Lucas Pratto chegou ao Atlético Mineiro como grande estrela, enquanto o Internacional se empolga com as chances de contar com Giorgian De Arrascaeta. Darío Conca se tornou o principal alvo do mercado, assim como a renovação de Paolo Guerrero é assunto prioritário no Corinthians. Não dá para negar: o futebol brasileiro passou a dar muito mais espaço para os jogadores sul-americanos nos últimos anos. O poder de mercado permitiu que os clubes voltassem as suas atenções para os vizinhos e trouxessem grandes destaques. O nível técnico melhorou, isto é claro. Ainda assim, não dá para dizer que o Brasil é o melhor comprador do continente. E quem mostra bem isso é o México.

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Nestas últimas semanas de preparação para 2015, os times mexicanos fizeram excelentes aquisições no sul das Américas. O Monterrey tirou Edwin Cardona e Alexander Mejía do Atlético Nacional, Agustín Marchesín chegou como substituto de Oswaldo Sánchez no Santos Laguna, Silvio Torales acertou com o Pumas após se destacar no Nacional paraguaio. Os mexicanos se deram bem até mesmo ao pinçar alguns jogadores no Brasil, como Tiago Volpi, contratado Querétaro após grandes atuações com o Figueirense na Serie A. Todos nomes promissores para o ano que se inicia. E que caberiam bem em grandes brasileiros.

Não é de hoje que o futebol do México faz um ótimo trabalho de observação na América do Sul, sobretudo em equipes de Colômbia e Equador. Os exemplos recentes de Enner Valencia e Jackson Martínez, que brilharam no país antes de seguirem para a Europa, são emblemáticos. Já nos últimos tempos, os clubes mexicanos têm atraído bons nomes argentinos – tanto de destaques locais, como o zagueiro Paolo Goltz e o goleiro Nahuel Guzmán, quanto de veteranos de qualidade sem tanto espaço na Europa, a exemplo da passagem recente de Teo Gutiérrez pelo Cruz Azul.

Por mais que os clubes mexicanos tenham dinheiro, o poder financeiro dos grandes brasileiros ainda é maior. E não dá para colocar apenas a língua e a proximidade cultural como um atrativo a mais para que tantos talentos sul-americanos resolvam tentar a sorte no norte. É também uma questão de bom trabalho de observação no mercado. Basta notar como acontece a aproximação. Muitos dos reforços que desembarcam no México possuem o seu sucesso limitado às ligas locais ou são conhecidos apenas do público mais atento dos torneios continentais. Para que um sul-americano chegue ao Brasil, entretanto, o processo parece mais lento. Geralmente, ele precisa ter jogado bem contra um clube do país ou estar se destacando há tempos em seu clube – mas sem receber uma proposta do exterior que satisfaça.

O próprio caso de Lucas Pratto diz muito neste sentido. Não é do último ano que o centroavante figurou entre os melhores do campeonato argentino. No entanto, demorou para que alguém atendesse as demandas do Vélez. Neste intervalo, o artilheiro chegou a ser sondado pelo Atlas e teve uma proposta do León até melhor do que a do Galo. O sucesso recente dos alvinegros, no entanto, pesou na escolha do jogador. Apenas um exemplo entre outros tantos nos quais os brasileiros tinham a chance de agir antes. Para a alegria dos atleticanos, desta vez deu certo.

Logicamente, trazer os destaques dos vizinhos sul-americanos também não é garantia de sucesso. A lista de frustrações nos últimos anos é considerável. Mas os problemas em uma observação um pouco mais atenta dos dirigentes ficam evidentes, sobretudo quando se compara com a maneira como os mexicanos têm agido. Cardona, Mejía, Goltz e Marchesín poderiam se dar bem por aqui, e chance para observá-los não faltou – basta recordar de tantos duelos recentes dos clubes brasileiros com Atlético Nacional e Lanús. Porém, o destino deles será o Campeonato Mexicano. Assim como pode ser de Sherman Cárdenas, Diego Polenta, Gabriel Mercado, Gustavo Bou e quem mais se destacou em terras sudacas nos últimos tempos, caso os brasileiros sigam cochilando.