Um meia ofensivo, que se inspirava no estilo de jogo de Kaká, foi apresentado como volante do Bayer Leverkusen. André Ramalho, de 23 anos, mal jogou no Brasil. Em sua trajetória, ele deixou o futebol brasileiro há cerca de dois anos como um jogador do meio para frente, mas vai jogar na Bundesliga como um reforço dos Aspirinas para o sistema defensivo. Na Áustria, onde jogava pelo Red Bull Salzburg, ele virou volante e até zagueiro.

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André se formou como jogador no Red Bull Brasil, clube criado pela marca austríaca e que tem sede em Campinas. Em 2013, foi para o Red Bull Salzburg. Na última temporada, trabalhou com o técnico o técnico Roger Schmidt e foi muito bem sucedido: foi campeão austríaco e da Copa da Áustria. O seu treinador o descreve como um volante moderno, que marca bem, faz muitas antecipações e sabe jogar com a bola nos pés.

Durante seu tempo na Áustria, André foi emprestado para clubes menores para ganhar experiência. Jogou pelo Anif e Liefering antes de se estabelecer no Red Bull Salzburg e, enfim, conseguir chamar a atenção de um clube como o Leverkusen. “André lê o jogo muito bem”, afirmou o técnico Roger Schmidt. “É por isso que ele é capaz de defender na frente. Ele ganha a bola antes e faz muitas interceptações. Ele é um volante por natureza, mas ele frequentemente jogou como zagueiro por causa de lesões e fez um grande trabalho. No Leverkusen, ele jogará nas duas posições”, disse o treinador.

Mas não foi sempre assim. Quando saiu do Brasil, André atuava como meia ofensivo e se inspirava em Kaká. Foi no Red Bull Salzburg que ele foi transformado em um jogador de defesa, atuando à frente da zaga, ou na última linha defensiva. É um jogador que tem qualidade com a bola, o que lhe dá facilidade para sair jogando. Fechou contrato com o clube alemão sem custar nada. O seu contrato com o time austríaco se encerrou no dia 30 de junho. Em janeiro, ele já tinha fechado com o Bayer Leverkusen.

“Todo mundo na Áustria sempre espera que o Red Bull vença tudo, isso ensina você muito sobre pressão”, disse André ao site da Bundesliga. “O Leverkusen é um desafio completamente novo. O Bayer é um dos melhores clubes em uma liga de ponta onde você enfrenta times realmente muito bons e jogadores realmente muito bons toda semana. Sempre foi um sonho meu jogar em uma das melhores ligas e agora eu posso fazer isso”, disse ainda o defensor.

Aos 23 anos e completamente desconhecido do público brasileiro, André Ramalho tentará fazer o caminho que outros já conseguiram: chamar a atenção no exterior sem ter brilhado no Brasil. Foi assim com Dante, que jogou no Bahia e na Bélgica antes de se destacar na Alemanha, ou David Luiz, que jogou pelo Vitória na Série C do Campeonato Brasileiro antes de chamar a atenção no Benfica. É ficar de olho na Bundesliga para ver se ele cumpre a expectativa que o Leverkusen tem sobre ele.