A CBF divulgou o novo calendário do futebol brasileiro para 2019 e, para surpresa de ninguém, as mudanças são apenas cosméticas. Nada de efetivo será feito, por mais que as reclamações sejam recorrentes desde tempos imemoriais. Enquanto os mesmos sentam na confortável cadeira do poder, os clubes preferem barganhar sua oposição a se unir de maneira verdadeira pela melhora da organização do esporte no país. Perde-se o direito de se queixarem depois sobre a maratona de jogos, sobre a rotação dos times ou seja lá o que for. A mesma conversa cansativa de sempre, que soa como dar murro em ponta de faca.

A grande novidade é que os jogos noturnos começarão às 21h30. A Mãe Globo resolveu ceder um pouco e desta maneira auxilia ligeiramente quem precisa sair correndo do estádio para pegar o transporte público depois do apito final. De qualquer maneira, não é a solução ideal para tentar aumentar a frequência dos torcedores nas arquibancadas, o que deveria ser prioritário. Outra medida positiva (em partes pequenas) é a pré-temporada com mais datas. Serão quatro dias a mais, 18 no total, ainda assim insuficiente.

De resto, a mesma patacoada de sempre. Os estaduais tomarão o calendário até abril, em disputas praticamente inúteis aos clubes de elite, que servem apenas para inflar os egos, e insuficientes aos pequenos que ficam dependentes destes quatro meses de esmola. Data Fifa? Ledo engano achar que a CBF ia mudar alguma coisa, porque a Seleção continuará desfalcando seu time em momentos decisivos da temporada. E o pior é que a lição da Copa do Mundo não bastou. Organizar a Copa América não bastou. O Brasileirão vai parar apenas dois dias antes da competição continental, que deverá desfalcar ainda mais os times daqui por conta do alto número de estrangeiros. Não dá nem para dizer que falta inteligência: falta vontade mesmo.

Já o caso mais emblemático é o da Copa do Brasil. O torneio terá o seu intervalo encurtado e as finais acontecerão logo no começo de setembro. Vantagem, certo? Os times poderão seguir em seu embalo, coisa e tal. Nada disso: as finais conflitam justamente com a Data Fifa. Os jogos da decisão acontecem em 4 e 11 de setembro. O período reservado às seleções vai do dia 5 ao dia 10. Espera-se um mínimo de noção na convocação, já que na elaboração das mudanças não houve, mas ainda assim estrangeiros podem virar desfalques. Os jogos da equipe nacional também baterão com as oitavas de final e com sete rodadas do Brasileiro. Quase um quarto do torneio impactado por falta de tato.

Se eu fizesse um textão aqui para despejar todas as insatisfações que vocês devem estar cansados de ler / ouvir, perderia meu tempo e gastaria o de vocês. Fica mais é o lamento pela imobilidade do que não vai se resolver enquanto os maiores interessados não se mexerem. E o cenário não traz perspectiva alguma de que possa melhorar. O buraco se afunda.