os dois primeiros de cada chave avançam rumo às semifinais, para jogos únicos até a final. O Fluminense votou contra a nova fórmula, pois desejava uma finalíssima em jogo único também entre os vencedores dos turnos.

Como nem tudo é alegria, o Campeonato Carioca mantém provisoriamente a sua seletiva para 2020 e 2021, com os clubes mais fracos da competição. Já em 2022, a Ferj criará uma Série A-2, que acabará com tal seletiva. O torneio terá o mesmo formato da Série A-1 e promoverá apenas uma equipe por ano. O gargalo será mais apertado e, em consequência das mudanças no acesso, a edição de 2021 do Carioca não terá descenso.

Nas edições passadas, o Campeonato Carioca abusou das fórmulas. Em 2014 e 2015, o torneio usou um sistema de turno único, no qual os quatro primeiros colocados se classificavam à semifinal geral. Em 2016, o confuso modelo tornou a Taça Guanabara como segundo turno, limitando a Taça Rio como um prêmio consolação a quem não disputou a fase final do estadual. Já nos últimos três anos, prevaleceu a bizarra fórmula com as semifinais gerais, que dependiam também da pontuação acumulada para determinar seus classificados.

Agora, o entrave que fica supera a mera questão dos regulamentos e dos formulismos: o excesso de datas aos estaduais. Por mais que o resgate do modelo relembre edições históricas do Campeonato Carioca, isso não parece suficiente para garantir o interesse à competição. Seguirá como algo supérfluo no início do ano, a clubes que podem ter pretensões maiores. Com ou sem os vencedores dos turnos definindo a taça, 17 rodadas é algo exagerado. Uma mudança mais profunda, entretanto, exigiria a diminuição do poder das federações. E, diante da forma como a estrutura política da CBF está calcada, isso não deve acontecer tão cedo.