Ao final do Brasileirão 2011, quando torcedores se reunirem em uma mesa de bar não haverá frases do tipo voce se lembra daquele golaço, nosso time estava bom demais, ganhamos na raça, caramba esse time vai ficar na história. Nada disso. O que vai se ouvir será se a gente não tivesse dado aquele vacilo, se tivesse ganho daquela galinha morta, se tivesse corrido mais um pouco. Mesmo os campeões explicitarão verbalmente a sensação de que poderia ter sido melhor, que poderia ter jogado mais, que o time ficou em dívida.

O Muro das Lamentações em Israel é o loca que melhor poderia representar esse campeonato em que ninguém joga uma grande futebol ou pelo menos consegue uma vantagem considerável sobre os rivais. É o campeonato da regularidade. Faltam nove rodadas e a diferença entre o primeio e o sexto colocado é de apenas 4 pontos. Algo a comemorar? Não sei. Me parece mais um nivelamento por baixo.

Na última rodada, apenas três times – Atlético-MG, América-MG e Fluminense – ganharam em casa. Dois deles, os mineiros, lutam contra  rebaixamento. Ninguém tem certeza de vencer, ninguém pode planejar algo a longo prazo. Os líderes são exemplos de inconstância. O Flamengo ficou dez jogos sem vencer e está lá. O Corinthians, nos últmos 19 jogos ganhou 23 pontos. E está lá. O São Paulo, desde que Adílson chegou, jogou 19 vezes e ganhou 27 pontos. E está lá. O Fluminense fez um primeiro turno muito fraco e está lá.

Quem é favorito? Sei lá. Mas algumas coisas podem ser levadas em conta.

São Paulo – Outros times têm variações drásticas, ganham uma série de jogos e depois perdem outra. Mostram algum poder de reação. O São Paulo, não. É sempre time que não vibra e que não engrena uma reação. E só será campeão se fizer agora o que não fez até hoje.

Corinthians – Perdeu várias chances de reagir de vez e disparar. Agora, tem dois jogos fora – Cruzeiro e Inter – e depois uma série mais teoricamente mais fácil. Teoricamente, pois foi com essa série, no primeiro turno, que começou a cair.

Fluminense – Tem reagido bem. Pode atropelar

Flamengo – Tem Ronaldinho, que pode carregar o time.

Botafogo – Pega o Furacão em casa e o Santos, em jogo atrasado, fora. Se vencer os dois, é candidatíssimo.

Vasco – Tem de abandonar logo a Sul-Americana e dedicar-se à conquista do titulo.

Um deles será campeão. Mas não será aquela catarse. Haverá um ar de desculpas no ar. Fomos campeões, mas se não fosse aquela bobeira… Fomos campeões, mas desculpa aí, faltou futebol. Um campeão das lamentações.