Em um time com Falcao García, Teo Gutiérrez, James Rodríguez e Cuadrado (além de Bacca e Jackson Martínez no banco), é natural que as atenções sobre a Colômbia recaiam no ataque. Em Santiago, porém, o setor ofensivo dos Cafeteros não funcionou tão bem. Se a vitória por 1 a 0 sobre o Brasil aconteceu, veio mais por incompetência do time de Dunga do que pela efetividade dos colombianos no ataque. E, é claro, pela grande partida que a equipe de José Pekerman teve defensivamente. A pressão dos homens de frente foi essencial para atrapalhar demais a saída de bola da Seleção. Já na cabeça de área, Carlos Sánchez se manteve soberano. Forçou os erros do ataque do Brasil e trancou sua defesa para assegurar o triunfo.

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Sánchez está distante da badalação. O volante que apareceu bem no River Plate de Montevidéu e passou anos no Valenciennes ganhou um pouco mais de notoriedade no Elche. Para depois da Copa do Mundo chegar ao Aston Villa. Mas, em uma seleção com tanta vocação ofensiva, seu papel é essencial. Ao lado de Valencia, se manteve como esteio e segurança no meio-campo da equipe. Se o primeiro combate do quarteto ofensivo não dava certo, o volante estava lá para proteger.

Especialmente no segundo tempo, Sánchez dominou a faixa central, se movimentando bem e marcando em cima – às vezes, até acompanhando individualmente Neymar, quando o camisa 10 deixava as pontas. Um leão nos desarmes, com sete bolas roubadas. Pode não ter vencido todos os combates, ainda que tivesse a retaguarda da linha de defesa. No entanto, se Neymar e Roberto Firmino tiveram tão pouco espaço, perderam tantas bolas e erraram tantos passes, o camisa 6 da Colômbia teve grande influência. Pelo equilíbrio entre ataque e defesa, além de todo trabalho que deu no lado direito, Cuadrado pode ser visto como melhor em campo. Mas, sem a bola, por toda a entrega, ninguém superou o primeiro volante.

A Colômbia ainda pode estar devendo nesta Copa América. De fato, não jogou muito bem nas duas primeiras partidas. Fosse o time que encantou na Copa do Mundo, talvez tivesse goleado o Brasil nesta quarta. De qualquer maneira, a organização defensiva do time de Pekerman se mantém. E o controle de Carlos Sánchez foi importantíssimo neste sentido. Se os brasileiros não jogaram bem, além de suas carências evidentes, há também méritos dos Cafeteros, bem como de seu cão de guarda.